PF investiga deputado Cezinha de Madureira por tráfico de influência no STF

Polícia Federal apura deputado Cezinha de Madureira por suspeita de tráfico de influência no Supremo Tribunal Federal

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Nesta manhã (14), a Polícia Federal (PF) cumpre mandados de busca em endereços associados ao deputado federal Cezinha de Madureira (PL-SP) e à sua esposa, no âmbito de um inquérito que investiga a suspeita de tráfico de influência do parlamentar em processos judiciais. A diligência foi autorizada pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF).

A peça apresentada pela PF relata que o deputado participou de um esquema de “comercialização de influência” e aponta especificamente três processos no STF nos quais ele teria atuado junto a ministros da Corte. Dois deles são de relatoria do ministro Kassio Nunes Marques e um do ministro Edson Fachin, embora o acórdão tenha sido redigido por Gilmar Mendes. De acordo com Flávio Dino, Cezinha empregou o cargo para “incutir em terceiros a percepção de influência sobre magistrados de tribunais superiores”. A apuração, contudo, não encontrou qualquer conduta irregular por parte dos ministros.

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Figura de destaque da bancada evangélica, Cezinha de Madureira articulou uma reunião entre o ministro André Mendonça, do STF, e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master. O encontro foi revelado pelo site ICL e confirmado por Mendonça. A reunião ocorreu em março de 2025, no Instituto Iter, em São Paulo, e conforme nota do gabinete do ministro, não teve como pauta o Banco Master. O tema discutido foi uma ação sobre precatórios em tramitação na Corte, e o ministro teria apenas ouvido o ex-banqueiro.

Um dia depois da divulgação do encontro, Mendonça comunicou sua desfiliação da sociedade do Instituto Iter. O caso também se tornou público dois dias depois de o ministro divulgar o relatório da PF com mensagens enviadas por Daniel Vorcaro a um número atribuído ao ministro Alexandre de Moraes. A escolha pela divulgação deu início à recente crise na Corte.

A operação realizada nesta segunda-feira executa quatro mandados de busca e apreensão no Distrito Federal e em São Paulo. De acordo com a PF, a medida é um desdobramento de investigação iniciada em dezembro de 2025 para apurar irregularidades na destinação de emendas parlamentares.

“As investigações apontam que integrantes do grupo teriam negociado com terceiros o pagamento de valores expressivos, condicionados ao resultado de processos em andamento, sob o pretexto de influir em decisões judiciais”, afirma a nota divulgada pela PF, sem mencionar em relação a qual ministro ou processo do tribunal teria ocorrido a negociação.

Esposa de Cezinha teria negociado R$ 2 milhões

Mensagens obtidas pela Polícia Federal revelam que a advogada e esposa de Cezinha, Valéria Linhares, teria negociado honorários de R$ 2 milhões em caso de êxito num processo de um político preso por desvio de recursos da Educação, que tramitava no STF. Depois da negociação, Cezinha teria tentado despachar junto ao gabinete de Nunes Marques, relator do caso.

Os diálogos de WhatsApp foram localizados no celular de Mariângela Fialek, conhecida como Tuca e apontada como uma das principais operadoras do orçamento secreto durante a presidência de Arthur Lira (PP-AL) na Câmara dos Deputados. Ela foi alvo de buscas da PF no ano passado numa investigação sobre suspeitas de desvios de emendas parlamentares. Foi a partir dessa operação que a PF identificou a atuação de Tuca em conjunto com Cezinha para tentar vender influência junto a ministros de tribunais superiores, inclusive o próprio STF.

Defesa afirma não haver irregularidade

O escritório Carneiros Advogados, responsável pela defesa do deputado, informou em nota que o parlamentar confia que, “assegurados o contraditório e o amplo acesso da defesa aos elementos da investigação e à íntegra do processo”, os fatos serão devidamente esclarecidos no devido processo legal, com a comprovação de que nenhuma irregularidade foi cometida.

“É importante ressaltar que, conforme estabelece a jurisprudência do STF, medidas de tamanha repercussão deveriam ser conduzidas com a devida distância de qualquer circunstância política ou eleitoral”, destaca a nota.

O comunicado acrescenta que, “com a tranquilidade de quem confia plenamente na Justiça e certo de sua conduta sempre ilibada, o deputado federal Cezinha de Madureira está à disposição das autoridades e prestará todos os esclarecimentos necessários”.

A reportagem tentou contato também com a defesa de Valéria Linhares, que ainda não se manifestou. A assessoria do STF foi igualmente procurada para saber se os ministros relatores dos processos iriam se pronunciar, mas ainda não houve resposta.

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