Plantas no quintal podem atrair escorpiões para sua família

Nenhuma planta atua como repelente natural contra escorpiões. O perigo real está em espécies que criam microambientes úmidos, escuros e cheios de frestas, condições ideais para esses aracnídeos se abrigarem durante o dia. Bromélias, palmeiras que acumulam folhas secas e trepadeiras muito densas estão entre as vegetações que mais oferecem refúgio para escorpiões urbanos.

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Ter um jardim exuberante em casa é motivo de orgulho, mas algumas escolhas de plantio podem transformar canteiros e vasos em esconderijos ideais para esses animais. Ao contrário do que muita gente pensa, não existe planta capaz de repelir escorpiões. O risco está exatamente no oposto, já que certas espécies oferecem as condições perfeitas de umidade, sombra e abrigo que os escorpiões urbanos procuram.

As bromélias lideram a lista de risco. Sua forma em roseta cria um copo natural que retém água da chuva e da irrigação, formando um ambiente constantemente úmido. Entre as folhas sobrepostas surgem fendas escuras e protegidas do vento, exatamente o tipo de esconderijo que o escorpião-amarelo procura para passar o dia antes de sair à noite para caçar insetos. Palmeiras que acumulam folhas secas no caule, como a palmeira-imperial e a palmeira-real, também merecem atenção redobrada, já que a saia de folhas mortas sob a copa conserva umidade e cria várias camadas de abrigo. Trepadeiras muito densas, como unha-de-gato e hera, quando cobrem muros e paredes sem poda periódica, formam uma massa verde compacta que bloqueia a luz solar direta e mantém a umidade alta, um cenário propício para a instalação desses animais.

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Segundo especialistas em controle de pragas urbanas, o que atrai o escorpião não é a planta em si, mas as condições ambientais que ela proporciona. Três fatores são decisivos, a umidade permanente retida em rosetas, pratos de vasos e folhas em decomposição, a escuridão criada por plantas muito compactas ou com folhagem espessa, que impedem a entrada de luz solar, e as fendas formadas por folhas secas empilhadas, cascas soltas e bainhas foliares, que imitam o habitat natural do escorpião entre rochas e troncos.

Não é necessário remover essas plantas do paisagismo. A prevenção está na manutenção regular e em pequenas adaptações que reduzem bastante a chance de escorpiões se instalarem. Para as bromélias, recomenda-se lavar a roseta central com jato de água uma vez por semana, renovando a água acumulada e eliminando possíveis esconderijos. Em áreas com maior ocorrência desses animais, alguns paisagistas sugerem cultivar bromélias em vasos suspensos, longe do solo. As palmeiras precisam ter as folhas secas retiradas com regularidade, mantendo o caule limpo, enquanto as trepadeiras exigem poda de arejamento a cada dois ou três meses, abrindo espaço para a entrada de luz solar direta.

Não existem evidências científicas que sustentem a ideia de plantas repelentes de escorpiões. Segundo especialistas consultados pelo UOL, nenhuma vegetação funciona como barreira química ou física contra esses aracnídeos, e crenças populares que apontam lavanda, citronela ou alecrim como repelentes não têm respaldo em pesquisas entomológicas. O que a ciência do controle de pragas recomenda é o manejo ambiental, eliminando as condições que favorecem a presença do escorpião, o que inclui cuidar das plantas que acumulam umidade e matéria orgânica, além de vedar frestas em muros, paredes e ralos, medidas comprovadamente mais eficazes do que confiar em supostas soluções milagrosas.

A primavera e o verão são as épocas mais críticas, já que o calor e a umidade aceleram tanto a reprodução dos escorpiões quanto a decomposição de matéria orgânica nas plantas. Entre outubro e março, a limpeza das rosetas de bromélias deve ser semanal, e a remoção de folhas secas das palmeiras, mensal. Nos meses mais frios, essa frequência pode cair pela metade, mas a poda de arejamento das trepadeiras deve continuar a cada dois ou três meses durante todo o ano, para evitar que a vegetação se feche a ponto de bloquear a luz solar. Pequenas ações, como lavar as bromélias, remover folhas secas das palmeiras e desbastar as trepadeiras do muro, já ajudam a deixar o jardim mais seguro, arejado e com muito menos chances de abrigar visitantes indesejados.

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Marcos Paulo Bastos

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