A menor exposição à luz solar, somada às mudanças na rotina e no convívio social, pode afetar o humor e a energia durante o inverno. Não é raro que, nessa época do ano, as pessoas percebam oscilações no humor, na vitalidade e até na vontade de sair de casa. O tema ganha importância adicional porque o Brasil registra a maior taxa de depressão da América Latina, segundo dados da Organização Mundial da Saúde.
Embora o frio não seja causa direta de transtornos mentais, o psiquiatra Higor Bermudes, da MedSênior, explica que o inverno pode agravar sintomas emocionais já existentes e favorecer alterações de humor em pessoas mais suscetíveis. Segundo ele, é comum que, nos meses frios, as pessoas passem mais tempo em ambientes fechados, reduzam a prática de exercícios, fiquem menos expostas à luz natural e diminuam o contato social, uma combinação de fatores que pode impactar diretamente o equilíbrio emocional.
A redução da exposição à luz natural interfere em processos importantes do organismo, como o ciclo do sono, o ritmo biológico e a produção de neurotransmissores ligados ao humor, entre eles a serotonina e a melatonina. Ao mesmo tempo, o frio favorece uma rotina mais sedentária e reduz as oportunidades de interação social, fatores que podem intensificar a sensação de isolamento e desânimo.
Bermudes ressalta que isso não significa que todas as pessoas vão desenvolver um transtorno mental no inverno. Segundo ele, oscilações de humor podem ocorrer em qualquer época do ano, e o que merece atenção é quando sintomas como tristeza persistente, perda de interesse pelas atividades habituais, mudanças significativas no sono ou no apetite e falta de energia começam a prejudicar a rotina, situação em que o acompanhamento médico se torna essencial.
Para preservar a saúde mental durante o período mais frio, o psiquiatra recomenda uma combinação de hábitos simples. Aproveitar a luz natural sempre que possível, abrindo janelas e fazendo pequenas caminhadas durante o dia, ajuda a compensar a menor exposição ao sol. Manter uma rotina de atividade física também contribui, já que o exercício estimula a liberação de substâncias ligadas ao bem-estar e auxilia no controle da ansiedade.
Evitar o isolamento, mantendo contato com familiares e amigos, e respeitar horários regulares de sono são outros pontos importantes, assim como cuidar da alimentação, evitando o excesso de ultraprocessados, e reservar tempo para atividades prazerosas, como leitura, música, culinária ou hobbies, que ajudam a aliviar o estresse e estimular a mente.
Quando a tristeza, a ansiedade, a irritabilidade ou o desânimo persistem por semanas e passam a interferir na rotina, o recomendado é buscar avaliação profissional. Para Bermudes, preservar a saúde emocional depende da combinação entre hábitos saudáveis, vínculos sociais e uma rotina com propósito. Segundo ele, a saúde mental não se resume à ausência de doenças, mas também depende da qualidade das relações, do sentimento de pertencimento e da capacidade de manter uma rotina ativa e significativa, fatores que ajudam a enfrentar melhor os períodos de maior vulnerabilidade emocional e contribuem para um envelhecimento mais saudável.
Esse é um tema sensível, e quem estiver enfrentando dificuldades emocionais pode buscar apoio profissional a qualquer momento.







