A artista visual Aimeê Morais lançou no sábado (17), a fanzine ilustrada “Entre os Cacos”, na Secretaria de Cultura, Turismo e Lazer de Carpina, na Zona da Mata Norte de Pernambuco. Com entrada gratuita, o encontro teve apresentação da obra, conversa com a artista, sessão de autógrafos e discotecagem dos DJs Luna Attack e Sam.
Publicação aborda saúde mental e representatividade
A publicação trata de saúde mental a partir de vivências pessoais e da ficção, com a intenção de favorecer o acolhimento, enfrentar preconceitos e ampliar a representatividade de pessoas com deficiência (PCD) e LGBTQIAP+. A programação contará com recursos de acessibilidade, entre eles intérprete de Língua Brasileira de Sinais (Libras).
Autodidata, Aimeê nasceu e cresceu em Carpina e encontrou no desenho uma forma de expressão ainda na infância. A convivência com a ansiedade também marca sua trajetória artística e ajudou a desenvolver “Entre os Cacos”, projeto gráfico que reúne textos e ilustrações autorais para tratar de sentimentos e conflitos emocionais.
A ideia tomou forma em experimentações criativas, quando a artista começou a relacionar músicas e letras com as próprias emoções. Dessa conexão nasceu uma narrativa metafórica que usa a linguagem visual para aproximar o público de experiências ligadas à saúde mental.
Na história, a personagem Calisto conduz o leitor por situações que podem gerar identificação com vivências de sofrimento emocional. As festas noturnas também surgem na narrativa como espaços de fuga da realidade e dos sentimentos, compondo o universo ficcional criado pela artista.
Segundo Aimeê, o objetivo principal é fazer com que as pessoas que estão passando por alguma questão de saúde mental e leiam a zine se sintam acolhidas, vistas e saibam que não estão sozinhas.
Além de incentivar a empatia, a publicação pretende estimular a busca por apoio em momentos difíceis, seja por meio de conversas com pessoas de confiança ou do acompanhamento de profissionais especializados.
Título nasce de expressões populares
O título “Entre os Cacos” surgiu de expressões populares usadas para descrever situações de sofrimento, como “estou só os caquinhos” e “me sinto quebrado”. A escolha dialoga com a proposta de transformar experiências dolorosas em uma narrativa artística capaz de gerar identificação e acolhimento.
A iniciativa também incorpora referências culturais de Pernambuco, com destaque para a valorização da cultura nordestina e o resgate da memória dos papangus, manifestação tradicional da cultura popular do estado. A produção de Aimeê reúne influências diversas, que passam pela moda punk, pela cultura drag e pela maquiagem dos anos 1920.
O projeto combina técnicas tradicionais, como aquarela, nanquim e lápis de cor, com recursos digitais. Nos trabalhos, a artista explora temas como ansiedade, emoções humanas e experiências de pessoas com deficiência, aproximando essas discussões das novas gerações.
Como parte da proposta de democratizar o acesso à cultura, exemplares da fanzine serão distribuídos gratuitamente em bibliotecas comunitárias e escolas públicas. A publicação também estará disponível em formato digital.
“Entre os Cacos” tem produção de Aimeê M., Dulapis e Azulyne e conta com incentivo dos editais da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB) em Pernambuco. A iniciativa recebe apoio financeiro do Governo de Pernambuco, por meio da Secretaria de Cultura do Estado, com recursos direcionados pelo Ministério da Cultura, do Governo Federal.






