O dólar apresentou uma leve valorização em relação ao real nesta manhã de terça-feira, porém permanecia em um patamar de estabilidade, enquanto no mercado internacional a moeda dos Estados Unidos recuava diante de outras moedas de nações emergentes, tudo isso em meio à atenção voltada para a guerra no Oriente Médio.
O preço do petróleo Brent, que havia subido cedo em Londres, estava em queda nesta manhã, em torno de US$81 por barril, e os rendimentos dos Treasuries também mostravam diminuição.
Às 10h21, o dólar à vista subia 0,17%, alcançando R$5,0966 na venda.
Na B3, o contrato de dólar futuro para setembro, que é o mais negociado no mercado brasileiro, aumentava 0,06%, valendo R$5,1280.
O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, declarou que um acordo com o Irã sobre a reabertura do Estreito de Ormuz pode ser concretizado até quarta-feira. Por sua vez, Majed Al Ansari, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Catar, informou que iniciativas estão sendo realizadas para encontrar uma solução diplomática para o conflito, sendo o Catar um dos mediadores entre EUA e Irã.
Com a esperança de um entendimento entre as nações, o dólar recuava frente a moedas emergentes, como o peso chileno, o rand sul-africano e o peso mexicano, porém no Brasil a divisa norte-americana mantinha-se em uma faixa estável.
“No curto prazo, alguns fundamentos sustentam a moeda em torno de R$5,10: a balança comercial está apresentando uma melhora, com as exportações se recuperando; o investimento direto continua forte; e a diferença de juros, que ainda é alta, torna o carry-trade atrativo”, comentou Gustavo Sung, economista-chefe da Suno Research.
O carry-trade é uma estratégia onde os investidores tomam empréstimos no exterior com juros baixos e aplicam os recursos no Brasil, onde as taxas são mais elevadas.
“Contudo, um fator que até agora era secundário pode se tornar um impulsionador de volatilidade: o calendário eleitoral. A partir de setembro, esse assunto deve ganhar relevância e exigir um prêmio de risco adicional sobre a moeda”, acrescentou Sung.
Mais cedo, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) anunciou que a produção industrial caiu 1,8% em junho em comparação a maio, superando a retração de 0,8% estimada por economistas consultados pela Reuters. Quando comparado a junho de 2025, houve um aumento de 1,7%, também abaixo da projeção de 3,0%.
Esse resultado da produção industrial é o mais recente a indicar uma desaceleração da atividade econômica no Brasil — um fator que reforça a expectativa de que o Banco Central deve reduzir a taxa Selic em 25 pontos-base na quarta-feira, com a possibilidade de um novo corte em setembro.
Atualmente, a Selic está fixada em 14,25% ao ano, muito acima das taxas praticadas em países como os EUA e o Japão, e esse diferencial de juros foi considerado, nos últimos meses, um aspecto positivo para a atração de dólares para o Brasil. Entretanto, hoje o cenário apresenta nuances diferentes, considerando a perspectiva de aumento nas taxas de juros nos EUA e de novas reduções no Brasil.
O dólar à vista encerrou a sessão de segunda-feira com um crescimento de 0,38%, situando-se a R$5,0877.







