O cantor e compositor Nando Reis revelou que já enfrentou perda de shows e contratos por causa de seus posicionamentos políticos públicos. A declaração foi dada durante entrevista ao programa “Desculpa Alguma Coisa”, do Canal UOL, em bate-papo com a escritora e apresentadora Tati Bernardi.
Segundo o artista, a escolha de comentar temas políticos em seus canais e apresentações provocou reações que foram além das redes sociais e afetaram diretamente sua trajetória profissional. Nando contou que chegou a sentir necessidade de se posicionar diante da própria indignação, até perceber que esse tipo de reação era completamente inútil, e decidiu parar de falar sobre política.
O músico relatou que, ao responder ataques e críticas, acabou alimentando debates marcados por hostilidade e discursos de ódio. Ele reconheceu que sua própria postura impulsiva diante de acusações e ofensas contribuiu para o desgaste, chegando a reagir e falar coisas no palco das quais hoje se arrepende, admitindo que se prejudicou bastante por causa disso. Segundo o artista, as consequências não ficaram restritas ao ambiente digital, já que ele afirma ter perdido oportunidades profissionais depois de se manifestar publicamente sobre questões políticas.
Apesar disso, Nando Reis destacou acreditar na convivência entre pessoas com opiniões divergentes, e criticou o que chamou de intolerância no debate público. Para ele, é possível compreender pensamentos distintos, mas não a tendência de tentar oprimir, calar ou impor uma visão sobre a outra.
Durante a entrevista, o cantor recordou um encontro com um fã que tinha posicionamentos políticos diferentes dos seus. Segundo ele, o admirador se apresentou como eleitor de outro espectro político, mas disse acompanhar sua carreira desde os tempos da banda Titãs, e pediu um abraço. Para Nando, o episódio representou um momento de alívio em meio ao clima de polarização que vinha enfrentando, já que foi reconfortante encontrar alguém que pensa diferente sem ser tratado como inimigo, o que resultou em um abraço entre os dois.
O músico afirmou ainda defender a liberdade de pensamento, reforçando que não faz militância nem busca convencer outras pessoas a aderirem às suas ideias. Ainda assim, deixou claro que não aceita atitudes agressivas ou ofensivas, dizendo que só está disposto a se aproximar de quem também está disposto a se aproximar, e não de quem prefere atacar e caluniar.







