Machos de 7 espécies animais que assumem a criação dos filhotes

Ao se pensar em animais projetando cuidados para os filhotes, a imagem que geralmente vem à mente é a da mãe protegendo, alimentando ou transportando os pequenos. Contudo, na ordem natural, existem espécies onde o macho desempenha um papel crucial e, em certos casos, é ele quem assume quase toda a responsabilidade pela prole.

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Esse comportamento é reconhecido pelos estudiosos como cuidado parental paterno, que pode incluir a construção do ninho, a incubação dos ovos, a defesa dos filhotes, o transporte e até a alimentação dos mesmos.

Uma pesquisa veiculada na revista científica Nature Communications, que avaliou mais de 500 espécies de mamíferos, revelou que o cuidado masculino está presente em uma fração reduzida desse grupo. Em muitas espécies, quando os machos se envolvem na criação, eles colaboram no transporte dos filhotes ou oferecem recursos à fêmea.

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Entre aves e peixes, entretanto, a narrativa pode ser bastante diferente. Conheça alguns dos animais que têm pais desempenhando um papel notável na educação dos filhotes.

1) Cavalo-marinho

O cavalo-marinho é talvez um dos exemplos mais célebres de cuidado paterno no reino animal.

Nas espécies desse grupo, o macho recebe os ovos depositados pela fêmea em uma estrutura que se assemelha a uma bolsa. Os embriões se desenvolvem ali até a hora do nascimento.

No cavalo-marinho-de-focinho-curto (Hippocampus breviceps), por exemplo, o masculino transporta os embriões por aproximadamente duas semanas antes de liberar os novos filhotes.

Outras espécies de cavalos-marinhos exibem comportamentos semelhantes. No cavalo-marinho-de-espinhos-longos (Hippocampus histrix), o macho também cuida dos ovos e dá à luz os filhotes.

Essa estratégia também é observada nos dragões-marinhos, que são parentes próximos dos cavalos-marinhos. No dragão-marinho-comum (Phycodurus eques), o macho transporta os ovos em seu corpo por cerca de um mês, até que eles eclodam.

2) Peixe-de-mandibula

Outro pai comprometido habita as profundezas do oceano. O peixe-jawfish, conhecido em português como peixe-de-mandíbula, possui espécies em que o macho abriga os ovos dentro de sua própria boca.

Em uma outra variedade, o jawfish-dusky (Opistognathus whitehurstii), o macho mantém a ninhada na boca por um período de cerca de oito a dez dias. Durante esse tempo, os ovos permanecem protegidos enquanto se desenvolvem.

Essa é uma estratégia curiosa, pois o pai precisa carregar toda a ninhada consigo até que os ovos estejam prontos para seu desenvolvimento.

3) Pinguim-imperador

Nas regiões mais frias do planeta, o pinguim-imperador exemplifica um dos casos mais extremos de cuidado paternal.

Após a fêmea colocar um único ovo, ela o entrega ao macho e parte para o mar em busca de alimento. O pai permanece na colônia durante o rigoroso inverno antártico, mantendo o ovo sobre os pés e protegido por uma dobra de pele.

O período de incubação é de cerca de 65 a 75 dias. Durante esse tempo, os machos não se alimentam e enfrentam temperaturas que podem atingir extremos negativos. Eles também se agrupam em grandes número para preservar o calor.

Quando o filhote nasce, o macho continua a prestar cuidados iniciais. Logo depois, a fêmea retorna e ambos passam a dividir as responsabilidades da criação.

4) Jaçanã

Entre as aves, o jaçanã também se destaca, pois os machos podem assumir praticamente todas as funções relacionadas à criação.

No jaçanã-americano (Jacana spinosa), o macho constrói o ninho, incuba os ovos e cuida dos filhotes. Assim que nascem, os pequenos deixam o ninho rapidamente e seguem o pai em busca de locais para forragear.

Essa espécie também apresenta uma dinâmica reprodutiva peculiar: as fêmeas podem manter múltiplos parceiros, enquanto os machos são encarregados da criação dos filhotes.

5) Codorna-pintada

A codorna-pintada (Turnix varius) é outra ave em que o macho desempenha um papel fundamental.

O macho é encarregado da incubação dos ovos e continua a cuidar dos filhotes após seu nascimento. Nos primeiros dias, ele também auxilia na alimentação dos pequenos.

De acordo com informações do Animal Diversity Web, o macho assume a responsabilidade exclusiva pela incubação dos ovos nesta espécie e continua a acompanhar os filhotes após o nascimento.

6) Mico-leão-dourado

Entre os mamíferos, o cuidado paterno pode manifestar-se de forma bastante distinta.

No mico-leão-dourado, o pai frequentemente transporta os filhotes nas costas, enquanto a mãe se concentra principalmente na amamentação. No Smithsonian’s National Zoo, pesquisadores observaram que após os primeiros momentos de vida, os filhotes começam a ser levados pelo pai.

Essa espécie integra grupos sociais nos quais os cuidados com os filhotes são compartilhados. O comportamento indica que, entre algumas espécies de primatas, a criação dos filhotes pode ser uma atividade coletiva entre os membros da família.

7) Mico-de-Geoffroy

O mico-de-Geoffroy também apresenta um sistema social onde os pais e outros integrantes do grupo colaboram nos cuidados com os filhotes.

Conforme informações do Smithsonian’s National Zoo, os pais, assim como outros membros do grupo, fornecem cuidados extensivos aos pequenos.

Esse tipo de comportamento é especialmente interessante, pois demonstra que o cuidado paternal não implica que o macho seja o único responsável. Em algumas espécies, a criação é uma tarefa coletiva.

Por que alguns animais têm pais tão participativos?

O cuidado parental eleva as possibilidades de sobrevivência dos filhotes, mas também acarreta custos para os adultos. Proteger ovos, procurar alimento, carregar filhotes ou permanecer em um ninho pode demandar energia e aumentar a vulnerabilidade a predadores.

Por essa razão, os pesquisadores acreditam que o cuidado parental evolui à medida que os benefícios para a sobrevivência dos descendentes compensam esses custos.

Nas aves, um outro estudo publicado na Nature Communications analisou 1.533 espécies e revelou uma ampla gama de estratégias. Em grande parte das espécies, machos e fêmeas compartilham as tarefas, mas em algumas delas, o macho é o único responsável por determinadas fases da reprodução.

No que diz respeito aos mamíferos, a participação paterna é muito menos frequente. Apenas cerca de 3% a 5% das espécies de mamíferos demonstram envolvimento paterno ativo nos cuidados com os filhotes.

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