A facilidade para obter informações e a exigência de manter uma presença digital constante geram impactos na saúde mental. Especialistas do Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público Estadual chamam a atenção para o papel da hiperconectividade no surgimento da Síndrome de Burnout.
O contato contínuo com o ambiente virtual potencializa os efeitos do estresse crônico, compromete a recuperação do organismo e favorece um nível extremo de esgotamento físico e mental.
O cérebro em alerta permanente
O burnout é um distúrbio psíquico associado à dinâmica do mercado de trabalho atual, intensificado pelo uso generalizado da internet. A condição se caracteriza por esgotamento emocional, distanciamento afetivo do trabalho e redução do sentimento de realização profissional.
O principal impacto da vigilância digital constante recai sobre a qualidade do descanso, fundamental para regular os níveis de estresse. Com o acesso permanente a notificações, e-mails e mensagens fora do expediente, o cérebro permanece reativo e não consegue atingir o estado de repouso necessário.
Essa rotina dificulta a separação entre os momentos de trabalho e de lazer. A checagem constante aciona o sistema de antecipação do cérebro, gerando um ciclo contínuo de ansiedade e impedindo o organismo de desligar e recuperar as energias.
Quem são os mais vulneráveis?
Embora o uso excessivo de telas possa afetar qualquer pessoa, profissionais submetidos a altas demandas e à cobrança por disponibilidade imediata estão mais expostos ao problema. Os grupos de maior risco incluem:
Trabalhadores do setor de tecnologia da informação e comunicação;
Profissionais da saúde e da área de atendimento ao público;
Jornalistas e produtores de conteúdo;
Trabalhadores em regimes remoto ou híbrido, nos quais os limites geográficos entre casa e escritório deixam de existir.
Dicas práticas para desconectar
Pequenas mudanças de hábito no dia a dia ajudam a conter o avanço do esgotamento e a preservar a saúde mental:
Desativar notificações dispensáveis: manter ativos apenas os alertas dos aplicativos estritamente necessários;
Criar momentos sem telas: evitar o uso de smartphones e computadores na primeira e na última hora do dia;
Estabelecer um limite de horário: definir o fim do expediente de trabalho e alinhar essa rotina com a equipe;
Adotar a escala de cinza na tela: configurar o celular em preto e branco para diminuir o apelo visual das redes;
Realizar pausas ativas: reservar pequenos intervalos durante a jornada para caminhar ou descansar a vista, sem migrar do computador para o celular.
Para evitar que a tecnologia se transforme em um fator de adoecimento, especialistas recomendam a adoção de hábitos diários que ajudem a recuperar a autonomia sobre o tempo e estimulem o descanso efetivo.
Medidas para estabelecer limites com as telas
Filtrar alertas: desativar as notificações não essenciais de aplicativos e redes sociais que não exigem respostas imediatas;
Criar limites físicos: determinar horários livres de dispositivos eletrônicos, principalmente na primeira e na última hora do dia;
Proteger o sono: deixar o smartphone fora do quarto ao dormir e utilizar um despertador tradicional para evitar a checagem de mensagens durante a noite;
Definir acordos de conectividade: estipular um horário limite para encerrar o expediente e comunicar essa rotina de forma clara para colegas e gestores;
Reduzir o apelo visual: configurar a tela do celular no modo escala de cinza para diminuir a atração pelo aparelho e reduzir o tempo de uso;
Fazer pausas reais: realizar pequenos intervalos ao longo do dia sem o uso de telas, aproveitando para caminhar ou olhar pela janela.
Diagnóstico e tratamento da Síndrome de Burnout
Quando o esgotamento já se encontra em estágio avançado, manifestando sintomas como cansaço extremo, irritabilidade constante, lapsos de memória, insônia crônica e dores físicas sem causa médica aparente, a busca por ajuda profissional torna-se indispensável.
O tratamento adequado para a Síndrome de Burnout exige o acompanhamento multidisciplinar com psicólogo para psicoterapia e médico psiquiatra, responsável por avaliar a necessidade de intervenção medicamentosa temporária.







