O avanço e a popularização das ferramentas de inteligência artificial generativa trouxeram um novo desafio de segurança digital para o país: o salto de 400% nos deepfakes caseiros registrado no primeiro semestre deste ano, em comparação com o mesmo período do ano anterior, segundo levantamento da empresa de verificação de identidade Unico.
O Novo Perfil do Fraudador
Diferente do passado, em que fraudes digitais exigiam alta complexidade técnica, o cenário atual é dominado por indivíduos comuns que utilizam aplicativos de interface simplificada. Com botões intuitivos que ocultam a matemática por trás da tecnologia, usuários sem conhecimentos profundos conseguem gerar mídias sintéticas ultraconvincentes.
- De sofisticado a simples: As fraudes complexas — que exigiam conhecimento para burlar falhas de software — representavam 61% dos ataques enfrentados pela Unico. Neste ano, esse índice despencou para 14%, cedendo espaço aos chamados “golpes simples” ou caseiros.
- Alvos e objetivos: Os criminosos muitas vezes miram familiares e conhecidos para burlar sistemas de prova de vida em bancos, instituições financeiras e lojas virtuais, buscando aprovar cadastros, realizar compras, obter empréstimos ou efetuar saques.
Estatísticas e Impacto no Brasil
Os dados refletem a urgência do tema no território nacional:
- Liderança regional: O Brasil concentrou 39% dos casos de deepfake na América Latina em 2025, acumulando um aumento de 126% nos ataques com imagens, vozes e identidades falsas em relação ao ano anterior.
- Percepção da população: Pesquisa da Veriff aponta que 80% dos brasileiros já se depararam com deepfakes (acima da média global de 60%). No entanto, apenas 29% conseguem identificar um vídeo falso e 35% reconhecem com precisão um vídeo real.
- Barreira de segurança: No primeiro semestre, a Unico barrou R$ 19,6 bilhões em tentativas de fraude — um crescimento de 23% —, totalizando mais de 13 milhões de ataques bloqueados em 23 setores econômicos.
O Limite Técnico e o Risco da Engenharia Social
Apesar da escalada de tentativas, a maioria dos deepfakes caseiros apresenta falhas de sofisticação técnica que acabam sendo bloqueadas por motores modernos de prova de vida, os quais analisam critérios como profundidade, textura e naturalidade da imagem.
Ainda assim, especialistas alertam que a barreira técnica não elimina o perigo. O grande trunfo dos criminosos passou a ser a engenharia social, explorando a intimidade e a confiança da vítima — a exemplo de vídeos ou áudios forjados em que um suposto filho solicita uma transferência financeira urgente.
Panorama Geral: Além dos golpes financeiros e fraudes cadastrais, autoridades como a Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) destacam que a facilidade de acesso a essas tecnologias tem alimentado a pulverização de desinformação e casos graves de violência contra mulheres e menores.
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