Protetores independentes de animais e voluntários promoveram, na manhã deste sábado (12), um ato em defesa da fauna e da preservação do Parque Pedra da Cebola, em Vitória. A manifestação ocorreu em frente à entrada da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), em Goiabeiras, e contou com a participação de aproximadamente 85 pessoas.
De maneira pacífica, os presentes pediram providências quanto à gestão do parque, ao atendimento aos animais que vivem no espaço e à resolução dos problemas constatados durante uma vistoria feita no local.
As reivindicações incluem a manutenção do suporte veterinário aos animais, condições melhores de alimentação e abastecimento de água, além da proteção das áreas verdes. Os manifestantes também manifestaram oposição à concretagem de setores do parque para a criação de estacionamento.
Conforme o protetor e organizador do ato, Fernando Furtado Melo, uma das maiores preocupações é assegurar que os gatos que ocupam o parque continuem recebendo cuidados.
“Queremos mostrar a importância de manter o cuidado com os gatos do parque. Se eles forem retirados sem critérios, uma nova população não castrada ocupará o local. Precisamos de apoio, pois a prefeitura não pode deixar os potes de água vazios e delegar todo o trabalho para a sociedade civil”, afirmou.
Fernando também advogou que qualquer intervenção no parque considere a preservação ambiental. “Pedimos que a área não seja concretada para virar estacionamento e que o parque seja gerido com foco na preservação das matas e dos bichos”, acrescentou.
Vistoria apontou problemas
A mobilização aconteceu depois de uma inspeção conjunta da CPI de Maus-Tratos aos Animais e da Coordenadoria de Proteção e Defesa da Fauna (CPDF) do Ministério Público do Espírito Santo (MPES).
Durante a fiscalização, foram detectados problemas ligados às condições de armazenamento de alimentos e medicamentos destinados aos animais, além da falta de acompanhamento veterinário permanente.
De acordo com a CPI, foram localizadas ração com mofo e insetos, medicamentos veterinários vencidos e recipientes de água em condições inadequadas. As equipes também relataram pontos de água parada, lagoas com coloração esverdeada e ausência de um plano contínuo de manejo dos animais domésticos e silvestres.
A presidente da CPI, deputada estadual Janete de Sá (PSB), criticou a situação encontrada na fiscalização. “Identificamos uma contradição imperdoável. A administração do parque foca claramente na limpeza das ruas, no paisagismo, na grama aparada em detrimento da alimentação, saúde, proteção e bem-estar dos animais que estão entregues à própria sorte”, afirmou.
Segundo a parlamentar, amostras da água dos lagos e da ração foram recolhidas para análise pericial. A ração considerada imprópria para consumo foi descartada.
A fiscalização também indicou dificuldades para controlar novos abandonos de gatos no parque. Conforme as informações apresentadas durante a vistoria, voluntários já castraram cerca de 138 felinos que vivem na área.
Os resultados das análises devem embasar as providências do Ministério Público junto à Prefeitura de Vitória, incluindo as conversas para a formalização de um Termo de Ajuste de Conduta (TAC) que envolva a gestão do parque e os cuidados com os animais.
O que diz a prefeitura de Vitória
A municipalidade afirma que segue aberta ao diálogo franco com as entidades protetoras dos animais. No último dia 25 de agosto, por exemplo, reuniu-se com a ONG Gatinhos Pedra da Cebola.
Antes da inspeção, o município já havia identificado a necessidade de melhorias nos cuidados com os animais, tanto que exonerou o servidor responsável pela gestão do parque e adotou providências administrativas.
Um dos principais desafios é o abandono de gatos. Além de crime, a prática amplia a população desses animais domésticos, configurando desequilíbrio ambiental e um problema de saúde pública, podendo afetar a fauna silvestre, já que os gatos caçam aves e pequenos animais. Ademais, a oferta descontrolada e inadequada de alimentos também favorece a proliferação de pragas e roedores, além de gerar aumento considerável de custos para a municipalidade.
As ações da municipalidade já apontam redução no abandono: foram 80 gatos em 2025 e 17 em 2026, até o momento. O resultado acompanha o avanço das políticas municipais de prevenção aos maus-tratos, guarda responsável e controle populacional.
O parque conta com placas de orientação sobre guarda responsável e contra o abandono, cuja instalação será ampliada pela Prefeitura, atendendo a pedido de organizações não governamentais. Antes da inspeção, o município também havia iniciado o processo de instalação de câmeras de videomonitoramento nas entradas, para coibir a prática e auxiliar na identificação dos responsáveis.
Desde janeiro de 2022, mais de 242 gatos das colônias da Pedra da Cebola foram atendidos pelo Programa Vitória da Castração Animal, que oferece avaliação clínica, exames, castração, microchipagem e medicação pós-operatória. Em janeiro de 2026, o município iniciou o Censo Animal para aprimorar as políticas de castração, vacinação, guarda responsável, prevenção de zoonoses e combate ao abandono.
A secretaria municipal de meio ambiente mantém rotinas de conservação, fornecimento de água e alimentação aos animais, acompanhamento veterinário, manejo e controle dos produtos utilizados.
Outra política importante que o município oferta é o serviço de resgate para animais gravemente feridos.
A Prefeitura seguirá atuando na conservação do parque, na proteção da saúde pública, no cuidado e controle populacional dos animais e no combate ao abandono.






