Recentemente, o vídeo de um pai desconhecido tentando distrair uma criança antes que ela tome uma vacina ganhou a internet. O rapaz faz carinhos na criança, brinca com seu rosto, dá beijinhos enquanto — sorrateiramente — a enfermeira aplica a agulhada nas perninhas da pequena.
Para além do show de fofura, o vídeo também foi compartilhado por profissionais da enfermagem como um exemplo de bons procedimentos nesta visita às clínicas de imunização e salas de vacina — passo fundamental para a proteção da criança, mas um desafio grande para os pequenos.
Para ajudar famílias na hora de levar uma criança para receber as doses, a psiquiatra norte-americana Grace Farris transformou o medo do filho — em 2020, com 8 anos de idade — em uma história em quadrinho sobre como driblar seu medo de agulhas. Ela temia a aproximação das duas doses de imunizantes contra Covid-19 somados à também necessária vacina para o vírus influenza.
Entre as dicas que enumerou para acalmar o menino estavam as mesmas orientações que foram sugeridas por médicos ouvidos pelo EXTRA quando questionados sobre maneiras que facilitariam a vacinação dos pequenos. São elas: tentar distrair a criança, acalmá-la com conversas ou oferecer um desenho de sua preferência. Há, por exemplo, locais que vão além e incentivam os pais a dar um “abraço de urso” na criança, tudo em nome de criar um ambiente aconchegante. É natural, explicam os especialistas, temer levar as agulhadas, sobretudo para as crianças, que ainda não passaram por esse procedimento muitas vezes.
“Em primeiro lugar, o mais importante é a família controlar a própria ansiedade. Cada especialista te dirá uma abordagem, mas eu acho que o certo é chegar à clínica e pronto, sem ficar anunciando que vai”, diz Claudio Len, médico pediatra. “É preciso dizer a criança que aquilo que ela está recebendo é uma proteção, um presente”.
Reduza as expectativas
O pediatra acredita que antecipar para a criança que, por exemplo, “amanhã terá que tomar vacina”, pode causar uma ansiedade desnecessária. Ele também diz que ficar tentando medir a quantidade da dor, dizendo que será só uma picadinha tampouco fará sentido para os pequenos. É preciso, reafirma o médico, deixá-los viver a experiência com suas próprias impressões:
“É como tirar a habilitação ou passar no vestibular, etapas difíceis para chegar a coisas boas. É preciso ser verdadeiro, dizer que incomoda, mas que será para o bem da criança”. As informações são do Extra.







