Já notou que, após uma noite mal dormida, fica mais difícil organizar a alimentação e encontrar disposição para se exercitar?
Quando se pensa no cuidado com o peso, é comum olhar para o prato e para a atividade física, mas o sono também faz parte dessa equação e precisa ser levado em conta.
Uma pesquisa publicada na revista JAMA Internal Medicine avaliou 80 adultos com sobrepeso que costumavam dormir menos de seis horas e meia por noite. Parte deles recebeu orientação individualizada para aumentar o tempo de sono. Ao longo de duas semanas, esse grupo passou a dormir mais e terminou consumindo, em média, cerca de 270 calorias menos por dia, na comparação com o grupo que manteve a rotina anterior.
Vale ressaltar que nenhuma dieta foi prescrita no estudo: a intervenção foi voltada para o sono.
Por que o sono influencia o apetite
Uma das hipóteses para explicar o achado é que dormir com regularidade e qualidade ajuda a equilibrar o metabolismo basal e o balanço entre os hormônios da fome e da saciedade. Dessa forma, em um contexto de privação de sono, pode ocorrer um desajuste, aumentando o apetite e a vontade de consumir alimentos calóricos.
Esse resultado chama atenção, evidentemente, mas precisa ser interpretado com cautela. Não se está afirmando que dormir mais seja uma fórmula para emagrecer. O que a pesquisa mostra é que zelar pelo sono pode contribuir com o cuidado com a alimentação e, naturalmente, favorecer o peso.
Quando o peso também afeta o sono
Há, porém, outro lado da moeda. A obesidade aumenta o risco de apneia obstrutiva do sono, que é o estreitamento ou a ausência de passagem de ar na garganta enquanto se dorme. O sono pode sofrer interrupções e a pessoa nem percebe; por isso, ela tende a ficar mais tempo na cama tentando compensar e ter um sono de mais qualidade. Entre os sinais que merecem investigação estão: ronco frequente, parar de respirar à noite e acordar cansado.
Como transformar o sono em prioridade
Na prática, comece observando a própria rotina. Há tempo suficiente reservado para dormir ou o sono fica em segundo plano? E, quando surge a oportunidade de dormir, é possível ter um sono de qualidade? Essa distinção já ajuda a entender se falta tempo para o sono ou se existe uma dificuldade que precisa ser investigada.
Vale reforçar: a obesidade tem múltiplas causas, por isso o cuidado precisa considerar fatores biológicos, emocionais e sociais, com acompanhamento individualizado e sem julgamentos. Nesse sentido, inclua as noites na conversa com a equipe médica. Cuidar do peso também passa por entender como se está dormindo.






