Três pesquisadores de Minas Gerais visitaram unidades escolares da rede de ensino de Vitória, em parceria com o Ministério da Educação (MEC). A primeira agenda foi no Centro Municipal de Educação Infantil de Tempo Integral (CmeiTI) Álvaro Fernandes Lima, no bairro Bela Vista. O intuito é promover um intercâmbio sobre ações e resultados entre municípios brasileiros, que resultará em uma publicação. A visita ocorreu após a capital se inscrever para participar dessa jornada.
“O objetivo é poder fazer essa visita, mesmo que curta, e depois narrar sobre a estrutura que estamos vivenciando, para que as redes possam se conhecer, compartilhar e ver o que acontece em outros espaços, para não partir do zero e sim de experiências. Os desafios, as demandas, as potencialidades, o que precisa aprimorar, o que está funcionando — é basicamente isso que a gente passa para o Ministério da Educação”, explica Lucas Ramos Martins, professor da Universidade do Estado de Minas Gerais (UEMG).
Protagonismo infantil e a Rádio Massinha
A Secretaria Municipal de Educação (Seme) apresentou aos pesquisadores o protagonismo infantil materializado com a criação da “Rádio Massinha”, concebida no início de 2019 a partir da escuta dos interesses das crianças do CmeiTI Álvaro Fernandes Lima. Entre 2020 e 2021, durante a pandemia da Covid-19, a experiência desenvolveu-se no campo do faz de conta, com vivências on-line que exploravam a oralidade, a imaginação e os efeitos sonoros.
Em 2022, com a organização do espaço e a chegada dos primeiros equipamentos, as crianças escolheram, por votação, o nome “Rádio Massinha”, culminando na inauguração do ambiente temático.
O professor Lucas destaca que, desde 2023, uma série de ações da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e do MEC abrangem estudos sobre escolas de tempo integral, como o CmeiTI Álvaro Fernandes Lima. “Esse movimento está em âmbito nacional, então essa visita está acontecendo em diversos territórios, desde municípios muito pequenininhos no interior até capitais. A política de educação em tempo integral é ampla, tem várias frentes. Tem curso de formação para gestores, tem as trocas entre as redes com intercâmbios para uma rede aprender com a outra, e este projeto é o Caderno de Experiências Inspiradoras”, disse Lucas Martins, citando a publicação que será feita após visitas como essa em Vitória.
Professora da Faculdade de Educação da UFMG, Isabel de Oliveira e Silva aponta uma perspectiva cronológica ao fazer suas avaliações. “Minha área é infância e educação infantil. Tenho uma trajetória longa e gosto muito de cada vez que conheço uma experiência, pensar o que era a educação infantil há 20, 30 anos no Brasil e como a gente já caminhou”. Agora, ela acredita que, para seguir a caminhada, é preciso se colocar diante dos resultados que surgem conforme as ações realizadas. “Temos muitos desafios para olhar para essa história, desde antes dos reconhecimentos e depois com o reconhecimento dos direitos, e com toda a mobilização social das redes de ensino, para que a gente de fato construa uma política que atenda esses direitos das crianças. E lembrar que esse é o segundo ano do edital (do Caderno de Experiências Inspiradoras), que já tem uma produção do ano passado. Já têm experiências inspiradoras relatadas. Queremos escutar diferentes segmentos”.
Graduando em Pedagogia e bolsista do grupo TEIA, João Gabriel Soares da Cunha espera que o diálogo entre as redes de ensino siga construindo um futuro promissor para a educação no País. “Essa experiência é muito legal. Vamos continuar nessa imersão”.






