É difícil manter a imparcialidade quando o assunto é jogo brasileiro: existe apreço pela produção nacional, torcida pelo sucesso e atenção constante a cada novidade que surge. Obscurium despertou interesse pela proposta de reunir o folclore do Brasil, com suas histórias e seu misticismo, em um universo macabro e sombrio. O beta fechado do título da Wild Pepper Games, que tem página no Steam e lançamento previsto para 2027, deixou uma impressão otimista.
O duelo
Trata-se de um roguelike de cartas, e cada combate é um duelo entre o jogador e uma inteligência artificial. O jogador é uma alma perdida, e os primeiros rivais são outras almas iguais. Os dois lados começam com 10 pontos de vida, e vence quem zerar a vida do outro primeiro. As cartas têm valores de vida, ataque e custo; ao entrarem em combate, o ataque de uma desconta da vida da outra, uma lógica bem parecida com a de Hearthstone.
O que dá personalidade ao combate é o sacrifício. Para colocar uma carta na mesa, é preciso de pontos de sacrifício, e esses pontos vêm da entrega de outras cartas, tanto as que estão na mão quanto as que já ocupam o tabuleiro. O número de sacrifício impresso na carta funciona como custo para invocá-la e também como o valor recebido ao sacrificá-la. Cada decisão pesa, porque uma carta pode ser peça de ataque ou combustível para outra jogada.
Algumas cartas trazem efeitos próprios. A Bafo de Onça, bastante usada durante o teste, ataca três espaços aleatórios do lado inimigo, desde que haja um marcador de sacrifício guardado. Uma das cartas do Capelobo ganha um ponto de ataque no momento do golpe quando mira um espaço vazio, e depois perde esse bônus.

Escolhas e mais escolhas
Ao fim de cada combate, uma nova carta é escolhida para o baralho. Contra as almas, a escolha vem do baralho do adversário. Quando o jogador passa a enfrentar as criaturas do folclore, cada uma tem seu estilo de combate e seu conjunto de cartas, e é possível levar uma delas também. É um jeito simples de fazer o baralho crescer e de dar identidade a cada encontro.
O caminho entre as lutas é predeterminado, mas com escolhas. Em vez de partir para mais um combate contra uma alma errante, é possível parar no apostador de cartas: ele coloca três cartas na mesa e as embaralha, e uma delas pertence ao jogador. Se a carta for encontrada de volta, algo positivo acontece com ela, como mais dano. Se a escolha errar, ele fica com a carta. Outra opção é o Poço dos Desejos, onde uma carta é jogada e pode não voltar, voltar melhor, não mudar em nada ou até ser clonada. É uma parte bem aleatória, e funciona como um respiro de risco entre os combates e os chefões.

O visual é o maior destaque. Tudo é feito na xilogravura brasileira, no estilo de cordel, e é muito bem executado. Passa muito bem a vibe de terror, e ver as criaturas do folclore nesse traço foi o que mais chamou atenção.
Primeiras impressões positivas
Há pontos a ajustar, e o principal é o equilíbrio do combate. O jogador sempre começa na vantagem, porque a primeira jogada é sempre dele, sem um cara ou coroa, ou um pedra, papel e tesoura para decidir quem abre a partida. As cartas da mão também acabam muito rápido. Como é preciso sacrificar para invocar, o jogador fica dependendo de comprar cartas novas e precisa esperar duas ou três rodadas até ter marcadores de sacrifício para voltar a jogar. A equipe pretende melhorar isso, o que conta a favor, ainda mais em um beta. Outro ponto é a música: existe uma trilha, mas muitas vezes o jogo fica em silêncio, e é de imaginar que mais faixas entrem até o lançamento.

A sensação ao final é de que Obscurium está no caminho certo. A premissa é simples e lembra Hearthstone, mas é divertida e carrega a cultura brasileira com profundidade. A ideia e o visual agradam, mas ainda há bastante ajuste a ser feito aqui e ali. Se a Wild Pepper Games acertar esses pontos, o jogo tem tudo para virar mais um dos grandes destaques dos jogos brasileiros.
Confira o trailer:
Texto produzido com chave de beta fechado cedido pela Wild Pepper Games






