Ao adentrar a enfermaria pediátrica do Sistema Único de Saúde (SUS) do Hospital Materno Infantil Francisco de Assis (Hifa), situado em Cachoeiro de Itapemirim, no Espírito Santo, os pequenos pacientes encontram um ambiente que vai muito além do tratamento hospitalar convencional.
Através de telas, as crianças se conectam a desenhos animados, filmes, personagens e histórias, tornando a internação mais lúdica e menos dolorosa.
Essa iniciativa integra o projeto “Sorrisos em Tela – Humanização do Ambiente Pediátrico SUS”, desenvolvido para amenizar a experiência hospitalar infantil.
Conforme esclarece o Hifa, “por meio dessas telas, o projeto visa diminuir a ansiedade e o estresse das crianças, oferecendo instantes de alegria e entretenimento que favorecem uma recuperação mais serena e otimista”.
Os televisores, posicionados na enfermaria pediátrica, transmitem materiais educativos e recreativos, criteriosamente escolhidos pela equipe multiprofissional da instituição.
O projeto foi concretizado graças a uma parceria entre o Hifa e a Cooperativa Financeira Sicredi União RS/ES, que custeou a ação através do Fundo Social.
Luiz Felipe Sobreira, gerente da Agência Sicredi União Gilberto Machado, em Cachoeiro, explica: “Entre os projetos beneficiados com os recursos do Fundo Social Sicredi 2025, apoiamos o Hifa com 14 smart TVs de 43 polegadas e 14 suportes”.
O investimento total foi de R$ 27 mil. Além dos dispositivos, os valores repassados pela cooperativa também foram utilizados na plotagem e personalização das paredes da enfermaria.
O gerente destaca: “Falar de hospital já é delicado, e quando inserimos mais interação, especialmente para a criança, um espaço onde ela pode ver uma tela, assistir a um desenho e se sentir mais confortável, é fundamental. Não há sensação que eu possa descrever. É extremamente importante, um retorno imensurável”.
Compromisso com os ODS da ONU
Além do “Sorrisos em Tela”, a Sicredi União RS/ES apoia outras ações de humanização no Hifa, alinhadas à Agenda 2030 da ONU, abrangendo vários ODS.
Dentre eles, o ODS 3 (Saúde e Bem-Estar) visa garantir uma vida saudável e promover o bem-estar para todos, em todas as faixas etárias, estimulando iniciativas que expandam o acesso à saúde, reforcem a prevenção de doenças e favoreçam ambientes mais humanizados e acolhedores.

Nesse cenário, sobressai o Projeto Florestinha, uma brinquedoteca vertical. Criado pelo hospital em colaboração com a cooperativa, é direcionado a crianças internadas, com foco especial naquelas com TEA.
Esse ambiente terapêutico foi projetado para promover o desenvolvimento psicossocial dos pacientes, oferecendo um espaço adaptado às suas necessidades. Os brinquedos educativos têm papel relevante no aprimoramento das habilidades motoras, cognitivas e de comunicação, além de garantirem diversão e conforto.
O Hifa ressalta: “Ao inserir a brinquedoteca no contexto hospitalar, o Projeto Florestinha não só favorece o desenvolvimento das crianças, mas também deixa o ambiente mais alegre e descontraído, proporcionando uma experiência mais positiva e acolhedora durante o tratamento”.
Caminho lúdico reduz o medo antes de cirurgias

Outra ação realizada pelo Hifa junto à Sicredi é o projeto “Um Caminho Melhor”, concebido para humanizar a vivência de crianças submetidas a cirurgias eletivas, já que a formalidade do ambiente hospitalar, com equipamentos cirúrgicos, pode despertar medo e insegurança.
Para atenuar essas emoções, o projeto proporciona um acolhimento afetuoso através de um trajeto lúdico pintado pelo artista Raí Bolzan. Também são empregados “bichinhos elétricos” que levam as crianças ao centro cirúrgico de maneira divertida e calma.
A iniciativa visa converter um instante de tensão em uma experiência mais suave, colaborando para o bem-estar dos pacientes e de seus familiares.
De acordo com Christian Lessa, diretor administrativo e financeiro do Grupo Hifa, os recursos do Fundo Social da cooperativa significam muito além de equipamentos e reformas.

