Dicas da OMS para prevenir a demência e proteger a saúde do cérebro

As orientações da Organização Mundial da Saúde revelam que aproximadamente 45% do risco de demência está ligado a fatores que podem ser modificados, como pressão alta, diabetes, vida sedentária e fumo. De acordo com o médico Alexandre Duarte, a proteção das funções cognitivas depende do cuidado com o metabolismo e o sistema cardiovascular mantido bem antes da chegada do envelhecimento, uma vez que o cérebro requer circulação eficiente e suprimento adequado de energia. Ainda que hábitos saudáveis e acompanhamento médico não eliminem riscos genéticos, a intervenção precoce é fundamental para reduzir o declínio cerebral.

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O combate ao declínio cognitivo tem início bem antes do surgimento dos primeiros indicativos de falhas de memória. As novas orientações da Organização Mundial da Saúde (OMS), divulgadas em julho de 2026, sinalizam que até 45% do risco de demência pode estar relacionado a fatores passíveis de modificação.

Dentre esses fatores estão a pressão arterial elevada, o diabetes, o sedentarismo, o tabagismo, o consumo prejudicial de álcool, o isolamento social e a exposição à poluição atmosférica. Essa constatação fortalece a conexão entre saúde do cérebro e atenção metabólica mantida durante toda a vida.

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Alexandre Duarte, médico, docente, referência em fisiologia metabólica e hormonal e idealizador do Instituto Avantgard, centro voltado à medicina metabólica e hormonal com foco na prevenção, afirma que esse entendimento transforma a maneira de encarar o processo de envelhecimento.

“Ao refletir sobre a saúde do cérebro, costuma-se observar primeiro a memória. Na prática, também é necessário acompanhar o que ocorre no organismo com o passar dos anos, pois o cérebro necessita de uma circulação adequada, fornecimento de energia e harmonia entre diversas funções fisiológicas”, declara.

Demência também se relaciona à saúde metabólica

No mundo, mais de 57 milhões de indivíduos convivem com algum tipo de demência, conforme dados da OMS. A enfermidade de Alzheimer corresponde a algo entre 60% e 70% dos casos.

No Brasil, o Relatório Nacional sobre a Demência calcula que cerca de 1,8 milhão de pessoas conviviam com a doença em 2019. O relatório ainda destaca que as projeções nacionais continuam com limitações por causa da escassez de pesquisas disponíveis.

Parte do debate envolve a saúde cardiovascular e metabólica. A hipertensão, o colesterol alto e o diabetes podem comprometer a integridade dos vasos sanguíneos com o passar do tempo.

A circulação cerebral também possui relação com o risco de demência vascular. Dessa forma, o controle de condições cardiometabólicas figura entre as estratégias de mitigação de risco sugeridas pela OMS.

Como o diabetes se conecta à saúde do cérebro?

Outra linha de investigação estuda de que maneira mudanças no uso da glicose e na sinalização da insulina podem interferir no funcionamento do sistema nervoso.

Essa associação é analisada sobretudo em indivíduos com resistência à insulina e diabetes tipo 2. Contudo, as evidências não autorizam a afirmação de que essas condições, por si sós, causem a doença de Alzheimer.

“É fundamental não transformar uma associação em diagnóstico ou promessa de prevenção. Um indivíduo com resistência à insulina não obrigatoriamente desenvolverá Alzheimer, da mesma forma que manter a glicemia controlada não significa estar imune à enfermidade. O que se pode fazer é reduzir os fatores sobre os quais há margem de intervenção”, enfatiza Duarte.

Exercício físico também preserva a saúde do cérebro

O exercício físico surge entre as recomendações da OMS para diminuir o risco de declínio cognitivo e demência.

Além de auxiliar na regulação da glicose, a prática frequente colabora para a preservação da massa muscular e da saúde cardiovascular. A recomendação integra uma estratégia que combina diferentes cuidados ao longo da vida.

Uma dieta equilibrada, a cessação do tabagismo e a diminuição do consumo nocivo de álcool também figuram entre as ações associadas à redução dos fatores de risco passíveis de mudança.

A prevenção se inicia antes da terceira idade

Na avaliação de Duarte, antecipar esse cuidado é um dos pontos mais relevantes.

“A prevenção não tem início aos 70 anos. Muitas mudanças que cobrarão um preço no futuro são construídas ao longo de décadas. A melhor estratégia é não aguardar o surgimento de uma enfermidade para começar a monitorar os marcadores que podem ser alterados”, destaca.

A perspectiva da OMS também leva em conta a redução de riscos em diferentes etapas da vida. A proposta é reconhecer os fatores que podem ser transformados e agir antes que o declínio cognitivo se manifeste.

Alterações no estilo de vida não anulam o risco

Cuidar do metabolismo e abraçar hábitos saudáveis pode ajudar a reduzir os fatores de risco. Isso não implica, todavia, que o Alzheimer possa ser evitado somente com alterações no estilo de vida.

Idade, genética, histórico familiar e outros mecanismos biológicos também desempenham papel no surgimento da doença.

“A mensagem não é de que exista uma fórmula para impedir uma doença neurodegenerativa. Trata-se de reconhecer que cuidar do organismo ao longo da vida também representa uma chance de proteger funções que serão relevantes no envelhecimento. A saúde cerebral não deve começar a ser debatida somente quando a memória falha”, conclui Duarte.

Como zelar pela saúde do cérebro?

Não há uma única medida que consiga prevenir a demência. O cuidado abrange diferentes aspectos da saúde.

Entre as estratégias sugeridas pela OMS, destacam-se:

  • Praticar exercícios físicos regularmente.
  • Manter a pressão arterial sob controle.
  • Acompanhar a glicemia e tratar o diabetes quando diagnosticado.
  • Seguir uma alimentação equilibrada.
  • Evitar o tabagismo.
  • Reduzir o consumo nocivo de álcool.
  • Cuidar da saúde cardiovascular.
  • Preservar atividades de estímulo cognitivo e social.
  • Diminuir a exposição à poluição do ar quando possível.

O acompanhamento médico se mostra relevante para detectar fatores de risco e determinar os cuidados específicos para cada indivíduo.

Portanto, a saúde do cérebro não deve ser avaliada somente quando aparecem lapsos de memória. Cuidar do metabolismo, da circulação e dos hábitos ao longo da existência também integra a atenção à saúde cognitiva.

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