O consumo excessivo de bebidas alcoólicas está entre os fatores de risco para demência que podem ser modificados ao longo da vida. Uma comissão internacional de especialistas que revisa periodicamente as evidências sobre o tema estima que quase metade dos casos da doença poderia ser evitada ou adiada com o controle desses fatores.
O álcool age diretamente sobre o cérebro. O uso frequente e em grande quantidade está associado à redução do volume cerebral, a lesões nas conexões entre os neurônios e a prejuízos na memória, na atenção e na capacidade de planejar e tomar decisões.
Há também efeitos indiretos. A bebida em excesso eleva a pressão arterial, prejudica o sono, aumenta o risco de quedas e traumatismos na cabeça e pode provocar deficiência de vitaminas importantes para o sistema nervoso, como a tiamina, cuja falta causa danos graves à memória.
Por muito tempo, estudos sugeriram que pequenas doses diárias poderiam até proteger o cérebro. Pesquisas mais recentes, com metodologias mais rigorosas, questionam essa ideia e indicam que não há nível de consumo comprovadamente benéfico, sendo que o risco cresce à medida que a quantidade aumenta.
O padrão de consumo também importa. Beber grandes volumes em uma única ocasião, hábito comum em fins de semana, é especialmente prejudicial, e a idade em que o consumo começa influencia os efeitos, já que o cérebro de adolescentes e jovens ainda está em formação.
Reduzir a ingestão de álcool traz benefícios em qualquer fase da vida. Para quem tem dificuldade em diminuir ou parar, as unidades básicas de saúde e os serviços especializados do SUS oferecem acolhimento e tratamento gratuitos, e buscar ajuda é um passo importante para proteger o cérebro e a saúde como um todo.






