Auditoria aponta necessidade de ampliar rede de saúde mental em Maceió

Uma auditoria conduzida pelo Departamento Nacional de Auditoria do Sistema Único de Saúde (Denasus), órgão vinculado ao Ministério da Saúde, revelou aspectos que, na visão dos órgãos de controle, sinalizam a urgência em expandir e aprimorar a Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) em Maceió. O documento técnico foi submetido à Justiça Federal pelo Ministério Público Federal (MPF), Defensoria Pública da União (DPU) e Ministério Público do Estado de Alagoas (MP/AL), servindo como subsídio à ação civil pública que aborda a organização do atendimento em saúde mental na capital alagoana.

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Na petição entregue ao Judiciário, as entidades afirmam que os resultados da auditoria reforçam as alegações da ação e solicitam a implementação de providências para fortalecer a rede de cuidados. O propósito da ação é aumentar a disponibilidade de serviços para indivíduos em sofrimento psíquico e para aqueles que necessitam de assistência devido ao consumo de álcool e outras substâncias, por intermédio da ampliação da infraestrutura pública especializada.

Conforme o levantamento do Denasus, dezoito situações foram apontadas como estando em desacordo com os critérios definidos para a Rede de Atenção Psicossocial. Dentre os pontos mencionados, destacam-se:

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  • Necessidade de ampliação do número de Centros de Atenção Psicossocial (CAPS)
  • Ausência de Unidades de Acolhimento Adulto
  • Inexistência de leitos de saúde mental em hospitais gerais
  • Desafios ligados ao contingente de profissionais, à estrutura física das unidades, ao acesso a serviços especializados e à interconexão dos sistemas de informação

O relatório aborda ainda tópicos referentes à administração da política pública, à capacitação contínua das equipes e ao planejamento para o crescimento da rede. O documento é subscrito pelo procurador regional dos Direitos do Cidadão em Alagoas, Bruno Lamenha, pelo defensor regional de Direitos Humanos em Alagoas, Diego Alves, e pela promotora de Justiça Micheline Tenório, na qualidade de representantes do MPF, DPU e MP/AL.

Auditoria detalha composição e financiamento

De acordo com a auditoria, a atual configuração da rede municipal conta com cinco CAPS, uma Unidade de Acolhimento Infantojuvenil, onze Residências Terapêuticas e um Núcleo de Reabilitação Psicossocial. O estudo indica que essa estrutura necessita de expansão para fazer frente à demanda existente e cumprir as normas do Ministério da Saúde. Nas inspeções técnicas, foram observados momentos de alta procura pelos serviços e a implementação de sistemas de agendamento em certas unidades.

A investigação constata ainda que Maceió atualmente carece de leitos para saúde mental em hospitais gerais e de Unidade de Acolhimento Adulto, dispositivos previstos na política nacional da área. Outro aspecto realçado pelo Denasus envolve o custeio da rede. Segundo o documento, entre janeiro de 2024 e junho de 2025, a RAPS de Maceió obteve mais de R$ 14 milhões em transferências federais. O relatório também revela que projetos para a edificação de novos CAPS foram aprovados no âmbito do Novo PAC e aguardam o avanço de procedimentos administrativos pela prefeitura para serem concretizados.

Pedidos na ação civil pública

Na ação civil pública, o MPF, a DPU e o MP/AL sustentam que o robustecimento da rede pode contribuir para diminuir as filas de espera, garantir maior continuidade terapêutica e facilitar o acesso da população aos cuidados especializados em saúde mental. As instituições acrescentam que, depois de negociações administrativas conduzidas nos últimos anos, consideraram indispensável que a Justiça Federal avalie o caso para determinar as medidas necessárias para a expansão da Rede de Atenção Psicossocial.

Dentre as solicitações contidas na ação, figuram a definição de um cronograma pela Prefeitura de Maceió para a ampliação da rede, com a criação de novos CAPS III, Unidades de Acolhimento Adulto e leitos psiquiátricos em hospitais gerais; o envolvimento do Estado de Alagoas no cofinanciamento do projeto; e a continuidade, por parte da União, das iniciativas de financiamento, supervisão e monitoramento da política de saúde mental. O processo está em andamento na Justiça Federal com o número 0804491-23.2025.4.05.8000.

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