A Embratur, em parceria com a Associação Brasileira das Desenvolvedoras de Games (Abragames), anunciou os vencedores da 3ª edição do concurso Brasil Tá Pra Game, iniciativa que promove a cultura e os destinos brasileiros no exterior por meio de jogos eletrônicos. A revelação dos quatro estúdios contemplados, que dividem R$ 190 mil, ocorreu durante a Gamescom Cologne 2026, no centro de exposições Koelnmesse, na Alemanha, maior feira do setor na Europa.
Os quatro projetos vencedores
Nesta edição, os projetos foram escolhidos após avaliação criteriosa, premiando propostas que unem narrativa, arquitetura e referências da cultura popular. O primeiro lugar foi para Lunar Axe, do OPS Studio (São Luís/MA), com R$ 70 mil. O game é uma aventura de mistério e quebra-cabeças ambientada no centro histórico da capital maranhense. Os cenários, criados com base em locações reais, destacam a arquitetura colonial e atuam como uma vitrine interativa do patrimônio cultural brasileiro.
Na segunda colocação, com R$ 50 mil, está Hell Clock, do estúdio Rogue Snail (Brasília/DF). O RPG de ação é inspirado na Guerra de Canudos (1896–1897) e se passa em uma recriação do sertão nordestino. O jogador controla um ex-escravizado e guerreiro, em uma combinação de mecânicas ágeis, direção de arte autoral e dublagem com atores baianos, conectando o entretenimento à memória histórica do país.
O terceiro lugar, premiado com R$ 40 mil, foi para Hit It Back, da desenvolvedora Sue the Real (São Paulo/SP). Considerado um afrogame esportivo, o jogo transforma o tradicional “Taco Bets”, brincadeira urbana brasileira, em uma versão digital e casual. A obra valoriza a cultura periférica e a acessibilidade, com cenários baseados em ruas reais e trilha sonora que combina ritmos populares do Brasil.
Por último, a categoria Novo Entrante, destinada a talentos emergentes, contemplou com R$ 30 mil o jogo de cartas Capote, da Luski Game Studio (São Paulo/SP). Ambientado em um bar brasileiro, o projeto apresenta versões modernas de jogos clássicos e adapta a experiência social dos tradicionais jogos de baralho para o ambiente digital, de maneira acessível.
“O ‘Brasil Tá Pra Game’ une cultura brasileira e inovação para apresentar o país de forma estratégica ao mundo. Pela sua natureza digital, a indústria de games é 100% exportadora: dados da Abragames mostram que 55% da receita dos estúdios nacionais vem do mercado externo, superando US$ 138 milhões em negócios globais. Levar esses jogos à Alemanha aproxima nossas narrativas do público internacional e fortalece a imagem do país por meio de um setor vibrante e globalizado”, afirma Roberto Gevaerd, diretor de Gestão e Inovação da Embratur.
“Esta experiência reforça a atuação do Sebrae, que nos últimos anos, estruturou uma atuação nacional para o setor de games, combinando capacitação, governança, acesso a mercados e, cada vez mais, a integração dos jogos digitais com a promoção dos destinos turísticos brasileiros. São iniciativas que promovem os destinos turísticos, transformando territórios, cultura, patrimônio e experiências brasileiras em elementos de narrativas capazes de despertar o interesse por meio da geração de negócios, prospecções comerciais, acesso a investidores, esforços qualificados e ampliação de oportunidades para os pequenos negócios”, afirma o presidente do Sebrae, Rodrigo Soares.
Destaque histórico e ativação inédita
A presença institucional na feira integra uma ação conjunta da Embratur, Abragames, Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil) e Sebrae, voltada à exportação e ao fomento da economia criativa. Além do anúncio dos novos vencedores, a parceria viabilizou, para a edição de 2026, um estande coletivo em área aberta e dedicada ao público geral. O espaço inédito reúne os 11 jogos eletrônicos premiados nas três edições do concurso, para que os visitantes conheçam, na prática, o portfólio da produção nacional.
A área de experimentação recupera destaques das edições anteriores. Da primeira edição, estão disponíveis Língua (SP), sobre o folclore nordestino; Árida (BA), aventura no sertão; Aleijadinho Virtual (RJ); Teleforum (DF) e Maranhão Encantado (MA). Da segunda edição, o público pode experimentar Irmão do Jorel e o Jogo Mais Importante da Galáxia (RJ), Gaucho and The Grassland (RS) e Deathbound (RJ), além de A Lenda de Niterói (RJ) e A Investigação Póstuma (SP).
“Os jogos eletrônicos são uma poderosa expressão da criatividade brasileira e uma forma contemporânea de levar nossa cultura, nossas histórias e nossa diversidade para além das fronteiras. Ao apoiar a presença desses estúdios em um palco internacional como a gamescom, mostramos ao mundo que o Brasil produz experiências originais, inovadoras e conectadas com a sua identidade. Cada jogo carrega um pouco do nosso imaginário e demonstra como a economia criativa pode transformar referências culturais brasileiras em produtos capazes de dialogar com públicos globais e projetar uma imagem cada vez mais diversa e criativa do país”, afirma Mariele Christ, gerente de Indústria e Serviços da ApexBrasil.
“A gamescom é um dos principais pontos de encontro da indústria global de games e a estreia do Brazilian Indie Pavilion representa uma evolução importante da presença brasileira neste evento. Além de conectar nossos estúdios aos principais agentes da indústria mundial, passaremos também a apresentar diretamente ao público internacional a criatividade e a qualidade dos jogos desenvolvidos no Brasil. Essa combinação entre iniciativas B2B e B2C fortalece a presença do país, amplia a visibilidade dos desenvolvedores e cria novas oportunidades de negócios, publicação e reconhecimento internacional para a indústria brasileira de games”, afirma Rodrigo Terra, presidente da Abragames.






