O adoecimento mental no trabalho tem acendido um sinal de alerta no ambiente corporativo. Em 2025, a Previdência Social concedeu 546.254 benefícios por incapacidade temporária relacionados a transtornos mentais e comportamentais, um número 15,66% maior que os 472.328 registrados em 2024, conforme o Ministério da Previdência Social. Esse cenário amplia a preocupação com a saúde emocional dos trabalhadores e coloca em discussão o papel da liderança dentro das organizações.
No Espírito Santo, foram 8.607 benefícios desse tipo em 2025, o 14º maior volume entre os estados e o Distrito Federal.
Burnout e capacitação de gestores
A Organização Mundial da Saúde (OMS) define o burnout como consequência de um estresse crônico no ambiente profissional que não foi administrado de forma adequada. Por isso, a entidade recomenda que as empresas invistam na capacitação de gestores, pois líderes bem preparados são essenciais para identificar sinais de sofrimento psíquico, melhorar o diálogo interno e reduzir fatores de risco na rotina corporativa.
O papel da liderança no desgaste das equipes
Na avaliação do empresário e mentor de líderes Márcio André Silva, o problema ultrapassa a carga excessiva de tarefas. De acordo com ele, a maneira como a liderança conduz a equipe pode ser decisiva para o agravamento do quadro emocional dos colaboradores.
“Existe uma visão comum de que o esgotamento está relacionado apenas ao volume de trabalho, mas a realidade mostra que a falta de comunicação, a insegurança e a ausência de preparo dos gestores têm impacto direto no desgaste das equipes”, afirma Silva.
Ele ressalta que falhas em aspectos básicos da gestão contribuem para um ambiente de tensão constante. Segundo o mentor, líderes despreparados costumam falhar em pontos centrais, como comunicação objetiva, definição de prioridades, condução de conflitos e tomada de decisão sob pressão.
“Quando o líder não sabe conduzir, a equipe trabalha em estado constante de tensão. Isso compromete o desempenho, corrói a confiança e pode levar ao esgotamento”, pontua.
Outro ponto destacado por Silva é a prática recorrente de promover profissionais com bom desempenho técnico, mas sem preparo para liderar pessoas. Para ele, essa escolha pode gerar efeitos negativos em cadeia. “Competência técnica não é sinônimo de liderança. Quando essa diferença é ignorada, cria-se um gestor inseguro, e essa insegurança contamina toda a equipe”, analisa.
Com mais de 30 anos de atuação na formação de líderes, o mentor defende que o desenvolvimento de gestores seja encarado como uma ação preventiva contra o adoecimento mental no trabalho. “Muitas empresas ainda priorizam metas e crescimento, mas deixam em segundo plano quem sustenta a operação no dia a dia. Liderança despreparada tem um custo alto — tanto financeiro quanto humano”, conclui.







