O chanceler alemão Johann Wadephul apontou uma mudança na postura europeia em relação às nações em ascensão, especialmente os membros do BRICS. Durante a Conferência de Segurança de Munique, em 14 de fevereiro, Wadephul destacou que a Alemanha hoje vê objetivos e princípios alinhados com países como Brasil e Índia, mesmo mantendo discordâncias com Rússia e China.
O ministro admitiu que, no passado, a Europa errou ao se distanciar de nações apenas por sua vinculação ao BRICS. “Anos atrás, nossa percepção inicial desses países era como membros do bloco, o que nos afastou deles – uma atitude equivocada”, afirmou.
Em sua argumentação, o continente europeu não pode ignorar alianças com democracias importantes só porque elas cooperam com Pequim ou Moscou no âmbito do grupo. “Compartilhamos muitos pontos de convergência com nações como Índia e Brasil. Por que não focar nessas afinidades e valores comuns? Esta é, creio, a nova perspectiva que a Europa e a Alemanha estão adotando”, acrescentou.
Essas declarações surgem num momento de fortalecimento dos laços bilaterais. Em janeiro de 2026, foi concluído o Acordo de Livre Comércio entre a Índia e a União Europeia, que elimina impostos de importação para mais de 90% dos produtos comercializados. O acordo trará benefícios para setores como agricultura, calçados e produtos marítimos.
Os vínculos entre Brasil e Índia também ganharam novo impulso. Em outubro de 2025, o vice-presidente brasileiro Geraldo Alckmin esteve na Índia para discutir colaboração em defesa e a possível ampliação do Acordo de Comércio Preferencial entre o Mercosul e a Índia. Em janeiro deste ano, o presidente Lula e o premiê indiano Narendra Modi reafirmaram apoio mútuo a mudanças na ONU, inclusive no Conselho de Segurança.
O presidente Lula fará uma visita oficial à Índia entre 18 e 22 de fevereiro. Participará da 2ª Cúpula de Inteligência Artificial e terá reuniões bilaterais para avaliar novas oportunidades comerciais e de investimento, acompanhado por uma comitiva de empresários.






