1 de fevereiro de 2026
domingo, 1 de fevereiro de 2026

Sesa comemora redução contínua de gravidez na adolescência no Estado

Durante a Semana Nacional de Prevenção da Gravidez na Adolescência, de 1º a 7 de fevereiro, a Secretaria de Saúde (Sesa) destaca que o Espírito Santo mantém mais uma tendência positiva: a redução dos registros de gravidez entre adolescentes. Dados do Sistema de Informação sobre Nascidos Vivos (Sinasc) mostram que, em 2025, houve 4.650 partos de mães entre 10 e 19 anos. Esse número representa uma queda de 10,8% em relação a 2024, quando foram registrados 5.213 nascimentos.

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O estado tem implementado medidas por meio da Sesa e da Atenção Primária (APS) nos municípios, com resultados que garantem a contínua diminuição dos casos de gestação precoce. Esses avanços buscam conscientizar a sociedade sobre a importância de prevenir a gravidez na adolescência. No entanto, o tema ainda exige atenção, principalmente em áreas mais vulneráveis, onde os desafios são maiores.

Desafio para a saúde pública

Para o médico ginecologista e referência técnica da Saúde da Mulher na Rede Alyne da Sesa, Eduardo Pereira Soares, a gestação na adolescência representa um desafio significativo para a saúde pública. Por ocorrer em uma fase de profundas transformações físicas, emocionais e sociais, essa situação demanda atenção especial dos serviços de saúde e das políticas públicas.

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“A prevenção é crucial e depende principalmente do acesso à informação e ao cuidado. É vital manter um diálogo permanente sobre sexualidade, práticas sexuais seguras e métodos contraceptivos oferecidos pelo SUS, aliado ao engajamento familiar e à promoção de encontros coletivos. Isso fortalece a autonomia das jovens e reduz riscos. Nos casos em que a gravidez ocorre, o acolhimento adequado é fundamental, com inclusão precoce no pré-natal, incentivo ao acompanhamento e garantia de assistência qualificada ao parto e ao recém-nascido”, enfatiza o especialista.

Riscos clínicos e sociais

Do ponto de vista clínico, o fato de o organismo da adolescente ainda estar em formação aumenta o risco de complicações durante a gestação e o parto. Entre os principais perigos estão anemia, infecções, hipertensão gestacional, parto prematuro e bebês com baixo peso. Soma-se a isso a dificuldade em aderir ao pré-natal, muitas vezes iniciado tardiamente ou de forma irregular, o que prejudica o acompanhamento adequado da gravidez.

Além dos efeitos biológicos, a gestação precoce gera impactos consideráveis no plano social e emocional. A interrupção dos estudos, a limitação das perspectivas profissionais e a dependência financeira são consequências comuns, que ajudam a perpetuar condições de vulnerabilidade social. Esses fatores também repercutem na sociedade, aumentando a demanda por serviços de saúde, assistência social e educação.

As consequências atingem ainda a vida da criança, que pode enfrentar maiores riscos à saúde nos primeiros anos, assim como desafios no desenvolvimento emocional e social, especialmente quando a mãe não conta com uma rede de apoio consolidada.

“Diante dessa realidade, o combate à gravidez na adolescência requer a implementação de estratégias preventivas, como educação sexual de qualidade, ampliação do acesso a métodos contraceptivos e acolhimento dos adolescentes nos serviços de saúde. Essas medidas são essenciais para promover cuidado, orientação e proteção, colaborando para um futuro mais saudável para mães, filhos e toda a sociedade”, declara o médico.

Programa Saúde na Escola (PSE)

A expansão do acesso à informação e à orientação para o público jovem também conta com o apoio do Programa Saúde na Escola (PSE), uma política pública desenvolvida nos 78 municípios do Espírito Santo, alcançando 2.101 escolas da rede pública. A iniciativa é executada de forma integrada por profissionais da Atenção Primária à Saúde e da educação básica, com articulação entre as Secretarias de Estado da Saúde (Sesa) e da Educação (Sedu).

Entre suas estratégias, o PSE incorpora ações voltadas à saúde sexual e reprodutiva, focando na prevenção das Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST) e do HIV. O tema integra as 14 ações estruturantes do programa e está entre as cinco prioridades definidas para o ciclo 2025–2026.

Conforme dados públicos do Sistema de Informação em Saúde para a Atenção Básica (SISAB), o PSE no Espírito Santo registrou, em 2025, a realização de 1.226 atividades coletivas com o tema “Saúde sexual e reprodutiva”. Essas ações educativas contaram com a participação de 76.255 estudantes.

A referência técnica do PSE na Sesa, Josymara Siqueira Duque, ressalta a importância de abordar os direitos sexuais e reprodutivos no ambiente escolar, visto que as escolas são espaços privilegiados para o acesso a informações qualificadas. “Nesse contexto, elas se tornam ambientes estratégicos para ações educativas, com criação de espaços de escuta, acolhimento e respeito. As ações podem ajudar a desconstruir tabus, mitos e estigmas historicamente ligados à sexualidade, ao mesmo tempo que permitem a adolescentes e jovens fazer escolhas mais conscientes e vivenciar sua sexualidade de maneira plena, segura e responsável, reduzindo riscos como infecções por IST, exposição a situações de violência, coerção e discriminação, bem como a ocorrência de gestações não planejadas”, destacou Josymara.

