O que define traição em um relacionamento

Quem nunca se viu envolvido em uma situação de traição, seja como traidor ou traído? É um tema que, de uma forma ou de outra, afeta muitas pessoas. Mas, afinal, o que define traição em um relacionamento?

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A definição de traição não é algo universal e pode variar de acordo com as expectativas e acordos de cada casal. É um conceito subjetivo que envolve questões de confiança, respeito e comunicação.

Entendendo a traição

Segundo a psicóloga especialista em inteligência emocional Bianca Panvequi, traição pode ser definida como ‘tudo aquilo que fere o acordo construído entre um casal’. Isso pode incluir desde um olhar que ultrapassa os limites do respeito até uma relação sexual. O que realmente machuca é a violação da confiança.

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Juliana Carneiro, especialista em felicidade e saúde mental feminina, acredita que existem ‘pequenas traições’ que não são necessariamente de cunho sexual. Ela explica: ‘Toda vez que você engana, mente, muda um acordo ou esconde algo importante, é uma pequena traição que vai minando a relação.’

Comunicação: a chave para evitar a traição

A falta de comunicação é frequentemente apontada como uma das principais causas de traição. As pessoas muitas vezes não conversam sobre suas vontades e desejos, o que pode levar a mal-entendidos e frustrações.

Juliana Carneiro enfatiza que as relações precisam ser cultivadas com abertura, diálogo e disposição. ‘Os desejos e acordos precisam ser claros. A outra pessoa não vai adivinhar o que você sente, espera ou precisa’, afirma.

Bianca Panvequi concorda, destacando que a comunicação é a ‘base de qualquer relacionamento saudável’. Ela acredita que as ‘conversas difíceis’ são fundamentais para alinhar expectativas e estabelecer acordos sobre o que é considerado traição para cada casal.

Quando a traição acontece

Apesar de toda a comunicação e acordos, a traição pode ainda ocorrer. Bianca explica que isso pode ser reflexo de um vazio interno da pessoa que trai, uma busca constante por validação, afeto ou sentido.

A traição também pode ser um sinal de que o relacionamento está fragilizado, desconectado ou emocionalmente insatisfatório. Bianca ressalta que a traição está ligada a padrões emocionais, culturais e familiares, que podem ser repetidos de geração em geração.

Barreiras para vínculos saudáveis

Sentir que a confiança foi quebrada é algo que machuca profundamente. O psicólogo Marcos Lacerda explica que a carência e a idealização são barreiras para a criação de relações honestas. Ele ilustra isso com exemplos como a busca pela felicidade no casamento, depois na casa própria, depois por meio dos filhos ou netos.

Essa dinâmica cria insatisfação nas relações, onde as pessoas erroneamente esperam que o parceiro ‘tape um buraco’ existencial. Isso resulta em decepção, insatisfação, traição e quebra de confiança.

O que fazer para criar vínculos saudáveis

Mesmo diante das barreiras, é possível criar vínculos saudáveis. Marcos Lacerda sugere os seguintes pontos:

  • Autoconhecimento e humildade: reconhecer que todos somos capazes de falhas humanas evita julgamentos e promove empatia;
  • Vulnerabilidade como conexão: mostrar-se vulnerável cria pontes reais e favorece espaços de escuta segura;
  • Comunicação empática: pensar em como gostaríamos de ouvir o que vamos dizer transforma a forma de se expressar;
  • Falar de si, não do outro: expor sentimentos em vez de culpar ajuda a reduzir conflitos e abre espaço para colaboração;
  • Escuta sem julgamento: ouvir genuinamente, sem necessidade de concordar, é um ponto-chave para relações mais saudáveis;
  • Aceitação da imperfeição: relações seguras não são perfeitas, mas exigem paciência, ternura e compaixão para amadurecer;
  • Amor como suporte à diferença: amar é acolher o desconforto que a diferença do outro pode causar, com cuidado mútuo;
  • Pedir ajuda nas relações: reconhecer dificuldades e pedir ajuda fortalece os vínculos e permite buscar soluções juntos;
  • Perdão pela humanidade: perdoar se torna possível ao enxergar no outro a mesma vulnerabilidade que há em nós;
  • Acolher o outro como espelho: ao acolher o outro, também curamos partes nossas, reconhecendo nossa humanidade compartilhada.
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