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O presidente da Assembleia liberou seu grupo político e a base do União Brasil para se posicionarem como quiserem no 2º turno. Em reunião com apoiadores na última sexta (9), reclamou de Casagrande e Euclério. E mediou o apoio da nacional do União a Pazolini.

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O presidente da Assembleia Legislativa do Espírito Santo, Marcelo Santos, deixou de vez o palanque governista. Com uma mão, soltou a do governador Ricardo Ferraço (MDB); com a outra, soltou a do ex-governador Renato Casagrande (PSB). Conforme apurado, Marcelo entende que já cumpriu sua parte e que não mantém mais nenhum compromisso político com os dois no segundo turno da eleição estadual.

Presidente estadual do União Brasil, Marcelo não se manifestou até o momento sobre o segundo turno entre Ricardo e Pazolini. Também não pretende dar qualquer declaração a respeito do tema até a conclusão do processo, no próximo dia 25. Mas é fato: foi ele quem articulou, junto ao presidente nacional do União, Antônio de Rueda, o anúncio de apoio da direção nacional do partido a Pazolini – contra Ricardo Ferraço, ainda que o União integre a coligação do emedebista no Espírito Santo.

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O anúncio veio no último fim de semana. Tratou-se de uma maneira de terceirizar para a instância nacional a guinada em direção a Pazolini, isentando-se de responsabilização direta, enquanto “mergulha” durante o segundo turno.

Antes disso, em um gesto carregado de significados, Marcelo e Josias da Vitória tomaram café da manhã com Pazolini e se deixaram fotografar ao lado dele, na última sexta-feira (9). Em movimento evidentemente calculado, a foto foi publicada pelo adversário de Ricardo nas redes sociais.

Da Vitória é o presidente estadual do PP, a outra perna da Federação União Progressista. Ele e Marcelo são os dois líderes estaduais da federação que está na coligação governista. Um café com sabor de infidelidade.

Tem mais. Ainda na sexta-feira, Marcelo reuniu dezenas de aliados e apoiadores em um cerimonial de Bento Ferreira, em Vitória, para fazer um balanço da campanha na qual ele próprio foi candidato a deputado federal e conseguiu se eleger, com 82.365 votos (o 6º mais votado para o cargo no Espírito Santo).

Compareceu bastante gente do União, incluindo dirigentes municipais, mas também pessoas de outros partidos politicamente ligadas a Marcelo. Segundo três participantes, nessa reunião a portas fechadas, Marcelo…

  • Externou grande insatisfação com Casagrande e com o prefeito de Cariacica, Euclério Sampaio (MDB). Citou os dois pelo nome. O presidente da Assembleia acredita ter sido desidratado e prejudicado em sua própria campanha por “movimentos bruscos”, em redutos dele, realizados por Euclério em favor de Messias Donato (União) e por Casagrande em benefício de Emanuela Pedroso (PSB), também candidatos a deputado federal.
  • Informou que, no que lhe diz respeito, o acordo político-eleitoral com Casagrande e Ricardo está cumprido e encerrado. Ele deu todo o apoio a Ricardo no primeiro turno, mas, no seu entendimento, o acordo venceu no dia 4. Não previa apoio no segundo turno.
  • Abriu a palavra e ouviu dirigentes municipais do União, que em sua grande maioria manifestaram preferência pela ideia de apoiar Pazolini no segundo turno.
  • Liberou a militância e os representantes do partido nos municípios para se posicionarem agora conforme a consciência de cada um.

Resumindo: Marcelo liberou seu grupo político.

“Ele liberou a base do União. Disse que, agora no segundo turno, os capixabas vão fazer o que entenderem ser melhor para eles. E que agora ele vai se dedicar à casa e à família dele”, relata um interlocutor de Marcelo.

O que Casagrande e Euclério têm a ver?

No caso de Euclério, um interlocutor de Marcelo fala em ajuda que não veio, na forma de cabos eleitorais pedidos por ele, mas que foram direcionados para Messias Donato. Marcelo esperava obter pelo menos 20 mil votos em Cariacica, seu reduto original; em vez disso, recebeu apenas 14.894.

Já no caso de Casagrande, há referências a gestões pessoais do governador (telefonemas etc.) junto a prefeitos que já tinham compromisso de exclusividade com Marcelo, para que estes dividissem suas tropas e ajudassem também Manu, em vez de concentrá-las no presidente da Assembleia.

Noves fora, a votação de Marcelo não foi ruim, mas ficou aquém do esperado por ele mesmo e por sua equipe de campanha. A meta estabelecida era de pelo menos 100 mil votos, sendo 50 mil na Grande Vitória, 30 mil no Sul e Caparaó e 20 mil no Norte. E a expectativa era a de que ele fosse o candidato mais votado da chapa da Federação União Progressista.

Na verdade, com 82,3 mil votos, ele foi o terceiro mais votado da própria chapa, atrás do surpreendente Bruno Resende (100.675) e de Da Vitória (107.466). Entrou na terceira vaga da federação, única chapa que fez três federais no Estado, e por muito pouco não ficou de fora: com mais votos no total, a chapa do PL só não abocanhou essa terceira vaga porque Neucimar Fraga, o terceiro mais votado do PL, ficou longe do número mínimo de votos para poder se eleger nas sobras.

Marcelo atribui a Casagrande e a Euclério sua votação abaixo da expectativa. Na reunião com apoiadores, na última sexta-feira, ele citou os dois nominalmente. Só não chamou pelo nome os respectivos protegidos, Emanuela e Messias Donato – que teriam sido favorecidos em prejuízo dele –, porque o próprio Messias, também filiado ao União, estava no encontro. Mas todos entenderam assim.

A resposta do lado governista

Não foi possível falar diretamente com Euclério e com Casagrande. Entretanto, um interlocutor do ex-governador expôs a visão corrente no grupo político liderado por ele:

A leitura é a de que a debandada de Marcelo não passa de traição pura e simples; que ele está apenas sendo oportunista e buscando se reacomodar politicamente no lado que agora avalia ter mais chances de vencer; e que atribuir sua mudança de lado neste momento a uma suposta insatisfação com procedimentos de Euclério e Casagrande na campanha não passa de uma “desculpa esfarrapada”.

Por essa visão, para começo de conversa, como é que Marcelo poderia ter a coragem de alegar que Casagrande dificultou sua eleição para a Câmara dos Deputados, se foi o próprio Casagrande quem o elegeu para a presidência da Assembleia, com sua força política, em fevereiro de 2023? “Não tem nada mais estratégico do que essa posição para se eleger deputado federal”, diz um auxiliar do ex-governador.

De fato, é preciso convir que Marcelo se valeu sem parcimônia da sua posição na Assembleia para fins de projeção política nos últimos quatro anos.

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