Zinedine Zidane assume o comando da seleção da França com o peso da história às costas e um dos elencos mais talentosos do futebol mundial à disposição. O herói da Copa do Mundo de 1998 retorna à seleção com a missão de transformar as oportunidades recentes perdidas em troféus, substituindo Didier Deschamps, que deixou o cargo depois de o time terminar em quarto lugar na Copa do Mundo de 2026.
O anúncio, feito na terça-feira, dia 28, confirmou que a França entregou o comando a um homem cujo brilho como jogador ajudou a conquistar o primeiro título mundial do país, em solo francês, e cuja competência como técnico já havia sido comprovada pelas conquistas no Real Madrid. Zidane é reconhecido por uma autoridade serena, boa gestão de jogadores e pela capacidade de dar liberdade aos atletas de elite para decidir as partidas. No comando do Real, ele montou um time capaz de movimentar a bola com rapidez, mudar de formação rapidamente e manter a compostura sob pressão nos momentos decisivos, conquistando três títulos seguidos da Liga dos Campeões, nível que a França vai buscar na preparação para a Eurocopa de 2028.
O presidente da Federação Francesa de Futebol, Philippe Diallo, contou que, ao conhecer Zidane em fevereiro de 2025, percebeu nele a determinação e a confiança necessárias para levar a seleção à vitória. Para uma equipe que conta com atacantes como Kylian Mbappé, Ousmane Dembélé, Michael Olise e Désiré Doué no auge das carreiras, a chegada de Zidane abre a possibilidade de uma identidade ofensiva ainda mais afiada.
A França raramente careceu de talento, mas os fracassos recentes em momentos decisivos levantaram dúvidas sobre se a equipe precisa de mais liberdade, criatividade e imprevisibilidade quando o que está em jogo é maior. O Real Madrid de Zidane era equilibrado e pragmático quando necessário, mas o que dava vantagem ao time era a liberdade concedida a jogadores de elite, como Cristiano Ronaldo, Karim Benzema e Luka Modric, para assumirem o protagonismo em campo, improvisarem e moldarem as partidas à vontade.
A liderança firme de Deschamps ajudou a França a reconquistar o topo do futebol internacional depois do fracasso da Copa do Mundo de 2010, quando a seleção foi eliminada na fase de grupos sem vencer uma partida sequer, e culminou no título mundial de 2018. Mas o capítulo final de sua gestão foi marcado por frustrações nos maiores palcos, com a derrota para a Argentina na final da Copa de 2022 e a eliminação nesta edição de 2026 diante da Espanha, por 2 a 0, na semifinal. A seleção ainda fechou sua participação no torneio com uma derrota por 6 a 4 para a Inglaterra, na disputa pelo terceiro lugar, encerrando os 14 anos de Deschamps à frente da equipe.
A abordagem estruturada de Deschamps, quase como uma partida de xadrez, foi o que a França precisou para se reconstruir depois do desastre de 2010, mas agora pode ser o momento de Zidane afrouxar as amarras e dar mais liberdade à sua equipe rumo à Eurocopa de 2028.







