Um marinheiro do porta-aviões norte-americano USS Abraham Lincoln lançou-se ao mar nas últimas semanas e foi resgatado cerca de uma hora depois. Outros terão sido impedidos de fazer o mesmo, em meio a denúncias sobre as condições a bordo e a deterioração da saúde mental da tripulação durante uma missão que incluiu 208 dias consecutivos sem escala portuária. O USS George Washington já está a caminho para render o navio.
Publicações militares dos Estados Unidos têm divulgado relatos de familiares sobre falhas no abastecimento do USS Abraham Lincoln — desde itens básicos como sabonete e pasta de dentes até comida —, além de fadiga extrema e um alegado agravamento da saúde mental dos cerca de cinco mil membros da tripulação.
O secretário da Defesa dos EUA, Pete Hegseth, nega as acusações e afirma que os relatos sobre as condições a bordo foram “completamente deturpados”, garantindo que a Marinha procura assegurar que “cada navio, cada tripulação e cada comandante têm tudo o que lhes podemos fornecer em todos os momentos”.
Hegseth acrescentou que tem “o maior respeito e gratidão por aqueles marinheiros”, reconhecendo que algumas missões são mais longas do que outras.
O Abraham Lincoln, com base em San Diego, partiu dos EUA em novembro de 2025 para uma missão no Pacífico com duração inicial prevista até maio. No entanto, o navio foi redirecionado para o Médio Oriente e passou a ter um papel central nas operações militares norte-americanas contra o Irão.
Com a missão prolongada várias vezes, o porta-aviões encontra-se agora no nono mês de destacamento, após mais de 260 dias no mar, incluindo 208 dias consecutivos sem uma escala portuária significativa — um recorde para um porta-aviões norte-americano na era moderna.
Em Washington, senadores democratas têm pressionado o Pentágono por explicações sobre as sucessivas extensões da missão no contexto da guerra com o Irão, bem como sobre os problemas a bordo e a alegada deterioração da saúde mental da tripulação.
A Marinha insiste que não detetou qualquer aumento dos casos reportados de pensamentos suicidas ou de tentativas de suicídio no navio, garantindo que os militares têm acesso a apoio psicológico, capelães e equipas médicas, e sublinhando que não houve mortes durante a missão.
Entretanto, o porta-aviões USS George Washington já segue em direção ao Médio Oriente para render o USS Abraham Lincoln, com responsáveis militares a afirmar que esta rotação já estava planeada. O navio deixou o porto no Vietname a 5 de agosto, sem data confirmada para a chegada.
Relatos
A mulher do marinheiro que se atirou à água e foi resgatado disse ao Military Times que o marido “está com medo” porque “acha que vai receber uma dispensa desonrosa e que, só porque estava esgotado, a sua carreira de 13 anos vai estar arruinada, assim, de repente”.
“Isso não é justo, não está certo. Não é com isso que ele deveria estar a preocupar-se agora”, acrescentou Annabelle Loma, que diz que a comunicação com o marido tem sido complicada porque ele continua sob vigilância médica.
“O meu filho está atualmente nesse navio e ouvi-lo dizer que ele e os companheiros a bordo pensam constantemente em saltar do navio só para aliviar a tensão é muito difícil de suportar”, escreveu um pai preocupado ao Stars and Stripes em julho.
Trump rejeita preocupações
Por sua vez, Donald Trump rejeitou as preocupações manifestadas pelos familiares dos militares a bordo do porta-aviões USS Abraham Lincoln e recusou a ideia de que o navio esteja há demasiado tempo em missão. “Não, nem de perto o suficiente”, respondeu o presidente norte-americano aos jornalistas, acrescentando que o navio deverá deixar a região em breve, sendo substituído por “outro muito semelhante”.






