Tiradentes no Enem: como o tema aparece e o que estudar

Tiradentes nasceu em 1746, na Capitania de Minas Gerais, e teve uma trajetória marcada por diversas ocupações, como militar, minerador e dentista — origem de seu famoso apelido. Ficou conhecido por seu papel como articulador político e por seu envolvimento na Inconfidência Mineira.

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Durante o período colonial brasileiro no século XVIII, Portugal explorava intensamente o ouro da região de Minas Gerais, impondo altos tributos, como o Quinto, que correspondia a 20% sobre o metal extraído.

Com a queda na produção de ouro, a Coroa portuguesa intensificou a pressão fiscal, criando medidas como a Derrama, uma cobrança forçada de metas de arrecadação, e proibindo a instalação de manufaturas na colônia.

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Esse contexto gerou descontentamento, sobretudo entre as elites locais, que começaram a questionar o modelo colonial. Assim, um grupo formado por poetas, padres, comerciantes, militares e mineradores se organizou para contestar o domínio português e estabelecer uma República, no que viria a ser a Inconfidência Mineira.

Entretanto, o movimento não chegou a se concretizar. Antes de sua execução, foi denunciado por um dos participantes, o que levou à prisão dos conspiradores. Tiradentes foi o único condenado à morte, sendo executado em 21 de abril de 1792.

Inconfidência Mineira: o que o Enem mais cobra?

A Inconfidência Mineira foi um movimento organizado por membros da elite mineira, como intelectuais, militares e proprietários, que almejavam romper com o domínio português e instaurar uma república.

Para o professor Felipe da Costa Mello, do Colégio e Curso Pré-Vestibular Oficina do Estudante, a relevância de Tiradentes nas provas está diretamente ligada à maneira como sua imagem foi construída historicamente.

“As questões que se referem a Tiradentes geralmente resgatam a imagem de um líder que lutou pela proclamação da República e que acabou se tornando um mártir. Essa imagem de Tiradentes como um herói simples e humilde foi construída durante o período republicano”, explica Mello.

É importante destacar que o Enem costuma abordar não apenas o personagem histórico em si, mas também a construção simbólica em torno dele.

De acordo com o professor Felipe da Costa Mello, o foco das provas costuma ser bem específico: “as questões sobre a Inconfidência Mineira tratam, principalmente, das motivações, do contexto e da crise do sistema colonial”.

Além disso, ele ressalta: “os aspectos mais importantes da Inconfidência Mineira para serem estudados são, principalmente, entender o contexto de crise do sistema colonial, a crise do ciclo da mineração e compreender também que esse movimento sofreu influências do Iluminismo e da independência dos Estados Unidos”.

O professor também esclarece que a Inconfidência Mineira não foi um movimento popular, mas sim liderado por elites, um equívoco comum entre os estudantes.

Como estudar Tiradentes para o Enem?

Para fixar o conteúdo e aumentar as chances de acerto, algumas estratégias podem fazer diferença. O professor Mello traz algumas recomendações: produzir resumos, assistir a videoaulas e fazer mapas mentais.

Além disso, o especialista reforça que a resolução de questões também é fundamental na preparação. A prática com exercícios anteriores auxilia a identificar padrões de cobrança e a desenvolver a interpretação histórica, habilidade exigida no Enem.

Erros comuns ao estudar Tiradentes

Entre os principais equívocos cometidos por candidatos, um se destaca: confundir as influências da Inconfidência Mineira. “O erro bem comum que os alunos cometem é acreditar que há um movimento que tem a influência da Revolução Francesa”, relata Mello.

Segundo o professor, isso não procede: “a Inconfidência Mineira acontece antes da Revolução Francesa, e não é possível que as informações do que ocorreu na Revolução Francesa chegassem até Minas Gerais”.

Portanto, a influência correta a ser lembrada é a do Iluminismo e da independência dos Estados Unidos, e não da Revolução Francesa.

