Ação climática é essencial para moradia acessível, mas descarbonização desacelera

A desaceleração na descarbonização do setor de edificações e construção o posiciona como uma fonte significativa de emissões e, simultaneamente, o torna mais suscetível aos efeitos das mudanças climáticas e às flutuações nos custos energéticos, conforme revela um novo estudo do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) e da Aliança Global para Edificações e Construção (GlobalABC).

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O Relatório de Status Global para Edifícios e Construção (2025-2026), em sua décima edição, analisa o avanço do setor por meio de sete indicadores essenciais que englobam políticas, mecanismos financeiros, tecnologias e investimentos em sintonia com as metas globais de neutralidade de carbono até 2050.

Lançado em um contexto de crise mundial de habitação e do custo da energia, o documento enfatiza como iniciativas climáticas voltadas para edificações podem diminuir as despesas com energia, aprimorar a qualidade de vida e aumentar a resiliência diante dos eventos climáticos, além de cortar as emissões de gases de efeito estufa.

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“De residências e escolas a hospitais e escritórios, os prédios são centrais em nosso cotidiano”, destaca Inger Andersen, diretora-executiva do PNUMA. “As edificações têm o potencial tanto de agravar os perigos climáticos quanto de proporcionar ambientes mais seguros, saudáveis e economicamente viáveis. Considerando que metade das construções mundiais ainda será erguida ou reformada até 2050, os governos possuem uma chance decisiva de fomentar a construção de baixo carbono e resiliente por intermédio de políticas aprimoradas, regulamentações e investimentos.”

A cada 24 horas, o planeta adiciona cerca de 12,7 milhões de metros quadrados de área construída, volume que equivale aproximadamente a toda a extensão da cidade de Paris em novos espaços a cada semana.

No ano de 2024, a área construída no mundo cresceu 1,7%, totalizando 273 bilhões de metros quadrados. Esse avanço acelerado foi impulsionado majoritariamente pela atividade construtiva em nações emergentes, como Índia e Sudeste Asiático. Atualmente, o segmento de edificações e construção responde por quase metade da extração global de materiais, 37% das emissões mundiais de gases de efeito estufa e 28% do consumo energético do planeta.

Avanços desde 2015

O relatório aponta que, a partir de 2015:
• A intensidade energética global dos edifícios, indicador que relaciona o consumo anual de energia de uma construção à sua dimensão, registrou uma redução de 8,5%.
• O número de certificações de construção sustentável praticamente triplicou.
• Em 2024, as fontes renováveis atenderam a apenas 17,3% da demanda energética dos edifícios, percentual bem abaixo do necessário para uma trajetória de emissões líquidas zero.
• Os aportes em eficiência energética somaram USD 275 bilhões em 2024, contribuindo para um investimento cumulativo de USD 2,3 trilhões desde 2015.

Entretanto, a partir de 2020, o ritmo do progresso diminuiu, pois a transição ecológica não conseguiu acompanhar o ritmo da expansão construtiva. Para alinhar o setor a uma rota de neutralidade de carbono, os formuladores de políticas precisam apressar as melhorias em eficiência energética e a eliminação progressiva dos combustíveis fósseis, enquanto o investimento em eficiência energética nas edificações precisa alcançar USD 5,9 trilhões até 2030, o que representa USD 592 bilhões anuais.

Exemplos Inspiradores por Região

O estudo ressalta exemplos positivos em várias regiões, tais como:
• A União Europeia adotou políticas que abordam tanto as emissões operacionais quanto aquelas liberadas antes e durante a construção (emissões incorporadas).
• O desempenho energético das edificações melhorou no Japão e na Suíça.
• Houve crescimento das energias renováveis geradas no local em prédios na Austrália, Alemanha, Índia e Paquistão.
• Planos nacionais de ação climática (NDCs) abrangem de forma substancial estratégias para o setor de edificações nas Bahamas, Camboja e Colômbia.
• Códigos de desempenho energético em edificações foram atualizados na Califórnia, Quênia, Japão e Cingapura.
• A certificação de construção verde se expandiu na China, Colômbia, Índia e Turquia.
• Roteiros nacionais de apoio à transformação do setor foram estabelecidos em Bangladesh, Índia, Indonésia, Jordânia, Gana e Senegal.
• O investimento e o financiamento para edificações sustentáveis cresceram no Canadá, Nova Zelândia e Reino Unido.

O PNUMA e a GlobalABC prosseguirão com seus esforços para consolidar dados, refinar metodologias e dar suporte à elaboração de políticas nacionais. Essas iniciativas prepararão os tomadores de decisão com as evidências requeridas para acelerar a ação climática, enfrentando simultaneamente os problemas de acessibilidade e equidade.

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Sidnei Vicente

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