Um exame de sangue capaz de identificar sinais biológicos associados à doença de Alzheimer passou a ser oferecido no Brasil. O teste começou a ser feito em 15 de outubro no Hospital Moinhos de Vento, em Porto Alegre, e é o primeiro do tipo com registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). O registro foi concedido em agosto. Por enquanto, o exame está disponível apenas nesse centro, custa cerca de R$ 3 mil e é feito de forma particular, sem cobertura de planos de saúde.
O teste mede no sangue a proteína p-tau217, considerada um dos principais marcadores biológicos do Alzheimer. A presença dessa proteína está relacionada ao acúmulo de placas de beta-amiloide no cérebro, uma das alterações características da doença. Até então, a investigação desses sinais dependia principalmente da análise do líquor, obtido por punção lombar, ou de exames de imagem como o PET, procedimentos mais invasivos, caros e de acesso limitado.
O exame não é indicado para qualquer pessoa. Ele se destina a adultos acima dos 50 anos que já apresentam sintomas de comprometimento cognitivo, como falhas de memória, e que estão em investigação médica com suspeita de Alzheimer. A decisão de pedir o teste cabe ao especialista, depois da avaliação clínica e dos testes cognitivos. Pessoas sem sintomas, mesmo com histórico familiar da doença ou medo de desenvolvê-la, não devem fazer o exame como forma de rastreamento.
A confiabilidade é alta, mas não absoluta. Em estudos que compararam o exame de sangue com a análise do líquor em pacientes atendidos em serviços especializados, a concordância entre os dois métodos ficou entre 89% e 91%. A validação feita no próprio hospital gaúcho apresentou resultado ainda mais elevado, mas os dados brasileiros ainda não passaram por revisão científica independente. O teste pode trazer três tipos de resposta, positiva, negativa ou inconclusiva, e alguns fatores, como doença renal crônica e falhas na coleta, no processamento ou no armazenamento da amostra, podem interferir no resultado.
Especialistas ressaltam que um resultado positivo não confirma sozinho o diagnóstico de Alzheimer. O exame é uma peça a mais na investigação, que precisa ser interpretada junto com os sintomas, a avaliação neurológica e outros exames. Ainda assim, a novidade pode tornar o diagnóstico mais rápido e reduzir a necessidade de procedimentos invasivos em parte dos casos.
O acesso pela rede pública ainda não tem previsão. Para que um exame seja incorporado ao Sistema Único de Saúde (SUS), ele precisa ser avaliado pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec), e, até agora, não houve pedido de análise para esse teste.







