De início, a proposta de Denshattack! soa como uma ideia tão absurda que só poderia ter surgido na era dourada do PS2 ou em gerações anteriores, talvez em um bate-papo descontraído entre criadores com perspectivas distintas sobre mundo e arte.
Desenvolvido pelo estúdio Undercoders, o título aposta em uma combinação inusitada: transformar um trem-bala em um skate gigante, repleto de manobras. O resultado dessa fusão improvável entre Tony Hawk’s Pro Skater, Sonic e Jet Set Radio é uma das experiências de arcade mais empolgantes dos últimos anos.
Inovações de Denshattack!
A história de Denshattack! se passa em uma versão futurista e distópica do Japão, dominada por uma megacorporação gananciosa que impõe soluções nada amigáveis para os problemas urbanos. Com as linhas ferroviárias seladas sob cúpulas e disputadas por gangues rivais, você assume o controle de um trem para reconquistar os trilhos com velocidade, manobras e estilo. A trama assume abertamente o tom dos animes clássicos e das obras do estúdio Trigger, marcadas por humor exagerado, rivalidades caricatas e um espírito de rebeldia constante.
Em termos de jogabilidade, Denshattack! surpreende ao ir muito além da piada inicial. Fazer um trem dar um ollie, um flip ou deslizar por cabos de alta tensão exige precisão, timing e a combinação correta de botões. O sistema de manobras obriga o jogador a encadear pontuações sem repetir os mesmos movimentos para obter boas avaliações. E a mágica está aí: para realizar acrobacias avançadas e alcançar pontuações milionárias, o jogo chega a exigir comandos no estilo de jogos de luta, o que confere uma profundidade inesperada.
Enfrentar mechas imensos enquanto você salta entre trilhos a centenas de quilômetros por hora produz sequências de imenso apelo visual.
Cenários artesanais
O design das fases de Denshattack! é outro destaque. Em cenários feitos à mão, o jogo coloca você em trilhos que cruzam templos tradicionais, vulcões, rodas-gigantes e até cenários de teatro. As fases são curtas na medida certa para provocar aquela sensação de “só mais uma tentativa”, seja para reunir itens escondidos, cumprir metas opcionais ou alcançar a pontuação máxima.
Embora a variedade geral seja boa, algumas áreas dominadas pelas gangues reaproveitam estruturas visuais bastante parecidas, e é possível notar certa repetição temática ou na trilha sonora, mas nada que comprometa o estilo artístico escolhido.
Os confrontos contra chefes, por exemplo, são verdadeiros shows. Encarar fortalezas móveis e mechas colossais enquanto você salta entre trilhos a centenas de quilômetros por hora resulta em sequências de enorme apelo visual.
Conteúdo refinado
A diversidade de manobras e o exagero de certos embates mantêm o ritmo acelerado na maior parte do tempo. Em um cenário de tutoriais longos e mecânicas de aprendizado cansativas, Denshattack! compreendeu o que é diversão sem burocracia e mantém a campanha cativante até o fim.
Existe um excelente fator replay para quem gosta de caçar colecionáveis, desbloquear personalizações visuais para o trem e atingir pontuações elevadas. Em certos momentos, essas atividades são interrompidas por telas de diálogo estáticas, e talvez você perceba um certo ritmo irregular, já que a história não é o ponto mais forte dessa experiência.
Veredito
A experiência geral de Denshattack! é bastante recompensadora. A procura por ideias originais e abordagens inesperadas é mais forte no mercado independente do que em qualquer outro, e este título é uma prova concreta desse potencial criativo.
Há uma quantidade generosa de segredos espalhados pelo mapa, que recompensam generosamente quem explora cada canto desse Japão alternativo. Denshattack! demonstra que uma ideia aparentemente absurda, quando realizada com paixão e competência técnica, pode proporcionar algo essencial e muitas vezes negligenciado: diversão pura e simples.







