Cafeína e doenças cardiovasculares: informações da AHA

A cafeína pode ter efeitos variados sobre o coração, dependendo da origem, da quantidade ingerida e das particularidades de cada indivíduo. Uma declaração científica da Associação Americana do Coração (AHA, na sigla em inglês), divulgada no dia 20 de julho, compilou as evidências disponíveis acerca da conexão entre cafeína e doenças cardiovasculares.

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O documento indica que o consumo moderado de produtos naturalmente cafeinados, especialmente o café, não está nitidamente associado ao aumento do risco cardiovascular e pode, de fato, estar vinculado a resultados benéficos. No entanto, as altas quantidades presentes em bebidas energéticas devem ser abordadas com cautela, pois alguns efeitos sobre o ritmo cardíaco, o colesterol e outros fatores de risco podem variar.

Café concentra evidências científicas

Encontrada no café, no chá, no cacau, em medicamentos e nas bebidas energéticas, a cafeína é uma das substâncias mais consumidas globalmente. Mesmo com sua presença tão comum na vida cotidiana, a declaração científica da AHA ressalta que os efeitos sobre a saúde cardiovascular não podem ser rotulados apenas como positivos ou negativos.

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A declaração também destaca uma diferença crucial entre o impacto imediato e aquele resultante do consumo habitual.

“Os efeitos cardiovasculares agudos e crônicos relacionados à cafeína geralmente diferem”, enfatiza o documento.

A maior parte das investigações disponíveis, porém, foca no café. Assim, nem sempre é possível para os pesquisadores distinguir os efeitos específicos da cafeína daquelas provocadas pelos outros componentes da bebida.

Essa limitação impõe uma certa cautela. Uma relação entre o consumo de café e um risco cardiovascular reduzido, por exemplo, não implica que a cafeína isoladamente apresente o mesmo efeito.

Estudos ainda apresentam limitações

A maioria das investigações realizadas com seres humanos é do tipo observacional. Embora esse modelo permita identificar associações, os resultados podem ser influenciados por fatores que não foram analisados.

Conforme a declaração científica, ainda existe um número pequeno, mas crescente, de ensaios clínicos randomizados e controlados. Esse tipo de pesquisa pode oferecer evidências mais precisas sobre os efeitos da cafeína no corpo.

Os resultados também variam conforme a natureza da cafeína ingerida e as características pessoais. Portanto, as conclusões obtidas em estudos sobre café não podem ser aplicadas automaticamente à cafeína pura ou a produtos com alta concentração da substância.

Cafeína afeta pressão e diabetes

A maioria das investigações sugere uma relação inversa em forma de J entre o consumo de produtos naturalmente cafeinados e a pressão arterial. Isso indica que os resultados não seguem necessariamente uma trajetória linear à medida que a ingestão aumenta ou diminui.

Quanto ao diabetes, as evidências sobre os efeitos específicos da cafeína ainda são inconsistentes. O consumo regular de café, no entanto, tem se associado a uma menor incidência de diabetes tipo 2.

A declaração destaca novamente que os estudos identificaram essa associação principalmente dentro do contexto do café. Assim, não é possível atribuir o resultado exclusivamente à cafeína presente na bebida.

Café não filtrado eleva colesterol

Os estudos não demonstraram uma relação clara entre a cafeína e mudanças nos lipídios sanguíneos. O documento, no entanto, ressalta uma exceção: o café não filtrado pode elevar o colesterol de lipoproteína de baixa densidade, o LDL.

Esse resultado chama a atenção para a forma de preparo da bebida, além da quantidade consumida. Mesmo assim, a declaração não atribui automaticamente esse efeito à cafeína isolada.

Risco de doenças cardiovasculares

Estudada em grande parte por meio do consumo de café, a cafeína não demonstrou relação com o aumento do risco de doença arterial coronariana e insuficiência cardíaca. Em algumas pesquisas, o consumo apareceu associado a um risco menor dessas condições.

A declaração, entretanto, não estipula que a cafeína previna doenças cardiovasculares. Os resultados precisam ser compreendidos à luz das limitações de cada pesquisa e das variações entre os produtos analisados.

Efeitos sobre o ritmo cardíaco

A cafeína pode causar efeitos distintos no ritmo cardíaco. Ensaios clínicos randomizados e controlados com consumidores habituais de café revelaram que a versão cafeinada reduziu o risco de ocorrência de fibrilação atrial, que é caracterizada por batimentos irregulares.

Por outro lado, o café com cafeína aumentou a frequência de contrações ventriculares prematuras. Essas contrações representam batimentos adicionais originados nas câmaras inferiores do coração.

Os resultados indicam que a mesma bebida pode apresentar associações diferentes dependendo da alteração cardíaca analisada. Dessa forma, os potenciais efeitos da cafeína sobre o coração não permitem uma conclusão única para todas as condições.

Consumo moderado e risco de AVC

Uma das associações mais claras encontradas na literatura científica envolve o acidente vascular cerebral. De acordo com a declaração, o consumo moderado de cafeína esteve associado a um risco menor de AVC.

Mais uma vez, os pesquisadores observaram esse resultado sobretudo no contexto do consumo de café. Essa conclusão não deve ser aplicada automaticamente a todas as fontes ou quantidades de cafeína.

As evidências relacionadas ao consumo moderado de café também não se referem diretamente a produtos que contenham altas concentrações da substância.

Energéticos exigem cautela

As investigações sobre altas doses de cafeína, como as presentes em bebidas energéticas, ainda são limitadas. As informações disponíveis, no entanto, sugerem efeitos prejudiciais ao sistema cardiovascular.

Essa diferença é um dos pontos centrais da declaração científica. Os possíveis resultados benéficos associados ao consumo regular e moderado de café não garantem que doses elevadas sejam seguras ou gerem efeitos semelhantes.

Cada organismo responde de uma forma

Após a ingestão, o corpo dissolve e absorve rapidamente a cafeína. A substância atinge suas concentrações máximas em cerca de uma hora e apresenta biodisponibilidade oral de 100%. Isso implica que doses maiores provocam aumentos proporcionais dos níveis de cafeína no sangue.

A substância também atravessa membranas biológicas, incluindo as barreiras hematoencefálica e placentária. Embora não se acumule nos tecidos ou órgãos, o cérebro pode conter altas concentrações de cafeína.

A resposta ao consumo, porém, não é igual para todos. A taxa de metabolização pode variar com base em características genéticas herdadas e padrões anteriores de exposição. Desse modo, uma mesma quantidade de cafeína pode resultar em efeitos distintos para cada indivíduo.

Ao compilar as evidências disponíveis, a Associação Americana do Coração conclui que o consumo moderado de produtos naturalmente cafeinados, especialmente o café, não está claramente relacionado ao aumento do risco cardiovascular e pode estar associado a alguns resultados positivos.

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