A vitória de Lorenzo Pazolini (Republicanos) ao Governo do Espírito Santo já provoca outra disputa de poder nos bastidores da política capixaba: a sucessão de Marcelo Santos (União Brasil) na presidência da Assembleia Legislativa (Ales). Eleito deputado federal, Marcelo deixará o comando da Casa, e seu substituto será escolhido em 1º de fevereiro de 2027, na posse dos 30 deputados estaduais. Entre os nomes cogitados para presidir o Legislativo no biênio 2027–2028 está Pablo Muribeca (Republicanos), deputado reeleito pela Serra e aliado desde o início do governador eleito e do presidente estadual do partido, Erick Musso.
A possível candidatura de Muribeca chama atenção justamente pela proximidade com os dois principais nomes do Republicanos no Espírito Santo. Pazolini chega ao Palácio Anchieta depois de vencer a disputa pelo Governo do Estado, enquanto Erick Musso, ex-presidente da própria Assembleia e um dos principais articuladores políticos do governador eleito, tem influência nas negociações para a formação do novo governo e na relação com o Legislativo.
O nome de Pablo Muribeca ganhou espaço nas conversas sobre a sucessão da Assembleia Legislativa por causa da proximidade com o governador eleito e com Erick Musso. A possibilidade também passou a ser analisada pela imprensa capixaba. Até o momento, não há confirmação de que Muribeca esteja articulando uma candidatura à presidência da Ales.
A aliança política entre Muribeca, Pazolini e Erick Musso vem de longa data. Em 2024, os dois apoiaram a candidatura de Muribeca à Prefeitura da Serra. Já nas eleições de 2026, o deputado atuou de forma intensa nas campanhas de Pazolini ao Governo do Estado, de Musso à Câmara Federal e de Evair de Melo (Republicanos) ao Senado, que terminou eleito. Essa relação política ajuda a explicar por que Muribeca aparece entre os nomes cotados para presidir a Assembleia Legislativa.
Diante dessas especulações e da relação política de Muribeca com os principais nomes do Republicanos, a Coluna Chico Prego, do Serra Noticiário, procurou diretamente o deputado para esclarecer se existe, de sua parte, a intenção de disputar a presidência da Assembleia Legislativa.
Na resposta exclusiva à coluna, Muribeca evitou confirmar qualquer pretensão ao cargo. O parlamentar afirmou que continua um “soldado” de Lorenzo Pazolini e Erick Musso, colocando-se à disposição das decisões políticas do grupo.
A declaração não confirma uma candidatura, nem representa uma desistência. Ao condicionar seus próximos passos às decisões de Pazolini e Musso, Muribeca mantém em aberto a possibilidade de participar das articulações pela futura Mesa Diretora.
No Republicanos, Erick Musso terá papel relevante nessas conversas. Ex-presidente da Assembleia por três biênios, ele conhece o funcionamento do Legislativo e as negociações necessárias para construir uma maioria parlamentar.
A influência de Musso também ganhou dimensão institucional depois da eleição. Pazolini o escolheu para coordenar a equipe de transição do Governo do Estado, colocando seu principal articulador político no centro da preparação da próxima administração. O dirigente ainda é citado nos bastidores como possível integrante do futuro secretariado, especialmente em uma função ligada à articulação política.
Não se trata, portanto, apenas de escolher um nome para substituir Marcelo Santos. O novo governador precisará estabelecer uma relação com uma Assembleia renovada, formada por deputados de diferentes partidos, inclusive de legendas que apoiaram Ricardo Ferraço (MDB) na disputa pelo Palácio Anchieta.
E há um detalhe importante: embora tenha elegido o governador, o Republicanos terá apenas dois deputados estaduais na próxima legislatura, Pablo Muribeca e Davi Esmael. Isso significa que qualquer projeto para assumir a presidência dependerá de acordos que ultrapassem as fronteiras partidárias.
Danilo, Vandinho e Xambinho também estão no jogo
O nome de Muribeca não circula sozinho nas discussões sobre a sucessão de Marcelo Santos.
