Durante a 11ª Reunião Anual do Novo Banco de Desenvolvimento (NBD), sediada em Moscou, a tokenização ganhou destaque como um dos eixos principais dos debates. O encontro, que teve como tema central “Financiamento do desenvolvimento em uma era de revolução tecnológica”, buscou apresentar alternativas criativas para um ambiente global marcado por instabilidade e tensões geopolíticas que impactam a economia mundial.
Em entrevista concedida durante o evento, Laura Ludovico, diretora de Projetos e Pesquisas do BRICS+ Tech Fórum, destacou que a tokenização pode se revelar um instrumento relevante para que nações encontrem substitutos ao dólar e se resguardem contra sanções econômicas. Com formação em direito internacional e estudos humanitários, Ludovico contextualizou o papel da digitalização das transações financeiras internacionais, defendendo que esse movimento não apenas eleva a eficiência dos pagamentos, mas também consolida a autonomia econômica dos países participantes.
No cenário presente, no qual as sanções são frequentemente empregadas como mecanismos de pressão econômica, a tokenização é encarada como uma abordagem fundamental para ampliar a capacidade de resistência dos Estados. A especialista enfatizou que a aptidão de uma nação em enfrentar bloqueios externos revela-se crucial, e que a digitalização das economias pode atuar como uma barreira de proteção diante desses riscos. “Uma nação que detém soberania digital plena consegue administrar melhor sanções”, declarou, evidenciando a relevância de estar preparado para situações inesperadas.
Adicionalmente, o NBD pretende acelerar a implantação do BRICS Pay, uma plataforma desenhada para simplificar transações comerciais com moedas locais. Tal estratégia mostra-se especialmente importante para países do Sul Global, que, em muitos casos, carecem da infraestrutura financeira necessária para atuar em um sistema dominado por potências consolidadas. Nesse contexto, a tokenização poderia igualmente criar oportunidades para um novo modelo de cooperação e avanço econômico entre os integrantes do BRICS.
Ludovico ressaltou, ainda, o papel expressivo da China no apoio a essas ações digitais, colaborando com países que almejam modernizar suas economias. “Caso o BRICS queira estabelecer uma nova ordem global, precisa incluir nações que não dispõem de estrutura financeira adequada”, acrescentou.
Em resumo, a tokenização não configura apenas um avanço tecnológico, mas também uma transformação de paradigma na maneira como os países do Sul Global podem se relacionar em um cenário econômico renovado. A resistência a sanções e a procura por trajetórias autônomas constituem, dessa forma, metas fundamentais que orientam os debates entre as nações parceiras.







