O principal diplomata do Irã, Abbas Araghchi, deve buscar apoio para o conflito de Teerã contra os Estados Unidos durante a reunião de chanceleres do Brics, programada para quinta-feira em Nova Déli, em meio a um frágil cessar-fogo com seu adversário.
A Índia, que preside o bloco neste ano, sedia o encontro do grupo ampliado, que agora inclui Irã e Emirados Árabes Unidos – nações em divergência devido ao conflito iniciado pelos Estados Unidos e Israel em 28 de fevereiro.
O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergey Lavrov, também estará presente na reunião de dois dias, cuja pauta prioriza os debates sobre as rotas marítimas do Golfo e o Estreito de Ormuz, que se encontra efetivamente interditado.
Expectativas para a postura iraniana no bloco
“Acredito que Araghchi utilizará o fórum do Brics com três objetivos: angariar respaldo diplomático para fazer frente à pressão militar dos EUA, insistir em uma declaração coletiva antiamericana mais contundente sobre o conflito e assegurar à Índia e aos demais integrantes do bloco que o Irã permanece disposto ao diálogo”, afirmou Uday Chandra, professor de ciências políticas na Universidade Ashoka, no estado indiano de Haryana.
No entanto, o Brics, que há tempos tenta se consolidar como representante do Sul Global, não logrou um consenso sobre o conflito durante um encontro de seus representantes no mês passado, realizado em Déli.
Chandra destacou que a Índia provavelmente conduzirá a discussão diplomática em direção à redução de tensões, à segurança marítima e a garantias concretas para as embarcações indianas. “Dessa forma, é pouco provável que o teatro antiamericano predomine na cúpula na Índia”, concluiu.