Atenção Primária (APS)

As Unidades Básicas de Saúde (UBS) executam um conjunto organizado de ações voltadas à promoção, proteção e atenção integral à saúde sexual e reprodutiva, alinhadas às diretrizes do SUS. Essas ações incluem a oferta regular de medicamentos e insumos estratégicos para a prevenção e o tratamento das IST, como a sífilis, além da disponibilização de preservativos e métodos contraceptivos, garantindo acesso equitativo à população.

No campo da assistência diagnóstica, as UBS realizam exames laboratoriais e testes sorológicos para IST, fundamentais para o acompanhamento clínico, a identificação precoce e o monitoramento das condições de saúde. Esse cuidado é integrado ao atendimento médico e de enfermagem, que ocorre de forma individualizada, com orientações qualificadas sobre saúde sexual e reprodutiva, prevenção de agravos e redução dos riscos associados à gravidez na adolescência.

Também são desenvolvidas ações educativas e de promoção da saúde, por meio de atividades coletivas direcionadas a adolescentes, jovens, familiares e responsáveis, realizadas tanto nas unidades quanto em escolas e nos territórios. Quando identificadas situações de vulnerabilidade social ou necessidade de acompanhamento ampliado, as equipes de saúde realizam visitas domiciliares, fortalecendo o vínculo com as famílias e assegurando a continuidade do cuidado.

Entre as iniciativas das Unidades Básicas de Saúde destacam-se:

  • O acolhimento com inclusão precoce da gestante adolescente para assistência pré-natal, contando com equipe multiprofissional e o papel estratégico dos agentes comunitários de saúde.
  • A criação de mecanismos para incentivar a adesão ao acompanhamento pré-natal, bem como para garantir uma assistência adequada ao parto e ao nascimento.

A referência técnica em Saúde da Mulher da atenção primária da Sesa, Christiani Pontara Faé, reforça a importância dessas iniciativas. “A Atenção Primária à Saúde assume um papel estratégico, por ser a principal porta de entrada do SUS, responsável pelo desenvolvimento de ações educativas, acolhimento, aconselhamento e oferta de métodos contraceptivos. A incorporação do implante subdérmico contraceptivo liberador de etonogestrel (Implanon), novo método de longa duração no SUS, fortalece as ações de planejamento reprodutivo e contribui para a redução desses índices”, afirmou.

O implante subdérmico liberador de etonogestrel é considerado vantajoso devido à sua longa duração (age no organismo por até três anos) e alta eficácia. O método foi incorporado pelo Ministério da Saúde para implementação no SUS a fim de integrar as iniciativas de fortalecimento da saúde sexual e reprodutiva das mulheres, com foco na redução da gravidez não planejada e na promoção dos direitos sexuais e reprodutivos. O público elegível são adolescentes e mulheres de 14 a 49 anos.

Atualmente, o SUS disponibiliza os seguintes métodos contraceptivos:

  • Preservativos externo e interno
  • DIU de cobre
  • Anticoncepcional oral combinado
  • Pílula oral de progestagênio
  • Injetáveis hormonais mensal e trimestral
  • Laqueadura tubária bilateral e vasectomia

Entre esses, apenas os preservativos oferecem proteção contra Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs).

Dados de partos em crianças e adolescentes nos Hospitais Estaduais

No Hospital Estadual Dr. Jayme Santos Neves, em 2025, foram realizados 242 partos em crianças e adolescentes de 10 a 19 anos. Em 2026, de 1º a 23 de janeiro, foram 13 partos nessa faixa etária na unidade. No mesmo período em 2025, foram 7 partos.

O Hospital Infantil e Maternidade Alzir Bernardino Alves (Himaba) registrou 112 partos em crianças e adolescentes de 10 a 19 anos em 2025. Já em 2026, de 1º a 23 de janeiro, foram realizados 3 partos. No mesmo período em 2025, foram 6 partos no Himaba.

Dados no Espírito Santo

De acordo com o Sinasc no Espírito Santo, em 2020 foram registrados 6.842 partos de nascidos vivos de mães com idade entre 10 e 19 anos em todo o estado. Já em 2025, foram 4.650 partos de meninas nessa mesma faixa etária.

Ano do nascimentoTotal de nascidos vivos
20206.842
20216.508
20225.724
20235.568
20245.213
20254.650

Ações realizadas pelo Hospital Estadual Dr. Jayme Santos Neves

O Hospital Estadual Dr. Jayme Santos Neves desenvolve o projeto “Jayme Itinerante”, que promove educação e prevenção em saúde junto à comunidade. A iniciativa, conduzida pelo hospital, aborda temas como queimaduras, drogas, bullying, ISTs e tuberculose.

Durante a Semana Nacional de Prevenção da Gravidez na Adolescência, a unidade levará conhecimento preventivo sobre o assunto para além do ambiente hospitalar, por meio de seus profissionais.

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