Durante seu pronunciamento na Assembleia Geral da ONU neste sábado (26), a China se opôs aos Estados Unidos (EUA) e declarou que a soberania das nações do Golfo precisa ser respeitada. O país também solicitou que os EUA deixem de ameaçar Cuba e suspendam o embargo imposto à ilha.
O vice-presidente Han Zheng não citou os Estados Unidos pelo nome em sua fala. Os norte-americanos iniciaram uma ofensiva contra Cuba que vem bloqueando, em grande medida, o abastecimento de petróleo à ilha. O conflito com o Irã teve início com ataques realizados em conjunto por EUA e Israel em fevereiro.
As declarações contrastam de forma marcante com a atmosfera cordial exibida no começo da semana na Casa Branca, quando o presidente Donald Trump prestou homenagens ao líder chinês, Xi Jinping, com desfiles aéreos militares e um sofisticado jantar de Estado.
“As principais potências precisam assumir responsabilidades especiais pela proteção da paz e da segurança internacionais, liderando o cumprimento das normas, a defesa do Estado de Direito e a prática do que é correto”, declarou Han.
“A China sustenta que a soberania e a segurança dos países do Oriente Médio, inclusive do Golfo, devem ser respeitadas.”
Trump advertiu Xi a não conceder apoio ao Irã nas negociações em Washington e, segundo o embaixador dos EUA na China, recebeu garantias de que os chineses não o fariam, conforme declarado na sexta-feira (25).
O alerta surge depois de informações de que Pequim teria fornecido ao Irã lançadores portáteis de mísseis de defesa aérea e de que Teerã teria descoberto formas de driblar as sanções sobre a venda de petróleo com auxílio chinês.
Bloqueio a Cuba
Sobre Cuba, Han afirmou que a China pede ao governo norte-americano que interrompa imediatamente o uso da ameaça de força contra o país e suspenda, de imediato e por completo, o bloqueio e as sanções.
No início deste mês, a rede elétrica cubana sofreu colapso total, deixando o país às escuras e milhões de pessoas sem energia elétrica, enquanto os EUA mantêm o embargo.
Horas mais tarde, no plenário da ONU, o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, ecoou as declarações chinesas e exortou Washington a encerrar o cerco a Cuba e a remover as restrições comerciais à maior ilha do Caribe.
Lavrov também declarou que os EUA deveriam retirar Cuba da relação de países que patrocinam o terrorismo.
O sistema de geração de energia de Cuba, já envelhecido, vem enfrentando forte estresse há anos por causa da falta de combustível e da infraestrutura deficiente. O bloqueio ao petróleo imposto pelos EUA, iniciado em janeiro, agravou as quedas de energia e provocou colapsos frequentes na rede elétrica.
Han ainda aproveitou a ocasião para apresentar a China como um parceiro confiável no cenário internacional e uma defensora firme dos países em desenvolvimento.
“A China sustenta que todas as nações, grandes ou pequenas, são membros iguais da comunidade internacional e que as questões mundiais devem ser resolvidas por todos, mediante consultas”, afirmou Han.







