Cafés cultivados por famílias indígenas de Rondônia figuram entre as atrações da Agrotec, em Porto Velho. No Pavilhão do Café – Sabores e Aromas do Campo, os produtores exibem ao público itens que carregam tradição, identidade e o esforço da agricultura familiar.
Um caso é o Café Arauá, cultivado por Tawã Arauá e seus familiares na Terra Indígena Rio Branco, em Alta Floresta d’Oeste.
Grande parte do processo, do cultivo ao empacotamento, acontece na própria propriedade. Antes vendido principalmente em pontos de entrega no município de origem, o café encontrou na feira a chance de chegar a novos consumidores.
“Estar aqui é muito gratificante porque conseguimos apresentar nosso trabalho, ouvir a opinião das pessoas e receber novas ideias que ajudam a melhorar e agregar valor ao nosso produto”, contou Tawã.
Café Mopimop: tradição da família Suruí
Natural de Cacoal, o produtor Daniel Suruí participa da Agrotec com o Café Mopimop, produzido na Aldeia Paiter Suruí. A história da família com a cafeicultura teve início em 1992, com o avô de Daniel, e seguiu pelas próximas gerações.
Nos últimos anos, a família também passou a investir na qualidade dos grãos e a disputar concursos, com resultados que incentivaram a continuidade da produção.
“O café faz parte da nossa história desde 1992. Meu avô já trabalhava com café, depois meu pai continuou e hoje seguimos esse trabalho”, afirmou Daniel. Para ele, estar em um evento de grande porte é uma oportunidade de apresentar o produto e ampliar os caminhos para a comercialização.
Pavilhão do Café: vitrine para os Robustas Amazônicos
As duas trajetórias integram o Pavilhão do Café – Sabores e Aromas do Campo, um espaço dedicado à valorização da cafeicultura de Rondônia, com destaque para os Robustas Amazônicos.
O ambiente reúne produtores, empreendedores e marcas de café, incluindo produtos reconhecidos em concursos. Durante a feira, os visitantes podem conhecer diferentes aromas e sabores, participar de degustações e acompanhar etapas que vão da produção do grão à torra e ao preparo da bebida.
O espaço também abriga o Lounge do Café, que proporciona experiências, demonstrações e capacitações sobre qualidade dos grãos, colheita e pós-colheita, torra, métodos de preparo, análise sensorial, agregação de valor e oportunidades de mercado.
A presença dos produtores indígenas amplia a diversidade do evento e evidencia a força da agricultura familiar na produção de cafés em Rondônia.
Além de apresentar os produtos ao público, a participação na Agrotec permite aos produtores trocar experiências, receber sugestões e buscar novas oportunidades de comercialização para os cafés produzidos nas comunidades.