Questões do Enem e de vestibulares sobre Tiradentes

Após sua morte, Tiradentes passou por um processo de ressignificação histórica. Durante o período republicano, sua imagem foi reconstruída como símbolo da luta pela liberdade e da defesa da República.

Essa construção é frequentemente explorada em provas, especialmente em questões interpretativas com imagens, charges ou textos históricos.

“Ela é resgatada porque não havia um herói republicano que pudesse ser reconhecido pela população. Assim, Tiradentes é transformado em um herói simples, humilde, plebeu”, aponta o professor Mello.

Abaixo, veja alguns exemplos de questões sobre Tiradentes e sobre a Inconfidência Mineira:

UNESP/2017

A Inconfidência Mineira (1789) e a Conjuração Baiana (1798) tiveram semelhanças e diferenças significativas.

É correto afirmar que:

A) as duas revoltas tiveram como objetivo central a luta pelo fim da escravidão.

B) a revolta mineira teve caráter eminentemente popular e a baiana, aristocrático e burguês.

C) a revolta mineira propunha a independência brasileira e a baiana, a manutenção dos laços com Portugal.

D) as duas revoltas obtiveram vitórias militares no início, mas acabaram derrotadas.

E) as duas revoltas incorporaram e difundiram ideias e princípios iluministas.

Resposta: Alternativa E

UECE/2017

Leia atentamente o seguinte excerto:

O papel de herói da Inconfidência Mineira cabe ainda a Tiradentes porque ele foi o inconfidente que recebeu a pena maior: a morte na forca, uma vez que o próprio réu, durante a devassa, assumiu para si toda a culpa. Sabe-se, no entanto, que sua morte se deve também em grande parte à acusação dos demais inconfidentes, bem como a sua condição social: pertencente à camada média da sociedade mineira, sem importantes ligações de família, sem ilustração nem boas maneiras.

(Cândida Vilares Gancho & Vera Vilhena de Toledo. Inconfidência Mineira. São Paulo, Editora Ática, Série Princípios,1991. p.45)

Sobre a Inconfidência Mineira, ocorrida em Vila Rica no período da mineração aurífera, é correto afirmar que

A) representou o exemplo de revolta popular contra a dominação colonial portuguesa no Brasil, uma vez que, oriunda das camadas mais humildes de Minas Gerais, inclusive escravos, chegou a contagiar indivíduos pertencentes às mais altas posições sociais.

B) foi uma representação dos interesses de grupos da elite local, intelectuais, religiosos, militares e fazendeiros, em livrarem-se do controle e dos impostos cobrados pela coroa portuguesa na região, mas não havia consenso em relação à libertação dos escravos.

C) marcou o início do processo de independência do Brasil, baseado na luta armada do povo contra as forças leais a Portugal, e em defesa dos ideais liberais e republicanos, como o fim da escravidão, direito ao voto universal masculino e governo presidencialista.

D) apesar de bem sucedida, com a proclamação da independência de Minas Gerais, teve pouco impacto na história do Brasil, uma vez que seus objetivos extremamente populares não foram bem aceitos pelas elites econômicas de outras regiões da colônia.

Resposta: Alternativa B

ENEM/2017

O instituto popular, de acordo com o exame da razão, fez da figura do alferes Xavier o principal dos inconfidentes, e colocou os seus parceiros a meia ração de glória. Merecem, decerto, a nossa estima aqueles outros; eram patriotas. Mas o que se ofereceu a carregar com os pecadores de Israel, o que chorou de alegria quando viu comutada a pena de morte dos seus companheiros, pena que só ia ser executada nele, o enforcado, o esquartejado, o decapitado, esse tem de receber o prêmio na proporção do martírio, e ganhar por todos, visto que pagou por todos.

(ASSIS, M. Gazeta de Notícias, n. 114, 24 abr. 1892)

No processo de transição para a República, a narrativa machadiana sobre a Inconfidência Mineira associa:

A) redenção cristã e cultura cívica.

