Brasileiros que pretendem cursar a graduação nos Estados Unidos com bolsa de estudo não precisam limitar a busca a nomes como Harvard e MIT. Especialistas orientam que a preparação comece entre 12 e 18 meses antes, tempo para mapear faculdades menos famosas, mas mais alinhadas ao perfil e aos objetivos do candidato. Também é essencial verificar a cobertura real do auxílio financeiro e os custos extras de permanência, já que instituições fora do circuito mais tradicional costumam oferecer bolsas integrais viáveis.
Harvard, MIT, Stanford e Yale figuram entre as universidades mais conhecidas dos Estados Unidos, embora representem apenas uma pequena parte das instituições de ensino superior do país. Para quem deseja estudar no exterior, sobretudo com bolsas de estudo, ampliar a pesquisa pode abrir oportunidades em universidades menos famosas, cujos cursos e condições financeiras estejam mais alinhados aos objetivos do estudante.
De acordo com Letícia Rebelo, sócia e diretora da área educacional e de produto da The Dream School, edtech brasileira especializada em preparação para graduação internacional, concentrar a busca apenas nas instituições de maior prestígio pode reduzir as possibilidades.
“Uma boa lista de universidades não reúne somente os nomes mais conhecidos, mas opções que realmente façam sentido para cada aluno. A escolha precisa levar em conta, além do reconhecimento da instituição, o curso, o perfil acadêmico, as oportunidades de bolsa e os custos. Muitas vezes, a melhor oportunidade está em uma universidade que o estudante nem imaginava no início do processo”, afirma.
Pesquisa deve começar antes da candidatura
A recomendação é iniciar a busca entre 12 e 18 meses antes do início previsto da graduação. Esse período permite conhecer diferentes instituições, conferir os requisitos de admissão, identificar bolsas disponíveis e organizar a preparação acadêmica.
Nos Estados Unidos, as universidades podem avaliar, além do histórico escolar, proficiência em inglês, testes padronizados, redações, atividades extracurriculares e cartas de recomendação. Os critérios variam conforme a instituição, assim como as políticas de auxílio financeiro para estudantes internacionais.
“Quando o estudante começa a pesquisar com antecedência, consegue entender melhor o que cada universidade valoriza e identificar quais oportunidades são compatíveis com seu perfil. Não se trata apenas de aumentar o número de candidaturas, mas de construir uma lista equilibrada, que considere tanto os objetivos acadêmicos quanto a viabilidade financeira”, explica Letícia Rebelo.
Curso e bolsa podem definir a escolha
A combinação entre a formação desejada e as condições financeiras oferecidas pode ser decisiva na escolha da universidade. É o que mostram as trajetórias de duas brasileiras que passaram pela preparação da The Dream School.
Luísa Quintão Frade, de Brasília (DF), começou o acompanhamento ainda no segundo ano do Ensino Médio, com o objetivo de estudar Animação nos Estados Unidos. Depois de receber aprovações em diferentes instituições e conquistar duas bolsas completas, escolheu a Eastern Michigan University, onde recebeu a Presidential Scholarship, que cobre mensalidade, moradia e alimentação.
Maria Júlia Soares Guimarães, de Manaus (AM), precisou conciliar a preparação para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) com as candidaturas internacionais. A estudante recebeu cinco aprovações em universidades norte-americanas com bolsas e optou pela Central Michigan University, onde conquistou cobertura integral dos custos necessários para cursar Astronomia e Astrofísica.
Bolsa integral exige atenção aos custos
Letícia Rebelo destaca que, além de comparar as universidades, é fundamental compreender o que cada bolsa oferece. Nos Estados Unidos, uma bolsa full tuition geralmente cobre o valor integral das mensalidades acadêmicas, enquanto uma full ride costuma incluir também despesas como moradia e alimentação, conforme as condições de cada instituição.
“Olhar apenas para o percentual da bolsa pode levar a uma leitura errada do custo real. O que importa é saber exatamente o que está coberto e quais despesas continuam sob responsabilidade do estudante e da família. Uma oferta com um percentual menor pode, no fim, ser mais viável, dependendo dos outros apoios disponíveis e do custo de permanecer naquela universidade”, explica.
Para a especialista, a decisão deve considerar não apenas a aprovação, mas também as condições de permanência até a conclusão do curso. Comparar ofertas e calcular despesas adicionais, como seguro-saúde, transporte e materiais acadêmicos, ajuda a identificar oportunidades financeiramente viáveis.







