Literatura sem barreiras: Pesquisadora Isabella Baltazar é convidada do podcast Elas EScrevem para discutir acessibilidade, mercado editorial e representatividade na literatura
Tem gente que diz que livro é fuga. Outros dizem que é encontro. Mas e quando parte do público nem consegue entrar na história? Pois é… a literatura brasileira ainda tem páginas em branco quando o assunto é acessibilidade. E é justamente esse capítulo que ganha voz nesta segunda-feira, em um episódio especial do podcast Elas EScrevem.
Transmitido pelo canal Feijão com Maionese no YouTube, o programa recebe a pesquisadora Isabella Baltazar para um bate-papo sobre literatura inclusiva voltada a Pessoas com Deficiência (PCDs). A transmissão acontece ao vivo, às 20h, com apresentação das escritoras Kátia Fialho e Carla Guerson.
A discussão parte de uma provocação simples, mas incômoda: quem está de fora da literatura? Segundo Isabella, a questão vai além da adaptação de formatos como braille ou audiobooks. Trata-se também de representatividade e autoria.
“A literatura para PCDs nomeia existências. Mas é preciso que essas pessoas também estejam escrevendo suas próprias narrativas”, afirma.
O debate encontra respaldo em análises de políticas públicas. O atual Plano Nacional do Livro e Leitura, por exemplo, ainda carece de dados específicos sobre leitores com deficiência. Já pesquisas como a Retratos da Leitura no Brasil não aprofundam esse recorte. Resultado? Como resume Isabella: “sem diagnóstico, temos intenção, não política”.
Traduzindo sem juridiquês: é como tentar dirigir no escuro… sem farol e sem GPS.
Doutora em Letras e crítica literária, Isabella Baltazar traz uma relação afetiva com a literatura desde a infância, marcada pelas histórias contadas pela avó. Hoje, ela é idealizadora da Festa Literária Internacional Capixaba, que em sua primeira edição reuniu cerca de 12 mil pessoas, consolidando-se como um dos principais eventos literários do estado.
Além disso, atua à frente do projeto Letra Preta, voltado à criação e gestão de iniciativas culturais. Sua fala no podcast promete cruzar teoria e prática, algo raro e necessário num cenário onde muita gente opina… mas nem todo mundo executa.
O podcast também levanta outra pauta urgente: a sub-representação feminina na literatura. Para Isabella, iniciativas como o Elas EScrevem são fundamentais para criar redes de apoio entre escritoras.
“A divulgação qualificada ainda é a forma mais eficaz de sobrevivência de uma literatura fora do eixo dominante”, destaca.
A fala dialoga com estudos de organizações como a UNESCO, que apontam a diversidade cultural como elemento essencial para o desenvolvimento social e democrático. Ou seja, quando mais vozes entram na roda, a história fica melhor contada.
Com financiamento da Lei Aldir Blanc de Cariacica, o Elas EScrevem segue ampliando debates relevantes no cenário cultural capixaba. E não para por aí: os próximos episódios vão abordar mercado editorial, artes visuais e literatura como direito humano.
Se toda história merece ser contada… quem ainda está esperando a vez de falar? Talvez a resposta comece nesta segunda, às 20h. E dessa vez, sem legenda oculta na vida real.
Serviço
Evento: Podcast Elas EScrevem (episódio com Isabella Baltazar)
Data: 06 de abril de 2026 (segunda-feira)
Horário: 20h
Local: Canal Feijão com Maionese no YouTube
Classificação: Livre