B) veneração aos santos e radicalismo militar.

C) apologia aos protestantes e culto ufanista.

D) tradição messiânica e tendência regionalista.

E) representação eclesiástica e dogmatismo ideológico.

Resposta: Alternativa A

UFU-MG/2016

Enfim, sabemos que a “história nacional” e a “cultura brasileira” não eram entidades naturais. E todo o esforço dos homens de letras foi o de transformar determinados valores, personagens, sentimentos e acontecimentos em tradições que deveriam por sua vez ser experimentadas e guardadas como entidade natural. Se essas tradições correspondiam ou não à verdade dos acontecimentos não importa, nem constitui uma questão, na medida em que elas não visavam a descrever uma realidade, mas sim conferir-lhe um sentido, bem como produzir a solidariedade social e viabilizar um projeto coletivo, de nação e de República.

(DANTAS, Carolina Vianna. Cultura história, República e o lugar dos descendentes de africanos na nação. In: ABREU, Martha; SOIHET, Rachel e GONTIJO, Rebeca (orgs.). Cultura política e leituras do passado: historiografia e ensino de história. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2007, p. 245 (Adaptado))

A transição para a República, no Brasil, também foi marcada por batalhas de memórias e pela criação e recriação de mitos políticos entre os grupos políticos que procuravam afirmar seu poder.

Esta dimensão simbólica pode ser ainda exemplificada:

A) pela forte expansão do positivismo que pode ser exemplificada pelo grande número de igrejas positivistas na cidade do Rio de Janeiro.

B) pela reabilitação de personagens importantes do período colonial que eram identificados com a causa republicana, como Tiradentes.

C) pelo esvaziamento das forças militares responsáveis pela Proclamação, cada vez mais vistas como retrógradas e incapazes de promover o republicanismo.

D) pelo afastamento ideológico em relação aos países do continente americano, os quais, com exceção dos Estados Unidos, eram vistos como repúblicas frágeis e atravessadas por conflitos internos.

Resposta: Alternativa B

ENEM/2010

Leia os textos abaixo:

TEXTO I

Para consolidar-se como governo, a República precisava eliminar as arestas, conciliar-se com o passado monarquista, incorporar distintas vertentes do republicanismo. Tiradentes não deveria ser visto como herói republicano radical, mas sim como herói cívico-religioso, como mártir, integrador, portador da imagem do povo inteiro.

(CARVALHO, J. M. C. A formação das almas: O imaginário da República no Brasil. São Paulo: Companhia das Letras, 1990)

TEXTO II

Ei-lo, o gigante da praça,/ O Cristo da multidão!
É Tiradentes quem passa / Deixem passar o Titão.

(ALVES, C. Gonzaga ou a revolução de Minas. In: CARVALHO. J. M.C. A formação das almas: O imaginário da República no Brasil. São Paulo: Companhia das Letras, 1990)

A 1ª República Brasileira, nos seus primórdios, precisava constituir uma figura heróica capaz de congregar diferenças e sustentar simbolicamente o novo regime. Optando pela figura de Tiradentes, deixou de lado figuras como Frei Caneca ou Bento Gonçalves.

A transformação do inconfidente em herói nacional evidencia que o esforço de construção de um simbolismo por parte da República estava relacionado:

A) ao caráter nacionalista e republicano da Inconfidência, evidenciado nas ideias e na atuação de Tiradentes.

B) à identificação da Conjuração Mineira como o movimento precursor do positivismo brasileiro.

C) ao fato de a proclamação da República ter sido um movimento de poucas raízes populares, que precisava de legitimação.

D) à semelhança física entre Tiradentes e Jesus, que proporcionaria, a um povo católico como o brasileiro, uma fácil identificação.

E) ao fato de Frei Caneca e Bento Gonçalves terem liderado movimentos separatistas no Nordeste e no Sul do país.

Resposta: Alternativa C

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