Entre as diversas maneiras de trazer um jogo antigo de volta aos holofotes, remakes e remasters costumam ser as apostas favoritas. Há também quem prefira relançar o título original com o máximo de fidelidade possível. É exatamente esse o caso de Senhor dos Anéis: Guerra no Norte – Edição Legado, que chega como uma nova oportunidade de vivenciar a experiência mais próxima da versão clássica. Escolha seu anel favorito, não se esqueça dos lembas e embarque conosco nessa jornada!
Uma jornada inesperada
Originalmente lançado em 2011, Guerra no Norte desembarcou como um RPG de ação no estilo hack and slash. Vale reforçar esse detalhe nos dias de hoje, quando a expressão “RPG de ação” quase sempre remete ao gênero soulslike. Sendo assim, não espere encontrar barra de fôlego ou a necessidade de refazer longos trechos das fases após uma derrota.
Apesar de ter seus méritos, o jogo não foi tão abraçado pela crítica e pelo público na época. Por isso, o anúncio de Senhor dos Anéis: Guerra no Norte – Edição Legado pegou muitos de surpresa, abrindo uma nova porta para os jogadores explorarem esse pedaço da Terra Média. Diante da popularidade e do potencial da franquia, é sempre bom ver novos títulos com essa temática chegando ao mercado.
Infelizmente, o lançamento faz jus ao termo “Legado”. Embora apresente melhorias na resolução e na taxa de quadros, o restante da produção ainda carrega aquele visual de geração passada. Modelos, animações e texturas são apenas razoáveis, por vezes pendendo para o lado negativo. Na prática, temos um port do original, distante do que seria uma remasterização mais caprichada.
Para a todos governar
Chegou a hora de falar sobre o ponto em que Senhor dos Anéis: Guerra no Norte – Edição Legado brilha como a Luz dos Eldar. A trama acompanha um recorte diferente da luta contra Sauron, algo que não foi mostrado nos filmes e aparece apenas superficialmente nos livros. Esse toque de ineditismo é excelente, assim como a qualidade da narrativa. O grande vilão aqui é Agandaûr, o braço direito do Senhor do Um Anel.
Os três protagonistas são personagens originais: Eradan, o guardião dúnedain; Farin, o guerreiro anão; e Andriel, a maga elfa. Os fãs podem ficar tranquilos, pois nomes consagrados como Aragorn, Gandalf e Frodo aparecem em determinados momentos. De certa forma, a história do game ora se entrelaça, ora caminha paralelamente ao enredo conhecido dos filmes e livros.
O mesmo vale para os cenários, que reúnem locais famosos como Bree e Valfenda, além de outros menos conhecidos, como a Floresta das Trevas e a Montanha Solitária. Os ambientes são relativamente simples, mas conseguem proporcionar uma imersão agradável. Quanto à “atuação” dos personagens, as expressões faciais são um tanto limitadas, porém os diálogos são muito bons e a dublagem cumpre bem o seu papel.
Não espere que os atores originais reprisem seus papéis; para usar um termo atual, não temos um Aragorn, mas um personagem “estilo” Aragorn. De todo modo, o conjunto funciona bem o suficiente para entreter o jogador ao longo de toda a campanha.
Um mago nunca se atrasa
Em termos de jogabilidade, Senhor dos Anéis: Guerra no Norte – Edição Legado é um RPG de ação relativamente básico. Há ataque rápido e forte, defesa, rolamento, ataque à distância e habilidades especiais. Essas últimas são desbloqueadas conforme os três personagens evoluem de nível, o que também concede pontos para aprimorar os atributos de Força, Destreza, Energia e Determinação.
Os combos são bem simples e as habilidades não são espetaculares a ponto de compensar essa limitação. Algumas mecânicas extras dão mais corpo aos confrontos, como enfraquecer os inimigos para executar um golpe finalizador e o Hero Mode, que aumenta o dano — assim como os pontos de experiência ganhos — enquanto você acerta os oponentes sem ser atingido.
Esses recursos são interessantes, mas evidenciam a idade do jogo. Como mencionado anteriormente, a produção é datada, o que resulta em animações estranhas. Há inimigos — como orcs, goblins e trolls — que podem ficar presos em partes do cenário, além de golpes que às vezes não conectam como deveriam ou fazem os oponentes atravessarem o ambiente. A única novidade de fato, no quesito jogabilidade, é a possibilidade de alternar entre os heróis a qualquer instante.
O Senhor dos Anéis: Guerra no Norte original não contava com esse recurso, restringindo o jogador a um único personagem por missão. A troca só era viável entre as fases, o que deixava a experiência ainda mais repetitiva (existem interações específicas para cada personagem dentro dos cenários). Teria sido interessante se a Edição Legado tivesse aplicado melhorias em outros pontos do lançamento.
Você não passará!
As missões do RPG de ação envolvem derrotar inimigos, proteger aliados e enfrentar chefes, além de objetivos secundários variados. Em alguns momentos, outros heróis se juntam ao grupo, e também há balestras para disparar contra os vilões, entre outras pequenas — porém bem-vindas — mudanças na jogabilidade. Baús secretos podem ser encontrados pelos cenários, assim como diversos equipamentos e itens.
O jogo oferece uma boa variedade de opções, incluindo armas de duas mãos ou de uma mão, sendo que essas últimas podem ser combinadas com escudos, anéis de poder (não tão poderosos quanto os anéis principais da história, mas ainda assim úteis), armaduras e muito mais. O processo de equipar e negociar itens pode se tornar um pouco cansativo, dada a grande quantidade de recursos disponíveis.
Um ponto bastante positivo é a localização completa dos textos para o português brasileiro. Considerando que os diálogos apresentam diversas opções de fala, isso ajuda a compreender melhor a boa história do jogo. Outro destaque vai para o modo cooperativo.
Seja online ou local — com a clássica tela dividida —, avançar pela Terra Média fica bem mais divertido na companhia de amigos. A inteligência artificial dos companheiros é bastante limitada, com apenas dois comandos: atacar ou defender. Isso reforça ainda mais a vantagem de jogar ao lado de colegas reais da Sociedade do Anel.
Meu precioso
Apesar dos pesares, Senhor dos Anéis: Guerra no Norte – Edição Legado é um bom RPG de ação. A história é sólida e a jogabilidade agradável, mesmo que se torne um pouco repetitiva com o passar do tempo. Em resumo, faltou um pouco mais de ousadia para que o jogo fosse uma recomendação certeira não apenas para os fãs da franquia, mas também para novos jogadores do gênero.
Prós
- RPG de ação apresenta uma experiência divertida, sobretudo para os fãs da franquia;
- Enredo faz bom uso de elementos trazidos dos filmes e livros, oferecendo uma aventura única;
- A jogabilidade é simples e competente, tornando fácil começar a curtir o game;
- Dublagem competente (em inglês) e localização em português trazem uma experiência satisfatória;
- Boa quantidade de missões principais e secundárias, bem como de cenários e chefes.
Contras
- Jogabilidade é limitada em termos de golpes e combos;
- Produção audiovisual e técnica mostra sua idade, prejudicando bastante cutscenes, texturas e várias animações.
Senhor dos Anéis: Guerra no Norte – Edição Legado — PC/PS5/XSX — Nota: 6.5
Versão utilizada para análise: PS5














