Custos cognitivos de fazer mil coisas ao mesmo tempo

O termo multitarefa costuma ser empregado quando, na prática, ocorre uma alternância entre tarefas. A multitarefa de verdade combina uma atividade inconsciente ou automática com outra consciente, como dirigir por um caminho familiar enquanto se fala ao telefone no viva-voz ou caminhar na esteira enquanto se lê um livro. “Essas atividades podem ser feitas ao mesmo tempo com segurança”, diz Budson.

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Já a alternância de tarefas significa tentar executar duas atividades conscientes ou cognitivamente exigentes no mesmo instante — como ouvir uma palestra e mandar uma mensagem para um amigo. Não é possível fazer as duas sem que uma interfira na outra, pois ambas demandam a mesma região cerebral, explica ele.

Em geral, percebemos quando estamos tentando alternar entre tarefas e nos aproximando de uma sobrecarga cognitiva. “Se você está dirigindo em uma nevasca, por exemplo, a maioria das pessoas entende que o motorista não pode conversar porque precisa se concentrar ao máximo para dirigir com segurança”, afirma ele. “É um exemplo em que dirigir deixa de ser automático e passa a exigir pensamento consciente.”

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Como a troca de tarefas esgota a memória de trabalho

Tentar alternar entre atividades — quando as tarefas envolvidas exigem a mesma região do cérebro — gera custos cognitivos ocultos, segundo Budson. Entre eles:

  • Foco e concentração reduzidos;
  • Mais erros ou detalhes negligenciados;
  • Conclusão mais lenta de tarefas complexas;
  • Fadiga mental e sobrecarga de decisões;
  • Aumento da distração.

A alternância de tarefas também pode afetar a memória de trabalho e a capacidade de aprender coisas novas. Isso acontece porque fica mais difícil compreender o que se ouve ou lê quando a mente também está pensando ou prestando atenção em outra coisa.

“Você não consegue prestar atenção suficiente no cônjuge se estiver focado no jogo de futebol, por exemplo, e, se uma hora depois perguntarem o que ele disse, não vai se lembrar”, acrescenta Budson.

Envelhecimento também entra na conta

A capacidade de fazer multitarefa também diminui com o passar dos anos, observa Budson. O envelhecimento compromete naturalmente essa habilidade porque os lobos frontais — responsáveis pela alternância entre tarefas — não funcionam com a mesma eficiência conforme a idade avança. Por isso, interrupções frequentes podem provocar mais fadiga mental a partir da meia-idade.

“Em geral, quando uma pessoa idosa está concentrada em uma única tarefa, pode ter desempenho tão bom quanto um adulto mais jovem”, diz ele. “Mas não consegue alternar entre tarefas com a mesma facilidade de quando era mais nova.”

É importante compreender que essas mudanças são comuns e não indicam necessariamente declínio cognitivo, acrescenta Budson. Além disso, realizar várias tarefas ao mesmo tempo e alternar entre elas não são atividades inerentemente perigosas para o cérebro.

“Isso altera a capacidade de lembrar coisas, de ter um bom desempenho — todo tipo de coisa será afetada”, diz ele. “Mas fazer essas atividades diferentes não vai prejudicar o cérebro.”

Como proteger o foco e reduzir a sobrecarga cognitiva

Quer se concentrar melhor? Comece facilitando a vida do cérebro ao realizar uma tarefa por vez. Alguns hábitos simples podem ajudar:

Reserve um período específico para cada tarefa, em vez de tentar fazer várias ao mesmo tempo.

Desative notificações desnecessárias e outras distrações.

Faça pausas regulares para prevenir a fadiga mental que dificulta manter o foco.

  • Agrupe tarefas semelhantes

Agrupar atividades — como responder a e-mails ou fazer ligações telefônicas — pode minimizar a sobrecarga cognitiva que surge ao alternar entre tarefas não relacionadas.

A estratégia mais importante para proteger a atenção, porém, acontece inteiramente na própria mente, segundo Budson. É praticar a atenção plena — observar o que acontece dentro de si e ao redor com uma atitude de aceitação, sem julgamentos, enquanto se afastam os pensamentos que distraem.

Uma prática popular de mindfulness é a respiração consciente. Ela consiste em se sentar em uma posição confortável, fechar os olhos ou suavizar o olhar e concentrar-se no ritmo natural da respiração. Quando a mente divagar, basta trazê-la de volta com gentileza para as sensações da respiração. É possível fazer o mesmo ao caminhar ou comer, direcionando a atenção para essas sensações.

Budson sugere reservar alguns minutos por dia para treinar o cérebro a se concentrar dessa forma. “Essa é a coisa mais importante e prática que você pode fazer”, afirma ele.

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