Daniel Moreno-Gama foi detido ao tentar invadir a sede da empresa proprietária do ChatGPT, com a intenção de incendiá-la. Com ele, agentes federais encontraram documentos que continham críticas à inteligência artificial e um plano para assassinar altos executivos de grandes empresas de tecnologia — incluindo uma lista com seus endereços residenciais.
Ele foi formalmente acusado de crimes como tentativa de homicídio e incêndio doloso, podendo enfrentar uma pena que varia de 19 anos à prisão perpétua. A situação pode se agravar ainda mais: caso fique comprovado que ele pretendia influenciar políticas públicas ou coagir o governo, o jovem poderá ser indiciado por terrorismo doméstico.
Embora as ações de Daniel tenham chocado muitos, suas ideias já circulavam abertamente na internet. Antes de planejar atacar a residência de Sam Altman com um coquetel Molotov, ele havia escrito no Instagram e no Substack, ainda em 2024, que a IA representa um risco existencial, que os líderes das big techs carecem de valores morais e que o CEO da OpenAI é um “mentiroso patológico”.
Frustração enraizada na Geração Z
A frustração que seus pares da Geração Z sentem em relação à IA também possui bases concretas. Esse sentimento desarma de imediato quem atribui essa apreensão a um simples desconhecimento da tecnologia. Na verdade, ocorre o oposto. Muitos jovens recorrem a chats de IA para realizar compras, buscar conselhos amorosos e psicológicos ou para auxiliar nas tarefas escolares. Além de integrarem o grupo que mais utiliza essas ferramentas, eles compreendem seus benefícios, potenciais e mecanismos de funcionamento. A sensação de desesperança surge justamente por saberem demais aonde esse caminho pode levar.
Observo que as pessoas entre 18 e 24 anos estão mais apreensivas, e parte disso se deve a um pessimismo em relação ao seu futuro no mercado de trabalho. Qualquer relatório de consultoria sobre como a IA vai transformar o trabalho também conclui: ‘Puxa, não precisaremos mais de estagiário, de gente júnior’. E, ao consumir esse tipo de notícia, os jovens pensam: ‘Calma, mas o estagiário sou eu’. Enquanto os de 25 a 34 anos ou os de 35 a 44 anos recebem outra mensagem, ‘Puxa, não vou precisar mais de estagiário, vou fazer sozinho e economizar na empresa’.
Pedro Ramos, diretor-executivo do Reglab