Um dos deputados mencionados é Delegado Danilo Bahiense (PL), reeleito para o terceiro mandato. Seu partido chegará à próxima legislatura com seis deputados, a maior bancada da Assembleia, o que lhe dá peso nas negociações. Danilo também acumula experiência na condução de sessões, tendo substituído Marcelo Santos em ocasiões nas quais o presidente precisou se ausentar.
Outro parlamentar observado é Vandinho Leite (MDB), reeleito com 41.670 votos. Experiente nas articulações internas, Vandinho já tentou chegar à presidência da Assembleia em outras oportunidades. O fato de pertencer ao MDB, partido de Ricardo Ferraço, não impede necessariamente uma composição com o futuro governo, embora qualquer aproximação dependa de entendimentos ainda não definidos.
Também aparece nas conversas o deputado Alexandre Xambinho (Podemos), outro parlamentar com raízes políticas na Serra. Reeleito com 28.205 votos, Xambinho integra uma legenda que terá quatro cadeiras na próxima composição da Casa e é apontado como nome que pode participar das negociações pela Mesa Diretora.
Há ainda outras possibilidades sendo discutidas no ambiente político, como Mazinho dos Anjos (MDB) e Dary Pagung (PSB). Até o momento, porém, não há consenso público nem definição sobre uma chapa para comandar a Assembleia.
A multiplicidade de nomes demonstra que a presidência não será decidida simplesmente pela proximidade com o governador eleito. Pazolini e Erick Musso poderão exercer influência política nas articulações, mas a escolha caberá aos 30 deputados estaduais que integrarão a próxima legislatura.
O que uma eventual presidência de Muribeca representaria para a Serra?
A presença do nome de Pablo Muribeca nessa discussão acrescenta um componente particularmente interessante à política serrana.
Muribeca foi derrotado por Weverson Meireles na eleição para prefeito em 2024, mas conseguiu se reeleger deputado estadual em 2026 com 34.251 votos, sendo 29.308 somente na Serra, onde foi o candidato mais votado para a Assembleia Legislativa.
Sua trajetória recente mostra que, embora não tenha conquistado a Prefeitura, mantém uma base eleitoral expressiva no município e uma aliança consolidada com o grupo que agora assumirá o Governo do Estado.
Caso venha a disputar e conquistar a presidência da Ales, Muribeca passaria a ocupar uma posição institucional de destaque no Espírito Santo, com participação direta na organização dos trabalhos legislativos e nas relações entre a Assembleia e os demais poderes.
Isso produziria um cenário político diferente na Serra. De um lado, Weverson Meireles, aliado do ex-prefeito Sérgio Vidigal (PDT), permanece no comando da Prefeitura. Do outro, Pablo Muribeca, adversário do atual prefeito nas urnas de 2024, poderia assumir a presidência do Legislativo estadual enquanto seu aliado Lorenzo Pazolini estivesse à frente do Palácio Anchieta.
Entretanto, esse desenho ainda é uma hipótese. A própria perspectiva de Muribeca voltar a disputar a Prefeitura da Serra em 2028 também aparece nas avaliações sobre seu futuro político. Uma eventual passagem pela presidência da Assembleia precisaria ser considerada dentro desse planejamento, caso exista a intenção de retornar à disputa municipal.
Por isso, a resposta dada pelo deputado ao Chico Prego merece atenção. Ao deixar seu futuro político à disposição de Pazolini e Erick Musso, Muribeca sinalizou alinhamento ao grupo, sem assumir publicamente um projeto individual para comandar a Ales.
Para a Serra, o desfecho terá significado especial. O município já tem no governador eleito um aliado de Pablo Muribeca, além de parlamentares reeleitos e de novos deputados com bases eleitorais locais. Uma eventual presidência da Ales acrescentaria mais um elemento a essa configuração.
Por enquanto, a cadeira mais importante do Legislativo capixaba continua sem sucessor definido. Mas uma coisa já está clara: a disputa pela presidência da Assembleia entrou na agenda política do novo governo, e a Serra está presente nas articulações.







