Em junho de 2023, ambos voltaram a se encontrar em um congresso científico em Nova York para ajustar as contas. Ao longo de 25 anos, o entendimento sobre o cérebro evoluiu: já existem tecnologias que conseguem observar sua atividade e identificar os circuitos ligados à percepção, à memória e às emoções.
E, evidentemente, a IA entrou em cena. Ainda assim, Chalmers venceu. Nem a aposta mais simples, a de encontrar a consciência no cérebro, se concretizou. Tampouco se conseguiu explicar como um aglomerado de células, moléculas e impulsos elétricos gera vivências como saudade, medo e paixão. Koch pagou o vinho e dobrou a aposta: mais 25 anos, até 2048. Chalmers topou.
Leituras sobre a consciência
Nos últimos meses, livros que tratam dessas questões sob diferentes prismas foram objeto de estudo. Três se sobressaem: “A World Appears”, de Michael Pollan, “Notes on Complexity”, de Neil Theise, e “A inteligência das aves”, de Jennifer Ackerman.
Ao conversar sobre essas leituras com a editora Fernanda Diamant, em um episódio do “Missão Saber”, ficou claro que uma questão maior conectava todas elas. Talvez a consciência seja tão difícil de explicar também por causa de quem formula a pergunta. A mente é medida com a régua de quem a investiga.
Durante séculos, imaginou-se que apenas o ser humano tinha consciência. Desde Descartes, os animais foram vistos como autômatos que, no máximo, possuíam “instintos”. Essas leituras derrubam com ênfase essa visão.
Michael Pollan demonstra em “A World Appears”, lançado em 2026, que as plantas possuem cerca de vinte formas de perceber o ambiente. Elas captam gravidade, umidade, luz, substâncias químicas, estímulos mecânicos e sinais elétricos.






