A Assembleia Legislativa do Espírito Santo reduziu seu ritmo de forma definitiva. O último evento no plenário foi uma sessão ordinária no formato híbrido, no dia 15. Na quinta-feira seguinte, os deputados se reuniram novamente, mas de forma exclusivamente virtual. Não se trata de recesso no meio do ano. A casa legislativa, comandada por Marcelo Santos, do União Brasil, informou que segue funcionando plenamente, mas que, por conta das obras de modernização do Palácio Domingos Martins, as atividades presenciais ocorrem de forma pontual, conforme a disponibilidade técnica e as condições de segurança do Plenário Dirceu Cardoso, que está em reforma. Nesse período, o legislativo recorre ao sistema digital sempre que necessário.
Ainda assim, o funcionamento em ritmo reduzido não é novidade. As ausências de deputados são frequentes desde o ano passado, impulsionadas pela antecipação das articulações eleitorais no estado. Diversas sessões, com pouca presença, são encerradas rapidamente, muitas vezes em menos de uma hora. Em maio, foi aprovada uma resolução de Marcelo Santos que endurecia as penalidades para faltas, mas o efeito prático foi limitado, e o próprio presidente da casa tem se ausentado com frequência. Alguns deputados fogem desse padrão, mas essa segue sendo a realidade predominante, mesmo com as atividades da Ales não se limitando às sessões em plenário, palco em que os projetos são votados e onde os debates mais relevantes deveriam ocorrer.
De forma geral, as propostas de interesse do Executivo estadual costumam ser aprovadas em regime de urgência, o que deixa pouco espaço para estudo e discussão. Foi o caso, por exemplo, da cessão de um terreno em Aracruz para a instalação da montadora GWM. Situação parecida ocorreu no fim de 2023, quando foram aprovadas mudanças no processo de licenciamento ambiental do estado, batizadas por movimentos sociais de PL da Destruição Ambiental.
Uma proposição relevante, porém, segue sem votação, o Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias, enviado à Assembleia no dia 29 de abril pelo governador Ricardo Ferraço, do MDB. O texto prevê receitas primárias de R$ 29,7 bilhões para 2027, alta de 4,56% sobre a estimativa de 2026, de R$ 28,4 bilhões, enquanto as despesas primárias projetadas somam R$ 31,40 bilhões, 0,13% abaixo do valor previsto para 2026. O documento também destaca que o Espírito Santo teve crescimento de 3,9% do PIB em 2025, acima da previsão de 2% contida na LDO daquele ano. Em ano eleitoral, adiar essa votação pode representar uma estratégia do parlamento para ampliar sua margem de negociação com o Executivo em torno de emendas.
Na Câmara de Vereadores de Vitória, o presidente Anderson Goggi, do Republicanos, chegou perto de encerrar a sessão desta terça-feira antes da Ordem do Dia por falta de quórum, mas os vereadores acabaram comparecendo. Ainda assim, os trabalhos terminaram mais cedo, já que ninguém se inscreveu para discursar. O legislativo municipal teve duas sessões suspensas na semana passada em meio à crise gerada pelo pedido de cassação do mandato do vereador Professor Jocelino, do PT, movido pela administração da prefeita Cris Samorini, do PP. Na segunda-feira, a LDO de Vitória foi finalmente aprovada, após entendimento entre os parlamentares. As sessões na Câmara da capital têm sido mais movimentadas do que as da Ales, tanto para o bem quanto para o mal, e a expectativa é de que esse cenário mude ainda mais com o avanço do processo eleitoral.
Como sinal desse novo clima entre a Câmara e a prefeitura, vereadores da base governista cobraram de Cris Samorini providências sobre a Guarda Civil Municipal. Anderson Goggi pediu o envio de um projeto de lei que inclua as escalas dos guardas no cálculo da remuneração mensal, pauta também levantada por Davi Esmael, do Republicanos. A demanda parte do Sindicato dos Servidores das Guardas Municipais e Agentes de Trânsito do Espírito Santo, e a prefeita já havia se comprometido a atendê-la durante sua primeira prestação de contas à frente do Executivo municipal.
No cenário estadual, Marcelo Santos e o deputado federal Da Vitória, do PP, principais lideranças da federação União Progressista no Espírito Santo, se reuniram na segunda-feira com o deputado federal Evair de Melo, do Republicanos, que apoia o pré-candidato a governador Lorenzo Pazolini, também do Republicanos. No mesmo dia, a convenção da UP, inicialmente marcada para o próximo sábado, foi remarcada para 5 de agosto, prazo final das convenções partidárias, movimento visto como reflexo de desentendimentos internos na frente governista. Os prefeitos de Cariacica, Euclério Sampaio, do MDB, e de Barra de São Francisco, Enivaldo dos Anjos, do PSB, articulam a indicação de Sérgio Vidigal, do PDT, para vice na chapa de Ricardo Ferraço, enquanto a UP afirma ter porte suficiente para garantir essa vaga para si.
Evair de Melo, por sua vez, também parece ter motivos para se ressentir da frente de oposição. O deputado, que participou das articulações da pré-candidatura de Pazolini desde o início, teve sua influência reduzida após a consolidação do acordo entre o PL e o Republicanos. Evair pretende concorrer ao Senado, mas o PL já tem Maguinha Malta como pré-candidata, e Magno Malta não quer que ninguém dentro da aliança dispute votos com a filha.
Marcelo Santos, presidente da Ales e pré-candidato a deputado federal, aproveitou uma pausa em meio às articulações para publicar um vídeo nas redes sociais na segunda-feira, no qual afirmou que o Brasil não tem apenas um problema político, mas um problema de critério. A partir daí, criticou os chamados políticos influenciadores e defendeu que o deputado precisa ser preparado para exercer a função. Não ficou claro se a declaração era dirigida a alguém específico.







