A estiagem tem transformado a vegetação de Vitória da Conquista em verdadeiro combustível para o fogo, elevando consideravelmente o número de incêndios na cidade. Somente na sexta-feira (4), as chamas foram registradas nos bairros Espírito Santo e Petrópolis. Já no sábado (5), novas ocorrências mobilizaram equipes nos bairros Nossa Senhora Aparecida e Bruno Bacelar. O cenário acende um alerta para os perigos da combinação entre altas temperaturas, baixa umidade relativa do ar e ventos fortes, fatores que aceleram a propagação das chamas.
A gravidade da situação foi sentida na prática pelos brigadistas na tarde do último sábado (5). A Brigada de Incêndio da Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semma) precisou se desdobrar em diferentes frentes para impedir que o vento espalhasse ainda mais o fogo.
No bairro Bruno Bacelar, o combate às chamas exigiu o trabalho de três brigadistas por mais de duas horas, com o incêndio controlado somente às 16h. No mesmo horário, a equipe conseguiu debelar um foco de grandes proporções no bairro Nossa Senhora Aparecida.
Os episódios deste começo de setembro reforçam uma temporada que já se anunciava rigorosa. Conforme relatório divulgado pela Semma, agosto de 2026 terminou com números alarmantes: 32 incêndios debelados e 169 focos de calor contabilizados em diversas localidades do município.
O fogo não poupou nem mesmo áreas de expressiva relevância ecológica. O levantamento da Semma indica que as chamas atingiram a Serra do Periperi, a Reserva do Poço Escuro e a Lagoa das Flores, além de regiões da Zona Rural, loteamentos e terrenos baldios. O documento também evidencia o combate a incêndios de grandes dimensões no bairro Candeias logo no início da temporada, o que reforça a seriedade do momento.
Impactos na saúde e no meio ambiente
A missão central da Brigada de Incêndio Florestal é agir preventivamente para resguardar a fauna e a flora do município, severamente atingidas pela destruição acelerada de seus habitats. Porém, a fumaça tóxica conduzida pelos ventos até as regiões urbanas provoca um agravante igualmente sério: o dano direto à saúde respiratória da população. O controle rápido dos focos tem sido essencial para reduzir esses efeitos nocivos sobre os moradores.
Estrutura de enfrentamento
Para lidar com esse período crítico, a Brigada de Incêndio opera atualmente com um efetivo de 7 brigadistas. Com prioridade para as zonas de preservação e vegetação arbórea, o grupo também presta apoio ao Corpo de Bombeiros em ocorrências urbanas.
Visando agilizar a contenção das chamas e impedir que o tempo seco e os ventos ampliem a quantidade de focos, a equipe conta com o reforço estratégico de caminhões-pipa da própria Semma, além de uma viatura especializada adquirida em 2024.
Embora o foco imediato seja o enfrentamento ao fogo, o relatório ressalta que a atuação da brigada é permanente e acompanha as diferentes variações climáticas. Nos períodos chuvosos, por exemplo, o time também responde a emergências, realizando a remoção de árvores caídas ocasionadas por tempestades, ventanias e descargas elétricas.