Lessa afirma: “O suporte da Sicredi aos projetos do Hifa gera impacto real na vida dos pacientes do SUS. Esses recursos são fundamentais para proporcionar mais conforto, acolhimento e assegurar um atendimento cada vez mais humanizado. Investir nesses projetos é investir no bem-estar, na dignidade e na qualidade de vida de quem mais necessita. Somos imensamente gratos por essa parceria, que reforça nossa missão de cuidar com excelência e responsabilidade social”.
Fundo Social
O Fundo Social da Sicredi destina parte dos resultados financeiros anuais da cooperativa a projetos de entidades sem fins lucrativos que geram transformações nas comunidades onde atua.
Fernando Reichert Haas, diretor executivo da Sicredi União RS/ES, explica que a expectativa é que a iniciativa, em vigor desde 2018, atinja um público crescente.

Haas afirma: “Neste ano, estimamos R$ 3 milhões em investimentos. O Espírito Santo, de acordo com seu resultado, número de associados e agências, tem ampliado anualmente a quantidade de projetos e ações. São iniciativas com caráter social que nos permitem fazer a diferença, seja na educação, saúde, segurança pública ou esporte”.
Segundo dados da cooperativa, apenas em 2025, o Fundo Social destinou R$ 416.656,63 a iniciativas comunitárias em vários municípios capixabas.
Na região Sul, Cachoeiro de Itapemirim recebeu o maior montante, totalizando R$ 162.802,33.
Além do Hifa, o Fundo Social beneficiou o Hospital Evangélico de Cachoeiro de Itapemirim (HECI), que recebeu R$ 20.147,40 para adquirir tablets para pacientes em hemodiálise.
O Instituto Pró-Vitae Sul Capixaba de Atenção à Saúde e Assistência Social recebeu R$ 26.536,48 para comprar e instalar aparelhos de ar-condicionado em seus quartos.
Em Cachoeiro, a cooperativa também destinou R$ 10 mil à Associação de Desenvolvimento Comunitário Agrop para a compra de uma usina de energia solar.
A Diocese do município igualmente foi beneficiada, com R$ 10 mil utilizados na compra de materiais para a reforma de sua sede.
Fora esses, o Fundo Social atingiu várias cidades do Sul capixaba, como Castelo, que recebeu R$ 36.256,28 para projetos de fortalecimento comunitário.
Em Apiacá, R$ 24.329,25 beneficiaram projetos de desenvolvimento comunitário e qualidade de vida.
Em Alegre, o investimento de R$ 28.719,38 foi direcionado a ações de educação, saúde, bem-estar e fortalecimento de iniciativas sustentáveis.
Impacto do cooperativismo nas comunidades
Em 2025, o Fundo Social da Sicredi RS/ES apoiou 316 projetos em diversas áreas, com investimento superior a R$ 2,9 milhões.
Segundo os números da cooperativa, a educação liderou com 104 projetos e R$ 1,14 milhão. A cultura veio em seguida, com 81 projetos e mais de R$ 506 mil.
A saúde se destacou com 75 projetos e recursos superiores a R$ 881 mil.
No esporte, 25 projetos receberam R$ 162.149,15. Na segurança, 18 iniciativas dividiram R$ 115.605,93. Já 13 projetos ambientais receberam R$ 99.842,26.
No total, os recursos distribuídos somaram R$ 2.906.462,93.
Contribuição econômica do cooperativismo
Um estudo da Fipe em parceria com a OCB, publicado no Anuário do Cooperativismo Brasileiro 2023, indica que para cada R$ 1 investido ou gasto no cooperativismo, R$ 2,92 retornam à sociedade.

Sobreira explica: “Tudo o que o associado investe na cooperativa, ao aderir às nossas soluções financeiras, repercute na própria sociedade. Ou seja, onde há uma cooperativa de crédito, a sociedade como um todo avança e prospera”.
O gerente da agência Sicredi União ainda enfatiza que o retorno do cooperativismo de crédito não ocorre apenas pela responsabilidade social, mas também economicamente, gerando emprego e renda.
Ele afirma: “Quando a cooperativa se estabelece, o entorno se movimenta. Atualmente, no Espírito Santo, temos cerca de 280 colaboradores. A cooperativa como um todo, a Sicredi RS/ES, conta com aproximadamente 1.300 colaboradores”.
A contribuição do cooperativismo capixaba à economia é corroborada por dados do Sistema OCB/ES.

Os valores, referentes a 2024, foram divulgados no Anuário do Cooperativismo Capixaba.
Os dados mostram arrecadação de R$ 43,7 milhões em tributos municipais, R$ 253,6 milhões em estaduais e R$ 442,5 milhões em federais.






