Lucas Braathen não conteve as lágrimas após garantir o primeiro ouro olímpico de inverno para o Brasil, declarando que “nada é impossível”. O atleta, filho de mãe brasileira e pai norueguês, sagrou-se campeão do slalom gigante do esqui alpino em Milão-Cortina neste sábado (14).
Profundamente emocionado com a conquista histórica — a primeira medalha brasileira em Jogos Olímpicos de Inverno —, Lucas Pinheiro Braathen expressou seu desejo de que a vitória sirva de inspiração para futuras gerações de esportistas no país que escolheu representar.
Natural de Oslo, na Noruega, o esquiador tem ascendência brasileira por parte da mãe, Alessandra Pinheiro, e norueguesa por parte do pai, também chamado Lucas Braathen.
“É indescritível. Totalmente indescritível. Não consigo encontrar palavras para o que estou sentindo agora”, disse o atleta em entrevista ao SporTV. Braathen passou a competir sob a bandeira verde e amarela em meados de 2024.
“Com todo o Brasil assistindo e torcendo por mim, isso pode se tornar um ponto de inspiração para as crianças da próxima geração, mostrando que nada é impossível. Não importa onde você esteja, suas roupas ou a cor da sua pele. O que importa é o que está aqui dentro [apontando para o coração]. E eu esquio com o meu coração”, completou o campeão olímpico, visivelmente emocionado.
Uma verdadeira guerra pelo pódio
O atleta descreveu a disputa pela medalha de ouro no slalom gigante como uma verdadeira “guerra”. Na luta pelo primeiro lugar, o brasileiro superou o suíço Marco Odermatt, campeão em Pequim-2022 e um dos favoritos em Milão-Cortina, que ficou com a prata.
“Eu estava me esforçando, buscando, sempre tentando encontrar a velocidade, encontrar o ‘flow’ para descer em um ritmo muito rápido”, afirmou Braathen.
O esquiador detalhou que é necessário se ajustar rapidamente às mudanças entre a primeira e a segunda descida, principalmente em relação à neve, que fica “completamente diferente” à medida que os competidores passam pelo percurso.
“Encontrei o equilíbrio. Estava esquindo com o coração. E quando você esqui do jeito que você é, tudo é possível”, declarou o atleta, que deixou de competir pela Noruega devido a desentendimentos com a federação local sobre a gestão de sua carreira.
“A única coisa que importa para mim é que eu continuo sendo quem eu sou. Sou o esquiador brasileiro que se tornou campeão olímpico.”







