A inteligência artificial deixou de ser uma promessa distante e já integra o planejamento e as decisões em grandes projetos industriais.
O assunto foi discutido na segunda edição da Jornada da Engenharia, promovida pela Associação Brasileira de Engenharia Industrial (Abemi), em São Paulo. Os especialistas analisaram de que forma a tecnologia pode modificar o papel do engenheiro e quais competências humanas ganham importância crescente nesse contexto.
O encontro reuniu profissionais da área para debater os efeitos da inteligência artificial na engenharia industrial e os caminhos para capacitar os profissionais diante das transformações tecnológicas.
O engenheiro do futuro
Um dos principais pontos do debate foi o perfil exigido do engenheiro na era da inteligência artificial. Segundo André Fregolente, consultor executivo da Indústia da Octave, o profissional terá que desenvolver habilidades cognitivas, manter-se em aprendizado contínuo e saber aplicar a tecnologia nos processos de trabalho.
“Ele precisa aprender, não há alternativa, esse processo é irreversível. Mas também necessita saber usar em seus processos de trabalho atuais, caso contrário não haverá eficiência dentro da empresa”, afirmou Fregolente.
“E, ao mesmo tempo, deve se capacitar continuamente”, completou.
Guilherme Klein, gerente de Entrega de Serviços da Siemens, ressaltou que a maturidade tecnológica da IA já é suficiente para assumir responsabilidades industriais.
“Não restam dúvidas de que a tecnologia já alcançou um nível de maturidade suficiente para atuar nesse grau de responsabilidade, que é oferecer respostas para questões industriais”, declarou Klein.
Supervisão humana como fator essencial
Apesar do progresso tecnológico, os especialistas foram unânimes ao enfatizar que a supervisão humana permanece indispensável. A delegação de tarefas críticas à inteligência artificial exige camadas de segurança cada vez mais sofisticadas.
“Segurança é o ser humano. Não podemos confiar cegamente, 100%, em uma saída gerada apenas por uma máquina”, alertou Klein.
André Fregolente, por sua vez, demonstrou otimismo cauteloso: “Vejo um futuro extremamente promissor se tomarmos os devidos cuidados”.
A associação avalia, contudo, que o uso da inteligência artificial no Brasil ainda tem um longo percurso a percorrer no ambiente corporativo.
O presidente da Abemi, Nelson Romano, ilustrou o contraste entre o uso individual e o empresarial da tecnologia: “a questão levantada aqui, quando se perguntou quem usou inteligência artificial nesta semana, todos levantaram a mão. Se a mesma pergunta é feita para as empresas, a resposta é muito pequena”.
Para ele, “a inteligência artificial em nível empresarial ainda está avançando”, mas na engenharia conceitual a participação da IA tende a ser cada vez mais expressiva e crescente.







