A Organização Mundial da Saúde (OMS) emitiu um alerta urgente sobre o aumento de casos de cólera em escala global, classificando a situação como uma emergência que exige a intensificação da imunização para conter a propagação da doença.
Atualmente, 24 países relataram notificações de cólera, porém a ONU adverte que a doença pode se espalhar para outras 43 nações, colocando em risco cerca de 1 bilhão de pessoas.
O maior obstáculo enfrentado é o acesso à vacina. A Aliança Global de Vacinação (Gavi), parceira da OMS nessa área, já informou que a escassez de doses persistirá até 2050.
As movimentações populacionais afastam as pessoas de fontes seguras de alimentos, água e assistência médica, agravando ainda mais a situação.
A Gavi acredita que seja possível garantir a distribuição em larga escala de doses para vacinação preventiva até 2026, mas ressalta a necessidade de ação urgente por parte dos países.
A OMS estima que mais de 10 milhões de doses do imunizante foram utilizadas para combater surtos de cólera entre 2021 e 2022, superando a soma de doses aplicadas na década anterior.
Derrick Sim, diretor administrativo da Gavi para Mercados de Vacinas e Segurança de Saúde, destaca que, apesar do aumento nos surtos, há doses disponíveis para atender a toda a demanda de emergência. No entanto, ele enfatiza a importância de “prevenir surtos” e revitalizar os programas de prevenção por meio de esforços coletivos.
No ano passado, os casos e as mortes relacionados à cólera aumentaram com a disseminação da doença para nove novas regiões, especialmente aquelas afetadas por conflitos e com altos níveis de pobreza.
Diante desse cenário sombrio, a OMS expressou preocupação com as perspectivas de controle da doença a curto prazo.
Para enfrentar a situação, a OMS e seus parceiros temporariamente alteraram o regime de doses administradas para prevenção, reduzindo de duas para uma dose. No entanto, as reservas de vacinas se esgotaram em dezembro.
Até maio deste ano, 24 nações já haviam registrado casos de cólera, em comparação com os 15 países relatados até o final de 2022. Moçambique é um dos países que enfrenta um aumento de casos durante a década de mudança sazonal da doença.
Há o risco de retrocessos após os avanços alcançados no controle da cólera nas décadas anteriores. A pobreza, os conflitos, as mudanças climáticas e os deslocamentos populacionais contribuem para agravar a situação, afastando as pessoas de fontes confiáveis de alimentos, água e assistência médica.







