Sensação de não saber nada para o Enem cresce; é normal?

Nos dias 8 e 15 de novembro, milhões de estudantes vão encarar o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2026. Com a prova se aproximando, muitos alunos relatam a sensação de que não sabem nada das disciplinas e também o medo do “branco” na hora de resolver as questões. Isso é normal? Especialistas ouvidos pelo Terra explicam essa sensação pré-Enem e como aliviá-la.

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Segundo Thiago Braga, autor de Língua Portuguesa do Sistema de Ensino pH, faltando poucos dias para o exame, ter a sensação de não saber nada é “supernormal”, porque é difícil quantificar tudo o que o estudante sabe. De acordo com o professor, é mais fácil medir o que não se sabe, por isso a insegurança aparece.

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A psicóloga Paula Pimenta, do Serviço de Atendimento Psicológico do Curso Anglo, também afirma que esses sentimentos são esperados porque o Enem é uma “prova eliminatória”. Ela explica que não basta ir bem: é preciso alcançar a nota exigida para o curso escolhido, o que cria uma pressão muito grande e a necessidade de atingir uma certa perfeição para passar.

Para esses momentos de insegurança, Braga aconselha o aluno a lembrar que a preparação para o Enem não foi feita em apenas um ou dois anos, mas desde que ele entrou na escola. Ele já se prepara há muito tempo, com mais de dez anos de acúmulo e construção de conhecimento, não só para o Enem, mas para qualquer prova, o que traz segurança.

Além disso, é fundamental não enxergar o exame como um momento decisivo da vida. Segundo o professor, a sensação de que a vida inteira está sendo decidida nessa prova gera uma série de sentimentos negativos e pode piorar o desempenho. O estudante pode passar, mas também pode não passar e tentar de novo; ter clareza disso aumenta a confiança e a tranquilidade e reduz a percepção de desconhecimento.

Como apontam os especialistas, há ainda outras formas de aliviar a tensão pré-Enem:

  • Fazer exercícios leves, de preferência aeróbicos, como corridas e caminhadas;
  • Ter boas noites de sono;
  • Ter uma alimentação saudável, evitando gordura e muito açúcar;
  • Ter momentos de lazer com amigos e família, além de ter um “plano B” caso não atinja a nota desejada; e
  • Fazer terapia com um profissional para conversar sobre esses medos e expectativas para a prova.

A psicóloga acrescenta que outra dica é o estudante recordar os ganhos já obtidos, as matérias que conseguiu aprender mais naquele ano por ter estudado e os assuntos em que sente maior domínio hoje. Ainda que a prova seja eliminatória, o processo de aprendizagem é gradual e ele está dando passos para alcançar o objetivo.

O famoso “branco”

Um dos grandes medos dos vestibulandos, o famoso “branco” é a incapacidade temporária de recuperar uma informação que já foi aprendida em algum momento da vida. Conforme a psicóloga, o “branco” faz parte de um processo natural do cérebro. Para aprender, são necessários momentos de esquecimento para depois recuperar aquele conteúdo; esquecer faz parte do processo de aprendizagem.

Braga ainda comenta que o branco está associado a dois fatores: os alunos precisarem carregar uma quantidade enorme de conceitos para as provas, acreditarem que isso é possível e ficarem com essa pressão, além do tradicional nervosismo, que influencia muito durante o vestibular.

Paula acrescenta que o fator emocional e o nervosismo estão diretamente relacionados não só ao branco, mas a toda a condição que o aluno vai encontrar no momento de fazer a prova. Se ele está mais ansioso, pode ter mais brancos e menos foco, por exemplo.

Mas se der o branco na hora da prova, o que fazer? Os especialistas afirmam que é importante manter a calma, e a principal dica é pular para a próxima questão.

Braga orienta que não adianta ficar tentando lembrar e gastando tempo. Como a prova tem TRI [Teoria de Resposta ao Item, algoritmo usado para corrigir o exame], ela exige que os alunos acertem as questões fáceis e, se forem errar, errem as difíceis. Assim, se o estudante estiver tendo um branco, o mais provável é que seja numa questão difícil. A recomendação é pular para as próximas e depois voltar para tentar fazer; se não conseguir, está tudo bem não acertar tudo.

Agora, se o participante tiver um “branco geral” durante a prova, o professor explica que isso indica um estado de nervosismo extremo. Nesses casos, a indicação é fazer uma pausa, ir ao banheiro, lavar o rosto, beber água, respirar e só depois voltar mais calmo para concluir o exame.

Enem 2026

As provas do Enem 2026 serão aplicadas em dois domingos seguidos, nos dias 8 e 15 de novembro deste ano. No total, o exame tem 180 questões objetivas e uma redação, e é dividido da seguinte forma:

  • Primeiro dia do Enem – 8/11: a prova conta com 45 questões de Linguagens, Códigos e suas Tecnologias; 45 questões de Ciências Humanas e suas Tecnologias; e a redação (texto dissertativo-argumentativo). O exame começa às 13h30 e termina às 19h.
  • Segundo dia do Enem – 15/11: a prova traz 45 questões de Ciências da Natureza e suas Tecnologias; e 45 questões de Matemática e suas Tecnologias. O exame inicia às 13h30 e vai até as 18h30.

Nos dois dias, os portões dos locais de prova abrem às 12h e são fechados às 13h (horário de Brasília).

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