Petróleo supera US$ 106 com ataques no Oriente Médio e dúvidas sobre trégua

Os preços do petróleo voltaram a subir nesta segunda-feira, 12, atingindo o patamar mais alto em quase duas semanas, em meio ao agravamento das tensões no Oriente Médio e a novas ameaças ao transporte marítimo de combustíveis.

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O barril do Brent, referência global da commodity, registrava alta de aproximadamente 2%, cotado a US$ 106, ao passo que o West Texas Intermediate (WTI), referência utilizada nos Estados Unidos, avançava na mesma proporção, alcançando US$ 93,69.

Esse movimento de alta se deu apesar da perspectiva de maior oferta de diesel russo no mercado internacional e do anúncio do presidente americano, Donald Trump, sobre uma possível trégua entre Rússia e Ucrânia voltada a interromper ataques contra instalações de energia.

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No entanto, a continuidade dos confrontos e os riscos para o abastecimento no Oriente Médio voltaram a dominar as negociações.

Entre os principais fatores de pressão esteve o ataque ao aeroporto internacional de Riad, capital da Arábia Saudita. Os rebeldes houthis, alinhados ao Irã, assumiram a autoria da ofensiva ocorrida no sábado, que resultou em 13 mortos e mais de 300 feridos. Novos ataques foram registrados no domingo.

Além disso, cresceu a preocupação com a segurança da navegação no Estreito de Ormuz, rota estratégica para o comércio mundial de petróleo.

De acordo com informações da organização britânica de monitoramento marítimo UK Maritime Trade Operations, um petroleiro foi atingido por um drone nas proximidades de Sohar, em Omã, e outro sofreu danos ao atravessar o estreito.

Esses incidentes ameaçam interromper a recuperação das exportações de petróleo do Oriente Médio observada em setembro.

Quando os investidores avaliam uma possível redução da oferta ou aumento do custo de transporte, os contratos futuros tendem a incorporar um prêmio de risco geopolítico, o que eleva as cotações mesmo sem uma queda imediata da produção.

Trégua energética perde credibilidade

O mercado também acompanha os desdobramentos da iniciativa de Trump para interromper os ataques russos e ucranianos contra instalações energéticas.

O presidente americano anunciou, no domingo, que os dois países haviam concordado com uma trégua desse tipo, mas Kiev afirmou, nesta segunda-feira, que a Rússia continuou atingindo alvos de energia.

O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, acusou Moscou de violar o entendimento após os ataques contra instalações energéticas no país. O Kremlin, por sua vez, não confirmou a existência de um acordo nos termos apresentados por Trump.

A perspectiva de interrupção dos ataques havia contribuído para reduzir os preços no início do pregão, diante da expectativa de menor risco para a infraestrutura e de maior disponibilidade de combustíveis.

Com as novas informações sobre os confrontos, parte dessa queda foi revertida.

A iniciativa americana também está relacionada à tentativa de ampliar a oferta de diesel e conter os preços dos combustíveis, uma preocupação política nos Estados Unidos às vésperas das eleições legislativas de novembro.

Diesel russo pode ter efeito limitado

Na sexta-feira, Trump afirmou que a Rússia forneceria imediatamente mais de 300 mil toneladas de diesel, o equivalente a cerca de 2,25 milhões de barris, para os mercados americano e internacional. O presidente disse ainda que volumes adicionais seriam disponibilizados posteriormente.

A expectativa de maior oferta pressionou os contratos de diesel no início da sessão.

Os futuros do gasóleo negociados na Europa, referência para o mercado de destilados, chegaram a recuar, mas o movimento não foi suficiente para compensar os riscos associados ao petróleo bruto.

Analistas ouvidos pela Reuters ponderam que o efeito da iniciativa pode ser limitado.

A capacidade de refino russa foi reduzida por danos à infraestrutura, enquanto a liberação de estoques e volumes adicionais tende a ocorrer de forma gradual.

Moscou também flexibilizou parcialmente a proibição de exportações de diesel. Segundo estimativas citadas pela Reuters, a medida pode permitir a entrada de aproximadamente 500 mil toneladas, ou 3,7 milhões de barris, no mercado internacional.

Esse volume equivale a cerca de um dia do consumo americano do combustível, o que ajuda a dimensionar o alcance da iniciativa.

O resultado para os preços dependerá da quantidade efetivamente exportada, da velocidade das entregas e da evolução dos conflitos.

A ampliação da oferta de diesel pode aliviar o mercado de combustíveis, mas não elimina o risco de interrupções no fornecimento de petróleo bruto.

Risco geopolítico eleva projeções

A escalada das tensões levou o Goldman Sachs a elevar de US$ 85 para US$ 90 a projeção para o preço do Brent em dezembro. O banco estima que o risco geopolítico esteja acrescentando pouco mais de US$ 20 por barril às cotações.

A diferença entre as referências também chama a atenção. O WTI americano está relativamente mais barato que o Brent, em parte por causa dos custos elevados de transporte entre os Estados Unidos e a Europa.

O banco projeta que o WTI tenha média de US$ 81 por barril em dezembro de 2026 e de US$ 73 em 2027.

Outro fator que pode afetar a oferta é o furacão Isaias, que atingiu a região do Golfo do México no sábado. Grandes companhias de energia, como Shell, Chevron e BP, trabalham para realocar equipes e restabelecer a produção em plataformas afetadas.

A combinação de conflitos no Oriente Médio, incertezas sobre a trégua na Ucrânia e problemas operacionais nos Estados Unidos mantém o mercado sensível a novas interrupções de oferta.

Para os consumidores, uma alta persistente do petróleo pode encarecer combustíveis e transportes, além de pressionar os custos de produção e a inflação em diferentes economias.

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