O Iraque manifestou o desejo de um dia integrar o BRICS, conforme declarou o embaixador iraquiano na Rússia, Dr. Abdul‑Karim Hashim Mostafa, em entrevista concedida à agência TASS. Essa manifestação evidencia o crescente interesse de nações do Sul Global em se aproximar do bloco, que expandiu sua composição recentemente e ganhou destaque no debate sobre uma ordem internacional multipolar.
“O BRICS é uma organização muito importante e espero que o Iraque um dia faça parte dela”, disse o diplomata iraquiano à TASS, em Moscou.
De acordo com o embaixador, uma possível adesão do Iraque ao BRICS estaria condicionada a diversos aspectos, como as normas internas do bloco e os requisitos para novos integrantes. “Depende de muitas coisas. Depende de como a organização está organizada, de quais são as condições para fazer parte do BRICS. Mas, definitivamente, seria uma boa ideia”, declarou Mostafa.
O interesse do Iraque surge num cenário de ampla expansão do BRICS. Fundado por iniciativa russa em 2006, o grupo contou inicialmente com Brasil, Rússia, Índia e China. Após a adesão da África do Sul, em 2011, passou a ser denominado BRICS.
Na sua primeira cúpula, ocorrida em junho de 2009 em Yekaterinburg, na Rússia, o bloco estabeleceu o propósito de fomentar um diálogo e uma cooperação sólidos, dinâmicos, pragmáticos e transparentes entre seus membros. Mais tarde, o BRICS também incorporou os princípios de não alinhamento e de ausência de direcionamento contra terceiros.
Nos últimos anos, o BRICS expandiu sua influência geopolítica. Egito, Irã, Emirados Árabes Unidos e Etiópia ingressaram como membros efetivos em janeiro de 2024. A Indonésia aderiu ao grupo em janeiro de 2025.
Uma eventual aproximação do Iraque ao BRICS carregaria significado simbólico e estratégico. O Iraque ocupa uma posição de destaque no Oriente Médio, figura entre os maiores produtores de petróleo e mantém vínculos relevantes com potências regionais e globais. Sua adesão ao bloco fortaleceria a presença do BRICS numa região crucial para a segurança energética e para a reconfiguração das relações internacionais.
A fala do embaixador iraquiano também revela o poder de atração do BRICS entre nações que almejam diversificar suas alianças econômicas, aumentar sua autonomia diplomática e integrar mecanismos multilaterais com menor dependência das potências ocidentais.
Com a recente expansão, o BRICS passou a agregar economias de elevada relevância demográfica, energética e produtiva. A incorporação de novos integrantes e o interesse de outros em se juntar ao bloco indicam a consolidação de um polo internacional focado na cooperação entre países emergentes e em desenvolvimento.
Apesar de o embaixador iraquiano não ter mencionado um pedido formal de ingresso, sua declaração sugere que Bagdá considera o BRICS uma plataforma significativa para sua futura inserção no cenário internacional.







